Texto do Jonatan Fujita 

Na última gira de segunda-feira, o Pai Caco relembrou um momento dele com o Pai Fernando, em que
perguntava ao Pai Fernando quem era o melhor médium do Terreiro e o Pai Fernando
respondeu: “É aquele médium quem chega, trabalha e vai embora”.
No dia seguinte, terça-feira, fui ajudar na engoma e conversando com um médium novo, perguntei a ele o que ele estava achando da gira, e ele todo envergonhado disse: “Nossa tenho vergonha, sei la. Fico meio assim, muita gente olhando e muita gente prestando atenção na gente”.
E eu pra descontrair brinquei: “A única pessoa que ta te olhando é a Mãe Lucília pelas câmeras”.
Dei risada até chorar.
E no início da segunda parte, eu já posicionado nos atabaques acompanhando os toques iniciais da
segunda parte da gira, este médium ao entrar me olha e sinaliza pra mim, apontando pras câmeras, rindo disfarçadamente
daquela piada interna.
Entretanto, entrei no carro, voltei pra casa e comentei com minha mulher, que é médium da corrente, sobre
o ocorrido e parei pra pensar nessas duas passagens.  Começamos a conversar sobre os lemas da Umbanda,
da caridade, do amor, da paz, de ajudar e todas aquelas coisas.
Chegamos a alguns questionamentos:
Por que um médium vai ao terreiro e fica comentando a roupa do outro? O cabelo, sapato, o jeito de incorporar,
se ta incorporado ou não, o carro que chegou, a vida do irmão de corrente, o passado do irmão de corrente?
E, enquanto isso o “pau toranto” no meio do terreiro com as entidades trabalhando até que chamam linhas
“que dão medo”.
Após muito conversar, muito mesmo, percebemos o quão diferente somos uns dos outros, pois assim como eu erro tocando, cantando
ela também tem seus deslizes, também pensamos “POUTZ será que alguém percebeu”?

E CORRE GIRA
Temos todos o costume de prestar atenção na aparência, curiosidade sobre a vida alheia, e a tudo o que citei acima,
mas aí eu pergunto: “Para que nos interessa isso se viemos aqui a TRABALHO”?

“A Umbanda é uma religião onde “trabalhamos” para caridade, simbolizando a humildade e igualdade entre nós
encarnados e desencarnados”.
Jonatan Fujita

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