Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 22 agosto de 2017

O Vencedor

O morro estava iluminado e eu estava fascinado achando que a Lua tinha caído no chão. De repente vi, e não sei como e de onde apareceu, um altivo cavaleiro montado em um grandioso cavalo branco, galopando velozmente sobre o morro em direção ao lado do morro em que a Lua estava unida.

Autor: Paulo Braz - 01 dezembro 2010

A primeira lembrança que me vem ocorreu no ano de 1962, quando eu estava com cerca de 5 anos de idade.

Meu pai, funcionário do Banco do Brasil, havia sido transferido em 1958 para a cidade de Cantagalo, encravada entre morros, num pequeno vale, no interior do Estado do Rio de Janeiro. A história do nome da cidade é uma homenagem ao canto de um galo nas matas locais no século XVIII que revelou o esconderijo do fugitivo da Coroa Portuguesa alcunhado de Mão de Luva.

Quando nós viemos para morar, não havia casas disponíveis naquela pequena cidade cuja população não passava de 5 mil habitantes na época. Nesta situação meu pai acabou por alugar um casarão que serviu anteriormente como hotel, bem no centro da cidade.

Na realidade moramos num sobrado muito grande. Embaixo do sobrado havia um bar enorme, uma grande loja de armarinhos e costura e também uma residência menor. Tudo isso de frente para a praça principal da cidade. Nós, além de ocuparmos o piso superior com espaço igual a todo piso inferior, tínhamos o direito exclusivo a um extenso e maravilhoso quintal com uma enorme variedade de árvores frutíferas. Nosso acesso a esse  quintal era através de uma enorme escadaria antecedida por um pátio interno descoberto no piso superior, anexo à nossa sala de jantar.

Eu, como toda criança feliz do interior, aprontava mil e umas mesmo diante da severidade e austeridade do meu pai. Naturalmente eu tinha muita imaginação e sonhos, via muita coisa, mas naquele dia algo diferente aconteceu!

Era de noite e resolvi sair da cama para ficar com meus pais que estavam assistindo televisão em uma das salas daquela enorme casa.  Ao passar pela sala de jantar vi uma enorme luminosidade do lado de fora. Abri a porta de acesso ao pátio interno. Naquela época as portas ficavam quase abertas, encostadas, pois não havia os perigos que hoje existem. Quando chequei no pátio, vi a Lua com um tamanho que jamais havia visto, lindamente dourada como puro ouro e parecia que havia caído na Terra se unindo ao final do morro na minha frente.

O morro estava iluminado e eu estava fascinado achando que a Lua tinha caído no chão. De repente vi, e não sei como e de onde apareceu, um altivo cavaleiro montado em um grandioso cavalo branco, galopando velozmente sobre o morro em direção ao lado do morro em que a Lua estava unida.

Fiquei assustado com aquela cena, pois tudo o que via parecia estar ampliado e comecei a gritar pelos meus pais para que eles pudessem também ver o que eu estava vendo.

Pouco antes dos meus pais chegarem, vi o cavaleiro e seu cavalo darem um extraordinário salto saindo do morro para descerem na Lua! Aí, vi quando ele me sorriu, levantou sua espada prateada que brilhou intensamente e fez com que a Lua começasse a subir.

Comecei a gritar mais pelos meus pais. Quando eles chegaram a Lua já estava subindo, como é natural nos dias de Lua Cheia. Tentaram me acalmar e disseram que o que eu tinha visto era impossível, mas também era uma bonita história e que tinha visto um anjo.

Hoje aos 53 anos fico me perguntando por que São Jorge fez aquilo comigo, afinal sou filho de Xangô. Mas uma coisa eu sei: não foi o Neil Armstrong o primeiro a colocar os pés na Lua, foi São Jorge e 7 anos antes, e ainda levou o seu cavalo junto. Ele é o vencedor.

Categoria: Varios Autores.

Bandeira da Amizade