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Minha Opinião – Outubro 2008

Muito da magia, como diz o Pai Maneco, é o desconhecimento…

Tudo e todos, sem exceção, têm sempre um lado vulnerável. O Aquiles tinha o calcanhar e a Umbanda as incorporações que a tornam incompreendida. Quando as pessoas conversam com a mesma entidade incorporada em médiuns diferentes, percebem que o seu comportamento não é o mesmo. Isso as confunde. Como pode um exu incorporado às vezes ser calmo, educado e aparentemente tranqüilo, e essa mesma entidade em outra incorporação ficar violento e grosseiro? A lógica insinua que não seja a mesma entidade. Até pode ser que não, mas por outro lado pode perfeitamente ser a mesma fonte inspiradora da comunicação.

Infelizmente a pacifica adoção da existência da magia na Umbanda faz os crentes não questionarem nada e os não crentes ficarem mais descrentes ainda. Acho que essas coisas precisam ser enfrentadas, discutidas, polemizadas e, acima de tudo, resolvidas. Claro que a solução definitiva será reconhecida só depois de muito debate e ainda ao longo do tempo. Só não podemos é fechar os olhos supondo que em tudo existe a magia. Muito da magia, como diz o Pai Maneco, é o desconhecimento.

Independentemente da questão do médium ser inconsciente ou não, quando o espírito incorpora fica criada uma nova energia, aquela que é a mistura dele e a do espírito. A proporção da dominância do mental durante a incorporação não é meio a meio, mas vamos adotar essa média para podermos chegar a um consenso. Vamos deixar à margem os médiuns mais experientes, aqueles que aprenderam a deixar o mental da entidade dominar a sua própria inteligência.

Imaginemos uma entidade meiga incorporada em uma pessoa agressiva. Qual será o resultado da mistura? Provavelmente a entidade terá momentos de doçura e outros de hesitações entre a meiguice e a violência. A mesma entidade incorporada em um médium também calmo. Com certeza a entidade terá comportamento dentro de uma linha amiga e carinhosa. Um espírito culto ocupa o corpo de um médium sem recursos culturais. Alguns momentos essa terceira força poderá ditar maravilhosas mensagens, mas talvez mesclada com ausências de um conhecimento mais profundo do assunto que estiver comentando. Por que a entidade escolhe charutos e bebidas de boa qualidade se é sabido que o espírito não faz essas exigências? Claro que isso é uma escolha do encarnado intermediário para satisfazer se proprio gosto. O espírito de um médico terá muito mais facilidade em receitar e curar se estiver incorporado em um médium também médico. Reparem como um médium não consegue falar o idioma original da entidade incorporada, a não ser que ele a conheça. Sobre isso uma entidade respondendo a consulta de um francês, o fez no idioma do consulente. Claro, o médium da entidade falava francês. Uma entidade em sessão kardecista disse que não ia à Umbanda porque não sabia se seria bem recebida. Sem nenhuma duvida o médium é quem tem preconceito com a Umbanda.

Não podemos deixar de dizer que existem médiuns diferenciados que conseguem se entregar totalmente à entidade facilitando que ela domine por completo o seu mental. Como disse acima estou falando da média e distribuindo em partes iguais a influencia na energia criada com a junção dos dois espíritos.

Chico Xavier, para mim o melhor médium de nossa época, conseguia escrever duas mensagens ao mesmo tempo, uma com a mão esquerda e outra com a direita, o que era considerado um fenômeno impar uma vez que o mental de uma pessoa não pode pensar duas coisas ao mesmo tempo. No caso eram dois espíritos incorporados e o extraordinário médium conseguia separar as duas comunicações simultâneas. Confesso que estou dando uma explicação só por dar, porque eu não tenho a mínima idéia de como isso acontecia. Entender o fenômeno Chico Xavier foge da minha competência.

Todas essas confusões e mal-entendidos não existiriam se fosse aceito o fato que em uma incorporação espiritual as mentes da entidade e do médium se misturam e criam outra força que se modifica se a mesma entidade incorporar em outros médiuns. Evidentemente que a essência espiritual da entidade não desaparece e isso que qualifica a Umbanda como uma religião inteiramente diversificada, pois uma mesma entidade pode ter várias formas de comportamento, dependendo das qualidades e defeitos do médium que a incorpora.

Se os médiuns fossem treinados para não interferirem nas incorporações e soubessem que a sua participação na criação dessa parceria é perfeitamente normal, traria a todos a explicação das modificações do comportamento variado das entidades.

Essa é a minha opinião!

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