Mãe Camilla de Oxum

A Mãe Camilla de Oxum conheceu a Umbanda e o Terreiro do Pai Maneco em 2004, acompanhando uma amiga que foi fazer um trabalho de faculdade. Um pouco receosa e desconfiada logo estava se sentindo em casa. E em sua primeira visita na casa consultou com o Seo Morcego, que disse para retornar falar com um Preto Velho. “Lá estava eu de volta ao terreiro. Me colocaram para falar com a Vovó Catarina, que muito carinhosa me recebeu. Me falou coisas lindas sobre a Umbanda e no fim me disse: “Fia, ocê vai entrar para a Umbanda sim, mas não será nessa casa.” Pensei: Acho que essa senhorinha simpática deve estar me confundido com outra pessoa. Não conheço terreiro algum, só este, como poderia entrar em outro? Pois bem. Nesta época fiquei próxima de membros da corrente, que tinham uma lanchonete próxima ao terreiro, dentre eles o Eder, que estava para ser cruzado Pai de Santo naquele ano ainda. Comecei então a frequentar a lanchonete e o ouvia muito falar sobre Umbanda. Ele estava para construir seu terreiro, e então decidi que entraria no terreiro dele”, conta. “O terreiro dele foi construído, com a ajuda de todos e de muitos do Terreiro do Pai Maneco, e no dia de Oxóssi, em 2005, foi inaugurado. Adivinha quem era a madrinha do Terreiro? Sim, a Vovó Catarina, que incorporada na Mãe Ritinha ao me ver me dá um beijo na testa e diz: “Não falei fia? Que você ia entrar para Umbanda, mas que seria em outra casa?” – Aaah Vovó Catarina, aaah Umbanda…”

“Comecei minha trajetória camboneando o Renato, hoje Pai Renato, que também foi para o terreiro do Pai Eder. Em 2005 ainda, com autorização do Pai Fernando, entrei para o Terreiro do Pai Maneco, de onde não saí mais. Logo em seguida, o Renato também voltou, e ali, na segunda-feira o camboneei por anos”. Quando a Mãe Rita foi cruzada Mãe de Santo, fiquei por um tempo em sua gira de sexta-feira, e posteriormente voltei para a segunda. Com a autorização do Caboclo da Cachoeira camboneei o Pai Fernando por um período, experiência única que tive a oportunidade de ter. Continuei na gira de segunda-feira, até a Mãe Denise assumir a gira de sábado definitivamente, e por conta da nossa ligação me mantive ao lado dela. Em 2014 fui cruzada capitã, em 2017 fui cruzada Mãe Pequena e em de junho desde ano, 2019, fui cruzada Mãe de Santo.

Entidades que trabalha:

Ogum Seo Corumbatá; Oxóssi Seo Tupinambá; Xangô Seo Sete Cachoeiras; Preto velho Pai Antônio e Mãe Jacira; Exu Seo Meia Noite; Cigana Soraya; Marinheiro Baiacú e Erê Francisca.

Qual melhor mensagem deixada em sua vida pelo Pai Fernando?

Difícil escolher uma única mensagem do Pai Fernando, tive a oportunidade de conviver com ele, e cada dia, cada encontro, o tempo todo era de aprendizado, seja espiritual, ou de alguém experiente que sabia muito da vida. Posso dizer que o respeito que ele tinha por todos os espíritos, e o amor que tinha pela Umbanda era o que o tornava tão especial. Além de todos os ensinamentos, aprendi com ele que não é possível e não se deve mensurar a dor de uma pessoa. Ele dizia que a dor de uma pessoa com câncer terminal não era maior que a de uma adolescente que perdeu o namorado. Ambas as dores eram imensas, cada uma em seu contexto, mas ambas causadoras de um grande sofrimento. No caso da adolescente, é para ela, naquele momento, a maior dor do mundo, então não devemos menosprezar, nem desmerecer a dor de ninguém.

Cite uma história marcante com alguma entidade que trabalha.

Acho que posso dizer exatamente sobre isso que o Pai Fernando ensinava e que os guias fazem constantemente, sobre o quanto é lindo ver a Umbanda e os guias atenderem a todos com tanto amor, atenção e respeito, justamente sem fazer distinção alguma, principalmente da dor, que nós, as vezes, em nossa imperfeição podemos julgar erroneamente. Esse é o maior aprendizado e mensagem que busco aprender com os guias que trabalho. Apenas ajude, apenas pratique o bem e a caridade, sem distinção de qualquer tipo.

 

Mensagem para os filhos da casa:

Honrem esta casa, confiem no Pai/Mãe de Santo que vocês escolheram. Todos estamos em eterna evolução. O desenvolvimento do médium nunca termina, ele é permanente e deve ser feito de forma natural e paciente. Por isso não tenham pressa, vivam cada momento e cada experiência na caminhada de vocês que tudo ocorrerá no momento certo. Se tentar colocar a carroça na frente dos bois, o trajeto certamente ficará bem mais difícil.

E por fim, se amem, se não for possível se amarem se respeitem. O Terreiro do Pai Maneco é uma casa só, então não façam distinções e nem separações entre vocês. Somos todos irmãos sob a Luz do Pai Maneco.

 

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