Pai Renato de Oxóssi

O Pai Renato de Oxóssi conheceu a Umbanda através do seu pai, Seu João. “Ele frequentava o terreiro na Faculdade Espirita, e sempre ia buscá-lo pós giras. Comentei com a (Mãe) Denise, na época, e começamos a nos interessar sobre a religião. No começo tínhamos muito medo, não entravamos no terreiro. Aos poucos fui perdendo o medo e hoje estou na casa há 23 anos, sendo três como pai de santo”.

“Lembro da minha primeira gira de branco, senti uma energia e uma emoção que lembro até hoje.  A força, o axé, a energia, foi algo indescritível”.

Como a grande maioria dos médiuns, começou camboneando, o (Pai) Éder, que trabalhava na casa. “Foi um período muito importante e de grande aprendizado, cerca de quatro anos que, por mim, cambonearia por mais tempo. Mas fui “expulso” de cambonear pelo Pai Tonico, que mandou eu incorporar. ‘Coincidentemente’, naquela noite, o Pai Fernando não foi trabalhar (algo raro) e quando incorporei a entidade, como deve ser, foi saudar o dirigente da casa, no caso, a Dona Maria Redonda, que ao cumprimentá-la, chamou um capitão e falou: Tábua, pemba, toco e consulente para ele. E desta maneira, comecei minha trajetória no toco.

Após alguns anos, tive a honra de ser capitão do Pai Fernando e anos depois, cruzado pai de santo pelo Seu Sete Ponteiras do Mar”.

“Sempre fui um médium curioso, olhava os pontos dos dirigentes, perguntava o porquê dos pontos daquela forma ou disposição de flechas, espadas, cruzes, tridentes. Perguntava quando os pontos riscados mudavam. Olhava sempre como Seu Akuan e Seu Sete Ponteiras do Mar incorporava ou se portava, para tentar entender como seria o andamento da gira.

Quando conseguia perceber que a incorporação ou o comportamento do dirigente estava diferente, procurava ficar mais atento ao trabalho. Sempre procurei seguir os passos e as ordens do meu pai e mãe de santo”.

Quais são as entidades que trabalha?
Oxossi: Caboclo Tupi; Ogum: Caboclo Japorã; Xangô Caboclo Sete Cachoeiras; Preto Velho: Pai Benedito e Pai Jeremias; Exu: Seo Marabô; Erê: Julinho; Cigano Ramon; Boiadeiro: Seu Zé Tonho da Ribeira; Marinheiro: Tião e Baiano: Jorge.

Qual a melhor mensagem deixada em sua vida pelo Pai Fernando?
Impossível uma mensagem, depois de todo o legado dele. Tive o privilégio de trabalhar e conviver com ele, vendo todas as curas, limpezas e equilíbrios espirituais, evoluções das pessoas e crescimento do terreiro e da religião.
Ele foi um homem sempre à frente do seu tempo, quebrando barreiras e desmistificando a religião, mostrando que a Umbanda é uma religião linda e limpa.
A grande mensagem dele foi o amor que ele tinha pela religião, mas acima de tudo, o amor que ele se dedicava a religião e as pessoas, fazendo o bem, sem olhar a quem.

Cite uma história marcante com alguma entidade que trabalha.
As histórias de cura, são os trabalhos de mais me orgulha de ser umbandista. Uma pessoa ser curada através da sua fé é indescritível.
Tive a felicidade de presenciar algumas curas.

Deixe uma mensagem para os filhos da casa:
Olha, apesar de ser dirigente, não gosto muito de dar conselhos, mas vamos lá: Nossa casa é uma casa de recuperação, todos que chegam, passam e ficam na casa, estão em constante processo de evolução e ninguém passa por você, por acaso. Por isso, Faça o bem, sem olhar a quem.

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