Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, domingo, 26 março de 2017

Um bom capitão

Por Rodrigo Fornos

Eu fiquei de escrever algumas palavras sobre o papel de um(a) capitão(ã) de terreiro já faz um tempo e hoje resolvi fazê-lo. Já faz sete anos desde meu cruzamento e muitas foram as orientações dadas para que eu pudesse realizar e atuar com seriedade e à risca as determinações da casa, ou seja, o que deve e o que não deve ser feito no Terreiro do Pai Maneco.

Primeiramente eu digo que o bom senso tem que ser o carro-chefe das ações de um capitão(ã) de terreiro. Isto porque sabemos que a Umbanda vive em desenvolvimento, os pais (mães) de santo podem mudar suas opiniões sobre diversos assuntos, interferindo, portanto, na atuação de um capitão(ã) de terreiro.

Segundo o Pai Fernando de Ogum, a função básica de um capitão(ã) é auxiliar o dirigente da gira nas questões materiais para que ela funcione a contento. Porém, muitas vezes, um capitão(ã) fica atento às questões espirituais do médium, sabendo, é claro, que quem decide qualquer ação junto ao médium é o dirigente da gira. O capitão é um “auxiliar técnico” do pai de santo. Ele leva todas as questões da gira ao dirigente para que este possa orientar qual procedimento tomar.

Diferente do pai (mãe) pequeno(a), o capitão não tem nenhuma responsabilidade espiritual junto aos filhos de corrente.
Dentro da casa de Pai Maneco e do Caboclo Akuan, há algumas observações que devem ser feitas sobre a atuação de um capitão(ã). Há uns três ou quatro anos, creio, houve uma grande reunião da hierarquia com o Pai Fernando, então diretor espiritual do TPM, e a Mãe Lucilia, hoje a nossa dirigente. Naquela reunião uma das orientações que ficou clara foi que capitão(ã) não pode “chamar” espírito em médium de corrente. E deve ajudar caso seja solicitado. Claro que muitas vezes percebemos que o médium quer ajuda, mas tem vergonha de pedir. E outras vezes, ajudamos o médium a compreender como se dá uma incorporação e passamos nossa experiência como médium.

Mas afinal, até onde vai a atuação de um capitão? Até onde o seu dirigente permitir. Na gira da segunda-feira há uma orientação de atuação que é diferente da gira de quinta-feira. Isso é assim. Não significa que o capitão de uma gira está certo e da outra errado. Por isso que existe uma orientação geral.

Hoje temos o curso direcionado aos capitães ministrado pelos pais Jussaro e Léo. Excelente! A partir de agora teremos uma voz única mesmo.
Um capitão(ã) deve, repito, ter um canal aberto de comunicação e confiança com seu pai (mãe) de santo.

O capitão deve ter muita humildade, tranquilidade e bom-senso acima de tudo. Ser capitão(ã) não é ter poder. É ter humildade! Fácil? Não. Mas temos que praticar!

Sim, temos vaidades. Sim, temos egos. Sim, não somos perfeitos.

A grande lição que eu tiro da minha caminhada é: aprender com o erro, porém sem o repetir. Prestar atenção e respeitar a caminhada de cada irmão de corrente é imprescindível para o sucesso da atuação de um capitão. Saber até onde vai seu limite. Até onde vai o limite do seu irmão. Afinal, estamos juntos com um único propósito: praticar o amor.

Se você entende desta forma, tenha certeza: você será um excelente capitão.

A caminhada é longa, o aprendizado eterno!

Um grande axé aos capitães do Terreiro do Pai Maneco!

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