Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, quinta-feira, 24 agosto de 2017

Centenas...

Pra garantir a vibração desse povo, no meu sonho tinha uma engoma com uns trinta ogãs e sambas, todos afinados, não perderam o ritmo em nenhum momento.

Leonardo Munhoz da Rocha Guimarães

Uma grande e linda roda branca estava lá, feliz da vida, na beira da praia. Muita alegria, fraternidade, fé e espírito de comunhão. Centenas de vozes cantando, centenas de corações vibrando, centenas de pés dançando, deixam marcas na areia, louvando Yemanjá, a Deusa Brasileira. No ano dos cem anos da Umbanda, os filhos de Akuan, que até a próxima passarão de mil, desceram a serra contentes, e voltaram pra casa mais contentes ainda, lembrando no carro uma centena de emoções diferentes.

Antônio, pergunta pra outro...

Oh, Antônio, pergunta pra outro como foi o trabalho porque eu, eu acho que eu tava doidão! Sério mesmo, tive muitas mirações. Vi uma árvore de espelhinhos cintilantes, que se eu contar o que era você não iria acreditar. Ela brilhava muito, tanto no claro quanto no escuro, e fazia a gente sentir uma paz muito grande. Pra mim era a Árvore da Vida, ligando nós ao Universo inteiro. O congá, então, meu amigo, balançava o tempo todo, um balanço suave, como uma grande cauda encantada, furta-cor azul. E o céu? Tinha tantos tons que eu acho que Oxalá veio pessoalmente pintar a cenografia...usando a lua como palheta. À noite, brilharam estrelas... Yemanjá olhava tudo o tempo todo iluminada por uma luz que não dava pra se ver de onde vinha. Os médiuns dançavam, cantavam e giravam sem parar um minuto e não se cansavam nunca.

E tinha gente na minha versão da festa, irmão, que nem te conto. Teve uma hora que a hierarquia fez uma corrente pra corrente passar em direção ao mar, mas tinha tanta gente que não acabava mais, eram centenas, todos felizes e cantando.
Pra garantir a vibração desse povo, no meu sonho tinha uma engoma com uns trinta ogãs e sambas, todos afinados, não perderam o ritmo em nenhum momento. Por falar em vibração... bom, aí é mais difícil ainda de descrever. Xangô foi incrível e Oxósse, vixe Maria, quando subiram os índios davam gritos tão altos que eu senti meu coração quase pular do peito.

Sei lá, meu amigo, na minha versão, pra você ter uma idéia, Sr. Akuan veio de camisa vermelha com estampa de São Jorge Guerreiro. Até ôla e pajelança eu vi, Antônio, então é melhor perguntar pra outro... eu tava vendo coisas domingo. Acho que foi a pressão da serra, sei lá....rs

O que, quer saber mais? Pois, então te conto o final. Sabe o momento da saudação do sr. Tranca Ruas, né? Pois é, dessa vez ele respondeu, rapaz, juro, e bem alto.

Daí começaram fogos de artifício, e todos cantaram como se a festa estivesse só começando, e o Pai Bitty gritou bem forte – Viva o Terreiro do Pai Maneco!!! Fazendo todos ficaram arrepiados de emoção. Depois todos ajudaram a limpar a praia, sem parar de cantar e dançar, ao som de um samba que falava de como a vida é bonita. Num minutinho tava tudo organizado, e foi o tempo de Yansã mandar aquele toró que o pessoal de pouca fé dizia que iria estragar tudo.

Pergunta pra outro, Antônio, eu não sirvo pra contar os trabalhos de praia mesmo... num anterior eu vi Yansã levar a chuva embora bem na hora do hino de Umbanda, e abrir um clarão em cima só de nós...rsrs... tinha até arco-íris duplo...rsrs.
Só não procuro um médico porque gosto muito de ver essas coisas...rsrsrsrs!

Saravá!

Parabéns a todos que trabalharam na produção dessa festa linda. Vocês se superaram. Axé!

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