Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 12 dezembro de 2017

Coluna Prata da Casa - Reinaldo Godinho

Muito bem, leitor. Você chega na gira, toda semana. E começa a rezar cantando, porque a nossa religião é assim: reza-se feliz!
Daí ouve coisas como: “eu vou abrir a nossa gira com fé, eu vou abrir” a gira com dedicação, pedindo a Deus e a todo Santo a luz do manto da proteção ...”, “nossa Engoma é a alma musical, seu Ogan Kaian é seu chefe principal, comandando os Ogans que aqui estão, dando seu suor com humildade e devoção ...” ou ainda “Meu Pai, Oxalá, obrigado, meu pai, que bom. As voltas do seu abraço são laços de luz e som...”. Isso é muito inspirador, não? Que bom que tem gente assim criativa e antenada com as entidades que consegue traduzir tudo o que sentimos, não é mesmo?
Sem dúvida! Mas o que algumas pessoas não sabem é que muitos pontos do Terreiro, dentre os quais estes que citamos acima, são de Reinaldo Godinho. Algumas parcerias com os médiuns, algumas parcerias com as entidades, algumas composições só dele. Mas todas cheias de inspiração.
Por conta desse talento todo para fazer pontos, e também por causa de seu talento para compor outros tipos de música, fomos conversar com o nosso querido Reinaldinho para saber sobre a sua relação com a arte e com a umbanda, e como ele considera que as duas se relacionam.
Reinaldinho é um compositor, cantor e poeta paranaense que canta as coisas de nossa terra. Tem uma carreira de mais de quarenta anos. Nasceu em Siqueira Campos, no norte do Paraná, e já lançou vários discos e livros, firmou parcerias com outros talentosos artistas.
Nos conta que em sua vida, primeiro veio a música. Aos doze ou treze anos ele tomou gosto por tocar e cantar, primeiro com amigos e nunca mais parou: festas, clubes, bailes. Daí para a profissionalização foi um pulo!
Já a umbanda ele conheceu nos anos 70. Mas nos anos 80, quando conheceu o Pai Fernando e o Terreiro do Pai Maneco, ainda na Faculdade Espírita, ele se apaixonou por nossa religião. Diz Reinaldinho que o que lhe veio foi um rápido sentimento de carinho e fé. Deste início já nasceu “Akuan, Akuan, caboclo guerreiro, altivo e bom companheiro…”.
Muitas composições se seguiram, e é só darmos uma olhada na nossa apostila de pontos para reconhecermos alguns. Godinho nos diz que uma vez houve um desafio: estava em uma gira e o Seu Akuan lhe chamou e pediu que fizesse um ponto ali, na hora. Saiu o “Cura, cura, Akuan, com a luz do sol da manhã...”, assim, espontaneamente!
Para Reinaldinho, a umbanda já nasceu de um modo artístico e é a vibração da arte que faz brilhar o ritual pela cores, pelo canto, pelas guias. E termina nos dizendo que compor músicas em sua rotina profissional é também um processo meditativo, e nos conta que a música para ele é uma forma de religião, um envolvimento espiritual.
 

Bandeira da Amizade