Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, quinta-feira, 14 dezembro de 2017

Minha Opinião - Outubro de 2007

A Umbanda deve afastar o jugo que outras religiões exercem sobre ela, como o Candomblé, o espiritismo Kardecista, o esoterismo e a Igreja Católica...

Acho que a Umbanda vai indo bem. A divulgação da religião nos jornais, rádios e televisões, os francos debates dos adeptos da religião através da internet, o respeito que todos os dirigentes têm mostrado uns pelos outros, a aproximação do 1o. Centenário da oficialização da Umbanda pelo médium Zélio de Morais, a fundação da Faculdade do Rivas, o Conub pregando a diversidade através de seus encontros, o surgimento das escolas do Saraceni, o reaparecimento em alto estilo do Buby, encantando o mundo umbandista com uma belíssima canção, trazem um astral propicio para o entrelaçamento das opiniões e a unificação do propósito da Umbanda ser definitivamente reconhecida como a única religião brasileira.

Diante de tudo fico animado em também querer participar deste momento de ebulição, dando a minha opinião em alguns assuntos que devem merecer a atenção daqueles que estão mais atentos ao movimento. Vou fazer isso mensalmente nesse espaço que hoje inicio, entusiasmado com os animadores motivos que estão movendo a alavanca dessa maravilhosa religião, esmiuçando assuntos polêmicos mas que devem ser analisados com mais coragem.
Não estou alheio ao movimento da respeitabilidade à diversificação do ritual, aceitando as várias formas que cada dirigente tem de pregar a Umbanda. Isso está mais do que claro. Felizmente não existem regras que possam padronizar a pratica umbandista, mas algumas situações devem ser estudadas.

A Umbanda deve afastar o jugo que outras religiões exercem sobre ela, como o Candomblé, o espiritismo Kardecista, o esoterismo e a Igreja Católica.

O Candomblé e a Umbanda têm rituais diferenciados. Basta analisar a quantidade de Orixás cósmicos por ele cultuados, ultrapassando bastante os sete Orixás da Umbanda. A força do Candomblé é inegável. Artistas, grandes homens de reconhecida cultura, e uma gama da elite fazem dele a sua religião. A Umbanda também tem esse tipo de adeptos. Mas são duas religiões diferentes, tanto que a participação do índio brasileiro só existe na Umbanda. Isso deve – ou deveria, ficar bem claro. O Candomblé tem origem africana e a Umbanda nasceu no Brasil e pertence somente a nós brasileiros.

O francês Hyppolite Léon Denizard Rivail, conhecido como Allan Kardec, codificou o espiritismo, isso pelos idos de 1850, e até hoje permanece inalterado e ainda preso a esses ensinamentos da época da edição do famoso Livro dos Espíritos. O espiritismo kardecista trata essas revelações como verdade absoluta e não reconhece a Umbanda como religião evoluída. Usa a energia da vibração como sua principal arma. A Umbanda ao contrário, além da energia, cria campos de força para seus trabalhos. Por vinte e cinco anos trabalhei nessa linha. Mas espiritismo tradicional é uma coisa e a Umbanda é outra, muito embora os umbandistas deveriam estar mais próximos dos espíritos comuns, os que estão sempre ao nosso lado. Os nossos pais, mães, tios e tias, amigos e também os inimigos vivem em um mundo paralelo ao nosso. Deveríamos ter como objetivo desvendar essa linha que divide os dois mundos, o que pode ser feito, ao menos por enquanto, apurando a sensibilidade da intuição.

Ainda existe uma Umbanda que se intitula esotérica ou Umbanda Branca. Isso pode dar uma falsa impressão que ela era praticada nas escolas dos antigos filósofos e que hoje é privilégio de poucos iniciados. A chamada Umbanda Branca insinua que existe a Umbanda Preta. Acho que a Umbanda é uma só, a Umbanda brasileira, sem cor ou elites.

O catolicismo condena a pratica da Umbanda, a reencarnação que é o principio evolutivo do espírito dentro da filosofia da Umbanda e ameaçam com o inferno para quem é espírita. A maioria dos adeptos da Umbanda se dizem ainda católicos, levados pela força do sincretismo da Umbanda. Isso deve ficar claro que foi um ardil dos pretos africanos que driblaram seus algozes tapeando um falso culto. As duas religiões nada têm de comum e o sincretismo fica por conta da esperteza africana.

Acho que esses fatos devem ser bem examinados para que tudo fique bem esclarecido.

Essa é a minha opinião!

Categoria: Pai Fernando .

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