| |
|
O culto e
a prática da Umbanda dividem-se
em três partes: a física,
a mediúnica e a espiritual.
Física é o terreiro,
mediúnica são os médiuns
e espiritual os espíritos e
toda força invisível
que atua sobre a física e a
mediúnica.
No terreiro é
onde se praticam os trabalhos espirituais.
Como parâmetro vamos descrever
o Terreiro do Pai Maneco, que no fim
vai ser igual a todos, tendo em vista
que os demais podem diferenciar em
número de médiuns, tamanho
ou Orixá mandante, mas são
semelhantes. Dentro da construção
física o espaço do nosso
terreiro é de forma redonda
e é onde se faz as giras e
está localizado o Congá.
No meio do terreiro tem uma estrela
com o ponto do Caboclo Akuan que cobre
um buraco onde foram enterradas as
armas do Orixá Ogum, sendo
a segurança do terreiro e dela
é que vem todo o axé
da casa. Em volta fica a parte destinada
à assistência. Nos fundos
tem o roncó e a Casa dos Exus,
sobre os quais falarei adiante. Quando
se entra no terreiro no espaço
destinado aos trabalhos, é
respeitoso ir na estrela da segurança
e batendo o dedo indicador sobre ele,
leva-lo à testa, na cabeça
e na nuca em respeito a segurança
da esquerda, e cumprimentar mesmo
mentalmente, saudando a Umbanda, o
pai-de-cabeça e sua segurança
da esquerda. É um ato que faz
parte do ritual, simples mas quando
feito com amor não deixa de
ser uma demonstração
de respeito com a Umbanda ou com o
Orixá que se está cumprimentando.
Defronte ao Congá, o procedimento
é o mesmo.
PARTE ESPIRITUAL
A Constituição Brasileira
garante a liberdade do culto das religiões.
Vejam como a liberdade é difícil,
pois uma Constituição
tem que garanti-la, quando deveria
ser o direito de qualquer cidadão
sem a necessidade de estar sob a tutela
de regras inseridas em Leis. Com a
constituição em baixo
do braço, a criação
dos Terreiros de Umbanda fica subordinada
a pequena esfera burocrática
e a vontade de um grupo e uma mãe
ou pai-de-santo. Eles variam nos rituais,
mas um dos princípios já
consagrado na Umbanda é que
os terreiros têm a proteção
de um dos sete Orixás e seus
trabalhos sempre são abertos
com a proteção da linha.
No Terreiro do Pai Maneco, o chefe
espiritual é o Caboclo Akuan,
da linha de Ogum, à qual eu
pertenço. Por isso que os trabalhos
são abertos com a chamada desta
linha, para depois ser chamada outra.
No nosso próprio Terreiro,
outros três dirigentes comandam
outras giras, todos criados em nossa
casa, mas com Orixás diferentes.
A proteção da Quimbanda
fica por conta do Exu Tranca Ruas
das Almas, por ser o meu protetor
na esquerda.
ENGOMA
Engoma é o conjunto de instrumentos
que formam a música do terreiro.
Tradicionalmente a base de toda engoma
são os atabaques. Eles são
considerados sagrados e são
cruzados pelas entidades. Eles têm
nome: Rum, Rumpi e Lê, o maior,
o médio e o pequeno. No início
a Umbanda não usava a música,
só as palmas que mantinham
o ritmo dos pontos cantados. Isso
explica-se porque a Umbanda era proibida
e o som na noite indicava os locais
dos trabalhos que eram feitos escondidos.
Até hoje no Terreiro N.S. da
Piedade, o primeiro do Brasil e criado
pelo sr. Zélio de Moraes, não
existe o hábito dos atabaques.
Eles foram trazidos para a Umbanda
do Candomblé. Eu entendo a
música como um elemento de
ligação da corrente,
uma harmonia vocal e um bem estar
que se transforma em alegria. Por
isso a engoma em nosso terreiro foi
enriquecida, além dos atabaques,
com outros instrumentos como o violão,
o bumbo, o pandeiro, o chocalho, agogô,
flauta, a cabaça e outros,
inclusive um piano que é tocado
em ocasiões especiais. Vamos
introduzir também a cuíca
para que intermediando os pontos tradicionais
da Umbanda, seja cantado o samba ,
a nossa música brasileira dentro
da religião também brasileira.
Acho fundamental a qualidade da engoma
e do bom gosto na escolha das músicas
cantadas, inclusive músicas
populares.
PONTOS CANTADOS
A Umbanda é regida pela música.
Todo seu ritual é por ela comandado,
o que se chama ponto cantado. Quando
a corrente entra no terreiro já
o faz sob o Hino da Umbanda, a defumação,
a abertura dos trabalhos, o chamado
dos espíritos para arriarem
e subirem. Chamamos pontos de chamada
ou linha. Ponto de linha é
quando se faz o chamado dos espíritos
em geral dentro de suas respectivas
linhas. Quando se canta o ponto de
linha, qualquer orixá da linha
chamada pode arriar. Para eles deixarem
o terreiro, canta-se o ponto de subida,
é quando, em um terreiro organizado,
todos devem se despedir sem a necessidade
da hierarquia ordenar verbalmente.
O ponto individual é para chamar
um determinado espírito. Normalmente
é ele quem deixa a letra e
música que funciona como um
mantra. Vou dar um exemplo: o José
vai andando na rua quando alguém
o chama pelo nome. Ele para em atendimento
ao som de seu nome. Mas se ao invés
de José for dito Pedro, ele
continua seu caminho por saber que
o assunto não é com
ele. Com o espírito acontece
o mesmo. A entidade está lá
na Aruanda ou em algum lugar, quando
houve que está sendo cantando
em algum Terreiro o seu ponto individual,
imediatamente ele atende e arria.
O ponto cantado é muito respeitado
pelas entidades e um não incorpora
no ponto do outro. A não ser
que não seja orixá e
sim um obssessor.
TRONQUEIRA
Todo terreiro tem em sua entrada
uma pequena casinha onde está
assentada a segurança do Exu
Tranca Ruas. Chamamos de Tronqueira.
Dentro estão as armas do Exu,
como a segurança do centro
do terreiro, e permanece sempre alimentado
com velas, bebidas, charutos e às
vezes comidas. Sua função
é cuidar da segurança
externa do terreiro, por isso deve-se
cumprimentá-la antes de entrar
no terreiro.
|
|