Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 28 julho de 2017

Minha Opinião - Março 2008

Seguindo essa linha, além de não cometermos o pecado do julgamento errado, vamos entender que todos somos irmãos.

Muitas vezes a repetição de perguntas provoca a necessidade de se buscar as razões das dúvidas levantadas. Apesar de elas serem muitas, vou simplificar a questão com suas perguntas:

Em um terreiro, um Exu trabalha com dois médiuns, o que é perfeitamente normal. Acontece que um deles tem um palavreado chulo e um comportamento contrário a ética. O outro, ao contrário, como incorpora em um médium de excelente formação cultural e idoneidade ilibada, tem um comportamento refinado e gentil. Foi gerada a grande dúvida: é a mesma entidade? Como então pode ser tão diferente nas comunicações?

Outra situação refere-se ao Exu Tranca Ruas. No terreiro questionado, age de forma violenta, abusiva, usa o sangue como elemento de trabalho e não recrimina seu ganancioso médium que se aproveita financeiramente das consultas que faz. Eu trabalho com o Exu Tranca Ruas das Almas, e tanto ele como todos os outros Exus que participam nas várias giras no nosso terreiro condenam o uso do sangue como elemento de trabalho e proíbem a cobrança pelos serviços prestados por seus médiuns. Agora eu pergunto: como pode a mesma entidade usar o sangue em seus trabalhos, ser grosseiro e permitir que seus cavalos sejam devassos, bêbados e cobrem fortunas pelos serviços prestados? Como isso pode acontecer se é a mesma entidade?

Não é novidade a explicação que insistentemente temos divulgado sobre a criação da terceira energia, aquela criada pela junção dos espíritos do médium e do espírito comunicante, com o exemplo da mistura do café e do leite que cria uma terceira bebida. Só não tinha ainda, por julgar então desnecessário, falado que a qualidade dessa mistura depende da pureza do leite. Se ele estiver azedo ou talhado, a bebida fica ruim e com má qualidade. Imaginemos que o café é o espírito e o leite o médium. Se o médium não for preparado culturalmente, não tiver uma índole de boa formação e com propósitos elevados, a terceira energia, embora o espírito seja de boa qualidade, as impurezas do médium, tal e qual o leite estragado, provocam distorções de grande monta nesta energia.

Não vou considerar a possibilidade de serem entidades obsessoras se fazendo passar por Exus dirigentes, porque o excesso de casos nos vários terreiros da Umbanda inviabiliza essa hipótese. Vou me aprofundar na busca de uma explicação sensata e plausível. Um pai é pai e ele enxerga e cuida de todos os seus filhos com a mesma dedicação, independente de seu gênio e desvios típicos dos homens fracos. Não poderemos jamais esquecer, usando o nome do Exu Tranca Ruas, que ele é o pai de todos os seus médiuns. O seu amor e proteção têm a mesma força em todos que são seus filhos. Se ele age de forma diferenciada é porque todos nós precisamos aprender com seus ensinamentos. O nosso aprendizado varia de acordo com nosso conhecimento. E assim os espíritos vão ensinando seus filhos!

Seguindo essa linha, além de não cometermos o pecado do julgamento errado, vamos entender que todos somos irmãos.

Essa é a minha opinião!

Categoria: Pai Fernando .

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