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Médiuns
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Médium
é aquele que tem a sensibilidade
de sentir e intermediar o mundo espiritual.
Existem vários tipos de mediunidade,
como o de incorporação,
de intuição, vidência
ocular e intuitiva, psicógrafo,
de efeitos físicos e mais uma
porção de divisões.
Como temos por objetivo a Umbanda, vamos
estudar mais aqueles que são
usadas tradicionalmente, que são
os de incorporação e intuição.
Por não sentir nenhuma vibração,
muita gente acha que não tem
mediunidade.
Acontece que muitas vezes a mediunidade
ainda não foi mexida e ela fica
adormecida até que uma energia
qualquer, somada com a vontade e dedicação
do médium, desperte essa sensibilidade.
Existem pequenos sinais que são
típicos de quem é médium.
O primeiro deles é o medo. A
pessoa tem medo porque acredita no mundo
dos fantasmas, o mundo paralelo. Se
ela crê nisso, é porque
pressente a existência deles,
não deixando de ser um sinal
de fé. Aquele que não
tem nenhuma sensibilidade, nada sente
e nada percebe, é o que não
tem medo. Arrepios, palpites e adivinhações,
telepatia e outros dons semelhantes,
são sem dúvida outra indicação
da mediunidade.
A fé e a vontade de conhecer
o sobrenatural é um típico
indicio da mediunidade. Conheci vários
médiuns que faziam parte da corrente
e não sentiam a mínima
vibração, e após
alguns anos tornaram-se excelentes médiuns
de incorporação e consulta.
O interessante que o médium necessita
de uma religião, seja ela qual
for.
Tem pessoas que por comodismo dizem
que acreditam em Deus e isso lhes basta.
No fundo são médiuns,
pessoas medrosas, que não têm
a coragem de negar a existência
do Criador, não por cultura religiosa,
mas por inequívoca demonstração
de recusarem um vinculo com as obrigações
de um compromisso religioso. Os que
mais sentem a manifestação
dos espíritos junto de si, são
os que, mais uma vez pelo medo, correm
em busca das religiões para negarem
a incomoda presença de um espírito
junto de si.
Existem manifestações
dos espíritos em médiuns
latentes tão impressionantes
que se a família tiver preconceito
com o espiritismo, acaba levando-os
aos médicos e até a internação
em hospitais psiquiátricos.
Conheci dois irmãos, com 16 anos
e com 14, que eram dominados por espíritos
tão animalizados que derrubavam
os meninos e os deixavam no chão
como se fossem animais, e entravam em
violenta briga através de mordidas
e arranhões, mas nunca com gestos
humanos. Sua mãe, uma simplória
senhora, guardou um pé de arruda
ao seu alcance para que quando isso
acontecesse, fizesse uma benção
mágica que tinham lhe ensinado.
Feito isso, os dois irmãos avançaram
sobre ela, com as mesmas características
de animais ferozes, arrancaram de sua
mão o pé de arruda e o
pastaram - se assim pode ser explicado,
o que fez com que ambos, pela toxidade
da planta, tivessem que ter no dia seguinte
assistência médica para
curar a dor de barriga.
Esses irmãos, após cuidadoso
desenvolvimento mediúnico em
nosso grupo, foram excepcionais médiuns,
tanto que a moça incorporada
deixava mensagens maravilhosas, toda
ela em forma de poesia. Fiz essa pequena
introdução, para chegarmos,
por partes, até o método
das incorporações.
Vamos iniciar com os médiuns
novos, ávidos da espiritualidade
conhecida através dos trabalhos
de um grupo. Prefiro exemplificar o
médium comum, aquele que não
tem nada lhe incomodando ou prejudicando
que o faça procurar cura no espiritismo.
É o médium que gostou
e se empolgou com a religião
e algo lhe puxa para dentro da corrente,
alguma coisa dentro do seu coração
que lhe induz a acreditar nos espíritos.
O médium entra tímido,
sente-se deslocado e algumas vezes até
envergonhado, achando que todas as pessoas
do terreiro a estão observando.
Começa assim até ficar
mais solto e à vontade, quando
sente a vibração do terreiro
e das linhas espirituais que estão
trabalhando. Como sente arrepios, tonturas
e até mesmo um certo descontrole,
incorpora e sai andando no terreiro
sem saber o que fazer. Aqui quero explicar
às pessoas que os dirigentes,
de qualquer terreiro, estão observando
e cuidando para que o médium
não caia, não se machuque
e muito menos se exceda na incorporação.
É o que chamamos incorporação
na vibração, ou seja,
o espírito está ao seu
lado, mas ainda não incorporou
como devia. Chama-se o médium
de umbanda de ·cavalo·,
acho que para podemos explicar bem como
as coisas acontecem e para frente vamos
explorar bastante essas comparações.
Um cavalo ainda não domado é
separado para a doma.
O domador, antes de montá-lo,
com bastante paciência, ensina-o
a usar o cabresto, o freio e com muita
cautela põe sobre seu lombo a
sela, para que ele sinta um leve peso,
já o acostumando para finalmente
ser montado. É o que acontece
com o médium que incorpora na
vibração. Vale dizer que
o treinamento do cavalo é longo,
levando, às vezes, meses para
que o domador possa montá-lo.
Com os médiuns é a mesma
coisa: demora, por isso tenham paciência,
mas de repente, em qualquer momento,
o espírito incorpora em sua totalidade,
e da mesma forma que o cavalo vai sentir
um peso mais forte, o médium
vai sentir a presença do seu
com certeza maravilhoso orixá,
e faz com que o médium passe
a outra fase de seu desenvolvimento.
O médium na Umbanda é
chamado de cavalo porque o espírito
toma seu mental e também o corpo,
diferente do kardecismo, no qual o espírito
toma só o mental do médium. |
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