Pai Jussaro de Ogum

O Pai Jussaro de Ogum nasceu e foi criado no Rio de Janeiro em uma família católica romana, mas desde pequeno teve uma atração pelo espiritual, principalmente pela Umbanda. “Quando ainda criança me fascinava ir nos trabalhos de Umbanda que haviam na praia todo final de ano. Passava horas admirando e tentando entender tudo aquilo. Já adolescente toda família veio morar em Curitiba e em 1975 meu pai de carne faleceu. Tinha 17 anos e não me conformava com tal situação. Assim, comecei a ir em busca de uma resposta para tal. Lógico que não encontrei. Com isso percorri inúmeros terreiros, centros espíritas e lugares similares. Duvidava de tudo e de todos. Sempre me falavam que eu tinha um trabalho feito e que para desmanchar iria me custar um dinheiro. Eu simplesmente sumia. Parecia que me arrancavam desses lugares. Um belo dia, após uma competição de hipismo e conversando com uma amiga sobre lugares que eu havia ido – e sabendo que ela ia em um centro espírita – eu disse a ela que não conseguia achar um lugar sério, que todos queriam cobrar e questionei como podia isso? Ela, de imediato, me indicou um lugar que ficava na Faculdade Espírita e que todos que lá frequentavam eram muito sérios e que não cobravam absolutamente nada. Ela me perguntou se eu queria ir. Me disse que seria em uma segunda-feira e que eu iria ficar surpreso. De pronto disse sim e lá fui eu em busca das minhas respostas, que naquela altura da vida já eram inúmeros questionamentos, além de uma série de problemas”, relata.

“Ao parar meu carro na rua em frente ao portão do tal centro espírita vi uma centena de pessoas de branco com faixas e colares coloridos do lado de fora esperando início dos trabalhos. Naquele dia era gira de Exu. Fui ao encontro a minha amiga e ela, com um enorme sorriso no rosto, me disse “marquei uma consulta para você, com um Exu, Seu Caveirinha”. Entramos e fomos sentar nos últimos bancos. Já tinha avistado inúmeras pessoas conhecidas e que eu nunca imaginara que frequentassem um terreiro de Umbanda. Pensei sobre o por que nunca falaram? Acho que tinham vergonha ou sei lá o quê. Iniciou os trabalhos da noite e logo vi o Pai Beco todo de branco e colares. Depois Mãe Lucília e logo em seguida Pai Fernando – que já conhecia do Jockey Club e do futebol da hípica. Fiquei surpreso e mais surpreso ainda quando me falaram que ele era o Pai de Santo. Senti que estava em uma casa séria, até que enfim”, conta.

Pai Jussaro então entrou na casa e nunca mais saiu. São 23 anos, sendo 13 como Pai de Santo.

Entidades que trabalha:

Ogum: Caboclo Tucuruvu; Oxóssi: Caboclo Urubatão da Guia; Xangô: Caboclo Sete Ventanias; Preto Velho: Pai João de Benguela e Pai Gregório; Erê: Rafinha; Exu: S. Sete Encruzilhadas e S. Tranca Ruas da Encruzilhada; Marinheiro: Mestre Coruja; Cigano: Ramirez; Boiadeiro: S. Venâncio e Baiano: S. Zé do Trilho.

Qual a melhor mensagem deixada em sua vida pelo Pai Fernando?

Não tem melhor. E sim centenas, milhares, uma história de vida. Tudo que aprendi foi com ele, não só na Umbanda, mas na vida também. Como homem, ter caráter, respeitar a todos. Ele para mim foi muito além do que meu Pai de Santo. Toda quarta-feira ia para casa dele no final da tarde, depois do meu trabalho, e ficávamos até meia noite conversando sobre tudo: terreiro, giras, entidades, médiuns, trabalho, vida, futebol. Sempre tomando um cafezinho feito especialmente por ele. Isso quando eu não ia até Morretes fazendo companhia. Lá passávamos algumas tardes muito agradáveis na chácara que ele tinha. Um dia ele me disse que para ser um bom dirigente eu teria que ser austero e, ao mesmo tempo, carinhoso, saber escutar os filhos, cuidar de todos sem distinção, ter cuidados com alguns, pois iriam tentar me derrubar. Dizia para não me afligir, que iria passar por decepções com algumas pessoas e que superaria. Na hora de tomar uma decisão para colocar meu coração em um cofre. Que tomasse uma decisão e que nessas horas deveria agir com a razão e nunca com a emoção, doa a quem doer. Completava dizendo que depois iriam me agradecer. E que eu teria que exercitar minha humildade sempre.

Cite uma história marcante com alguma entidade que trabalha:

Seu Sete Encruzilhadas disse “meus filhos, vocês levam dessa vida a vida que vocês levam. Então tenham cuidado com seus atos, palavras, atitudes e pensamentos. Antes de qualquer coisa se coloquem em frente do espelho e reflitam se o que estou pensando do outro não seve para mim, se o que vou dizer ou fazer para outra pessoa e fizessem o mesmo comigo qual seria minha reação. Todos, antes de tomar uma atitude ou falar de alguém, pensem no reflexo que vão carregar”.

Deixe uma mensagem para os filhos da casa:

Todos os filhos têm que ter cumplicidade, fidelidade e obediência aos trabalhos espirituais. Respeitar a casa que frequentam, seus dirigentes, irmãos de corrente e, principalmente, as entidades que lá vão trabalhar. Ser um verdadeiro umbandista levando no coração muito amor, humildade, respeito e discernimento para exercer o compromisso com a religião.

 

Um comentário em “Pai Jussaro de Ogum

  • 16 de agosto de 2018 em 08:11
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    Que lindo!!
    Axé, Pai Jussaro. ????

    Resposta

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