Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 12 dezembro de 2017

Minha Opinião - Setembro 2009

Já deu para todos verem que tenho meu lado infantil e sonhador. Nada errado para um homem que como muitos outros projetam nas mentiras dos filmes seus momentos que adorariam que fosse ve

Todos conhecem o Peter Pan, o adorável menino velho tipo Dorian Gray. Vivia na terra da mentira com um monte de crianças. Era o líder que cutucava a paciência do pirata de uma só mão e outra de gancho, o cobiçado petisco de um persistente crocodilo. Ele foi interpretado nos filmes americanos por vários artistas, desde o extraordinário Johnny Deep até o chato do Robin Williams.

Eu achava o ponto alto da linda história infantil a simpática e vibrante fadinha que era chamada de Sininho espalhando um pó mágico para todos poderem voar e quem era abençoado com isso ganhava o direito de fazer looping no céu. Coisa legal! Cada vez que assisto um filme do Peter torço e vibro com sua bravura. Se ele tivesse uma perna só ia confundi-lo com o Sacy Pererê, dada sua peraltice e bravura.

Já deu para todos verem que tenho meu lado infantil e sonhador. Nada errado para um homem que como muitos outros projetam nas mentiras dos filmes seus momentos que adorariam que fosse verdade. Sempre que assisto uma nova versão do meninão orelhudo queria estar no lugar dele para sacar o gancho da mão do capitão e em seu lugar por um saca-rolhas. Acho que seria mais útil. Eu gosto de pensar em filmes e seus temas. Eu me imaginava diretor de cinema para mudar toda a versão dos filmes romanos x cristãos. A minha cena seria que viria algum anjo do céu e os leões comeriam os romanos e os cristãos ficariam vivos. Bem, sonho é sonho! Ele é meu e por isso o construo como eu quiser. Nunca deixaria o King Kong cair do alto do edifício. Eu diretor, o macacão ia virar sagüi para viver e morrer no colo da moça por quem ele se apaixonou. E tem mais, a mãe do Bambi não ia morrer porque o caçador ia errar o tiro e acertar o seu pé. Duvido que sobre tudo isso que falei milhares de homens já não tenha pensado igual. Será que todos esses sonhos podem ser levados para a nossa vida comum? Social, profissional e familiar não pode. Eu não poderia freqüentar roda dos adultos, não poderia concorrer a nenhum cargo profissional e minha mulher não se conformaria em ser casada com um menino travesso. Só me sobraria a espiritual, onde vivo só eu e mais ninguém. Volto a ser um competente sonhador. Sou o baita médium chamado Peter, vivo no mundo dos espíritos onde todos podem voar, ninguém fica velho e a única desvantagem é que todos já estão mortos. O meu mundo não tem época. A Sininho seria o meu Anjo da Guarda e o Capitão Gancho o Exu Pirata que é perseguido pelo baixo astral. E dá para viver assim na mentira? Na criação imaginativa? Em um lugar onde não existe ordem, respeito ou incentivo para continuar se vivendo? Claro que não. Volto então à minha real vida espiritual como de pai de santo na Umbanda.

Apesar de gostar da fantasia, não posso admitir que ela seja aplicada na Umbanda. Tiro de mim o pó mágico da Sininho e suave e lentamente desço até sentir os meus pés no chão. A terra me faz vibrar, ela é a nossa Verdade, a que tem todos os elementos mágicos e divinos, ela é a expressão da Natureza, a mãe da Umbanda. Minhas raízes tremem e eu volto a ser aquele irreverente Ogum que não admite a mentira, a farsa, a cobrança material, o Exu agente do mal, o sangue como energia de trabalho, as fantásticas histórias dos espíritos criadas não sei por quem, a mistura das religiões, a prepotência dos dirigentes, a vaidade dos médiuns, a briga em nome da religião, a tentativa destruidora da má palavra, a incompreensão com os novos adeptos, a exigência burra de respeito a quem não deve, o medo da perseguição dos inimigos da Umbanda, os discursos incompetentes de lideres de outras religiões, a exibição das mediunidades, a intolerância, a falta do amor, o medo, a falta do respeito e a disputa de lideranças. Líder não é eleito, indicado ou nomeado. Ele é escolhido e não cabe disputa dessa posição. A filosofia do Terreiro do Pai Maneco é amor, alegria, respeito, caridade e humildade.

Essa é a minha opinião!

Categoria: Pai Fernando .

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