Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 28 março de 2017

Arruda (Ruta Graveolens)

por Mariana Florentino

Não é fácil determinar quando surgiu a fama da arruda como erva protetora.

Em culturas muito antigas são encontradas referências sobre seus poderes contra as más vibrações, o seu uso na magia e na religião. Ela é historicamente considerada por muitos povos como uma erva de proteção. Desde a antiguidade, seus ramos e essências são utilizados para puricar ambientes
e proteger as pessoas de espíritos malignos, doenças, mau-olhado, feitiçarias e até mesmo da tentação, dando clareza aos pensamentos e atraindo o amor e o sucesso.

Na Grécia antiga, ela era usada para tratar diversas enfermidades, mas seu ponto forte mesmo era contra as forças do mal. Mulheres romanas costumavam andar pelas ruas carregando sempre um ramo de arruda na mão, para se defender das doenças e para afastar todos os males que iam além do corpo físico.

Na Idade Média, seus ramos eram usados como proteção contra as feiticeiras, para gerar proteção contra o mal, para prevenir a peste negra e ainda servia para aspergir água benta nos éis em missas solenes.

O uso desta planta nas práticas mágicas do passado é impressionante. Em todas as referências pesquisadas, encontrei receitas que empregam a arruda como ingrediente. A fama atravessou séculos e fronteiras, e hoje em dia a arruda pode ser encontrada também na Umbanda nos banhos de descarrego e na defumação, para espantar os espíritos ruins e o mau-olhado.

Na medicina, a arruda é indicada como analgésica, antiasmática, calmante, aumenta a resistência dos vasos sanguíneos, aumenta o uxo menstrual e combate a cólica. Auxilia o combate a vermes, alivia dores reumáticas e de cabeça. Também é utilizada para tratar de dor de ouvido e problemas nos olhos. Entretanto, o uso milenar de plantas medicinais mostrou, ao longo dos anos, que determinadas plantas apresentam substâncias potencialmente perigosas. Do ponto de vista cientíco, pesquisas mostraram que muitas delas possuem substâncias potencialmente agressivas e por esta razão devem ser utilizadas com cuidado, respeitando seus riscos toxicológicos. O uso em excesso na forma de chá da arruda é desaconselhável, pois pode causar hiperemia (abundância de sangue) dos órgãos respiratórios, hemorragia, vômitos, sonolência, convulsões, abortos, vertigens, tremores, convulsões, edemas na língua, dores abdominais, fotossensibilidade à luz e contração da pupila. Por isso, os médiuns de toco não devem indicar plantas na forma de chá para os consulentes, pois nunca se sabe o risco que estas podem causar às pessoas.

Editorias: Ervas.