Adeus, Sr. Glauco, por Denise Freitas de Oliveira

Apesar do Sr. Glauco ser uma pessoa muito conhecida em Curitiba, pois foi um dos fundadores do grupo Afoxé, um dos incentivadores do Carnaval de rua da cidade, foi diretor da Fundação Cultural, presidente da Fundação Ilu Aye Odara (que faz um trabalho belíssimo junto ao movimento negro do Paraná e comunidades quilombolas), entre inúmeras outras atividades que desempenhava, eu não conhecia o Sr. Glauco até aquele 15/11/2008, no programa de TV que fazia homenagem aos 100 anos da Umbanda. Ele era o Pejigan Glauco Souza Lobo, que estava sendo entrevistado junto com o Pai Fernando de Ogum, meu amado Pai de Santo. O Sr. Glauco não saberia, mas naquele dia ele ganhou uma grande admiradora, fiquei encantada com o conhecimento que ele demonstrava em cada resposta.

Sempre fui e sou uma pessoa que gosta demais de estudar, então estava na coordenação do grupo de estudos do Terreiro do Pai Maneco e depois de muita insistência, o Pai Fernando me respondeu que poderia fazer o estudo de Pontos Riscados que eu tanto pedi a ele, com uma ressalva: “Denise, antes de tudo você precisa falar com o Glauco”. Nossa! nem acreditei quando ele me falou aquilo, pensei: “Vou conhecer o Sr. Glauco, que maravilha!”. Infelizmente não foi daquela vez e mais algum tempo se passou, quando ainda no Grupo de estudos a Mãe Lucília me chamou e falou: “Dê, faz o trabalho de Pontos Riscados?” Meu primeiro pensamento foi: “Sr. Glauco, agora vai!” E foi!

Através de um amigo que participava do grupo, conseguimos o contato do Sr. Glauco, o convidamos para vir conversar sobre pontos riscados no Terreiro do Pai Maneco e, pensa em uma tarde agradável! Ganhamos muito mais que apenas uma conversa, ganhamos conhecimento, amizade, amor. Uma pessoa fantástica, simples, atenciosa, profunda conhecedora da religião, foram muitos sorrisos, muitas perguntas e muita troca de energia positiva, carregada de amor e admiração de todos que estavam naquela saleta com ele. Trocamos telefones e minha ideia era não desgrudar mais dele, mas a vida não funciona assim, né? E mais uma vez se passaram alguns anos até nosso reencontro no Museu Paranaense, quando o vi entrando pela porta meu coração se encheu de alegria, estava novamente em frente ao queridíssimo Sr. Glauco. Fui falar com ele, óbvio, ele foi maravilhoso, como sempre, me abraçou e trocamos telefone, dessa vez não perdi a oportunidade, pois queria entregar o resultado da nossa conversa anterior, o livro de Pontos Riscados do Terreiro do Pai Maneco.

Em uma tarde tive o imenso prazer de visita-lo na casa dele, fui recebida por ele e sua esposa com muita alegria, muito amor, foi uma tarde inesquecível e maravilhosa.

Apesar de todo meu desejo de conviver com ele diariamente, quis a vida que tivéssemos pequenos e intensos encontros. O Sr. Glauco foi e sempre será para mim uma luz, aquela luz acalentadora e especial que brilha em alguns momentos da nossa vida, não fica sempre acesa, mas seu brilho está sempre lá, pois sempre que colocamos luz ao conhecimento que essa pessoa nos despertou, ela está ali brilhando novamente, sendo eterno em nosso coração e em nossas vidas.

E o Sr. Glauco, com toda certeza, é eterno para todos nós. Continue sendo luz, querido amigo!!! Nossos sentimentos à família.

Denise Freitas de Oliveira

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