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1- A Umbanda foi oficialmente declarada como religião em 1908, mas esse episódio está sendo relegado a plano secundário por várias correntes importantes, que pregam a Umbanda como existente antes desta data. Nós adotamos a data da oficialização do Zélio de Moraes e os seus ensinamentos básicos, embora todas as correntes merecem respeito. O tempo vai corrigir as distorções entre os pregadores através da lei do uso e do costume.

2- O primeiro terreiro de Umbanda fundado oficialmente no Brasil foi a Tenda Espí rita Nossa Senhora da Piedade, hoje ainda em pleno funcionamento sob a responsabilidade da filha do sr. Zélio de Moraes, sra. Zilméia de Moraes.

3- Apesar de sua cultura indígena, o Caboclo Sete Encruzilhadas deixou bem claro que a Umbanda tem a sua base fundada no Evangelho de Jesus Cristo, e a relação com a Igreja Católica pelo nome N.S. da Piedade fincou fortes raízes entre as duas religiões, em concreta discordância do Candomblé, que não usa o sincretismo com os Santos católicos.

4- Fica bem claro que o sincretismo já era forte quando foi criada a Umbanda, uma vez que ela foi criada em 1908, vinte anos depois da Lei Áurea promulgada pela Princesa Isa bel , e o nome da N.S. da Piedade foi reverenciado no primeiro terreiro brasileiro, o do sr. Zélio de Moraes. Esse fato esclarece a razão da Umbanda estar mais ligada com o Catolicismo que com o Kardecismo e Candomblé.

5- Se foi criada a Umbanda como uma religião organizada por espíritos superiores, ela tem um objetivo ainda não bem entendido por nós. Sua função maior é lidar com espíritos que fazem o mal, e devemos considerar de grande importância saber o que eles fazem, como podem fazer e o que precisamos agir para interromper a ação indesejável dessas entidades atrasadas e que não são pertencentes ao quadro dos trabalhadores espirituais da Umbanda.

6- A reencarnação é a mesma base evolutiva do espiritismo tradicional e também de várias outras religiões orientais.

7- Se fazem parte dela os espíritos que quando encarnados tiveram uma atuação positiva ou negativa em nosso País, devemos tentar entender como eles se manifestam dentro da Umbanda.

8- O triângulo espiritual da Umbanda está formado pelos caboclos, pretos-velhos e crianças, mas além deles outros espíritos fazem parte ativa como guias e linhas espirituais.

9- O espiritismo kardecista trabalha apenas com a vibração da energia dos médiuns e do próprio espírito, enquanto a Umbanda, além disso, manipula as forças da Natureza, o que lhe dá maior potencial de solução dos problemas.

10- Pela natureza da religião, dá para entender que as linhas têm especialidades de trabalhos, cada uma trabalhando de uma forma e com característicos próprios com a intenção de resolver problemas de formas diferentes.

11- Alguns autores entendem que a Quimbanda é uma religião que não é a Umbanda, entretanto a Umbanda usa, manda e encaminha para a Quimbanda tipos de trabalhos que estão na especialidade dos Exus e das Pombas-gira.

12- Candomblé não é Umbanda e misturar as duas religiões em uma só descaracteriza as duas religiões, não sendo nem Umbanda e nem Candomblé. Nós devemos seguir a Umbanda sem misturar com o Candomblé. Como não sou conhecedor do Candomblé, quem quiser ver as suas diferenças deve estudá-las em livros especializados, entre os quais recomendo o de Pierre Verger.

13- Os Exus são, pelo que entendemos, espíritos que também tiveram envolvimento com a história do Brasil. São espíritos de grande inteligência e importância, que viveram com essas qualidades na mesma época do descobrimento. Mais adiante, vamos estudá-los com mais profundidade na tentativa de desmistificar as caras demoníacas, chifres e patas de bode que o folclore e o engano popular impuseram a eles, embora eles não desmintam claramente esse erro, talvez para esconderem as verdadeiras identidades, pois pela lei do carma estão à serviço de seus subjugados na época do descobrimento.