Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sábado, 27 maio de 2017

Ver para crer?

Sabe o famoso "estilo São Tomé”? Para quem não conhece o santo, ele é conhecido como aquele que tinha que “ver para crer”, tinha a necessidade de clareza, certeza, pés no chão. Quem não se aflige hoje com algumas incertezas? Mas o que é a vida se não um dia após o outro? De que adianta fazer tantos planos e se queixar se não sair da maneira como gostaríamos, pois nada depende apenas de nós mesmos... Enfim, com a umbanda é a mesma coisa não é? Eu, como nosso conhecido São Tomé, também sempre quero ver para crer! Quero certezas, quero segurança! Como uma boa filha de Ogum, ou é ou não é. Pois é, nessa ânsia da certeza tenho uma história bacana para dividir.

A resposta do Seu Tucuaré Petit

Numa tarde de segunda, eu em casa meio nervosa, comecei a chorar e conversar com os espíritos. Pedi pelo Seu Tucuaré Petit, que como cambone dele, ele me escutasse. Falei, falei, argumentei, chorei... até que escutei um barulho. Sozinha em casa, logo falei “é você meu pai?”. E nada mais. Voltei a questionar a presença dele e pedi que naquele momento de aflição ele me desse uma luz e me mostrasse que eu não estava falando com as paredes, pois aquilo me afligia. Enfim, nenhum barulho mais. Fui para o terreiro e começamos a trabalhar. Logo que ele chegou, eu disse a ele que gostaria de conversar e ele sério me respondeu: “Depois”. Esperei. Ele fez consulta com outras pessoas, trabalhou no passe, foi para cura e nada dele vir falar comigo. Passou um tempo e ele veio e pediu uma vela branca. Acendeu e deu na minha mão e disse: “fique de frente para o congá”. E ali eu fiquei. Volta e meia virava para ver o que ele estava fazendo ali sentado, pois eu ainda estava com aquela vela na mão, e ele falava alto: “olhe para o congá!”. Me virava novamente sem entender nada. Pouco tempo depois ele gritou: “está me escutando?!”. Me virei e respondi: “sim”. Passou um tempo e ele se pôs na minha frente e disse: “está me vendo?” e respondi: “sim meu pai”. Foi então que ele disse: “Não. Aqui você está vendo o cavalo, mas não está ME vendo! Assim quando quiser falar comigo, me chame uma vez e fale! Não precisa de provas, não precisa me ver para ter certeza que eu estou te escutando!”. Entendi e agradeci. Ele cuidou de mim, mais uma vez naquela noite, e sou grata por todo ensinamento sempre. Converso com ele ainda, mas não peço mais a garantia de que ele está ao meu lado, pois sempre me dá as respostas que preciso quando nos encontramos no terreiro, sem eu ter que perguntar novamente. E ainda quando sou teimosa e ouso questionar sobre algo que acho que não tive retorno, ele me mostra que a resposta é “não e pronto”. Não há mais dúvidas de que ele me ouve, ajuda e nunca me deixa sem respostas.

Saravá Seu Tucuaré Petit!

Bruna Cabral

Bandeira da Amizade