Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 25 julho de 2017

ENTREVISTA COM ATANAGILDO – PERGUNTA 4

Pergunta 4: É importante para os trabalhos um número certo de médiuns ou a constante alteração, com número ilimitado e incerto pode ser prejudicial para as boas vibrações dificultando assim o contato com boas entidades?

Atanagildo: O que fortalece o trabalho mediúnico é a afinidade entre os seus componentes, a par de sua conduta moral superior e os objetivos filantrópicos. A afinidade só é possível pela frequência constante de todos com o mesmo objetivo. Trabalho mediúnico é produto de equipe, de conjunto, por cujo motivo, os médiuns faltosos ou negligentes devem manter-se na segunda linha. Para servir é necessário disciplinar-se, ou então melhor que se faça a ausência. As pessoas que desejam desenvolver-se mediunicamente deveriam primeiramente sofrer uma espécie de triagem, isto é, ficarem alguns trabalhos de quarentena, adaptando-se, afinizando-se e comprovando a sua assiduidade, pois há que se fazer jus ao que se busca. Não é a quantidade de médiuns que proporciona o êxito espiritual, mas a sua qualidade. Assim como uma equipe esportiva varia e decresce em sua qualidade ante a frequente troca de elementos, também na mesa mediúnica a inconstância de médiuns decreta o enfraquecimento do conjunto. É certo que as boas vibrações e os bons contatos com espíritos superiores não depende apenas da equipe mediúnica, mas da intenção, do objetivo e da moral dos seus componentes. É preciso distinguir sempre o fenômeno que deslumbra do sentimento que consagra.

Pai Caco: Atanagildo nesta resposta deixa bastante claro que a disciplina é fator fundamental para o desenvolvimento mediúnico. Não se desenvolve mediunidade indo ao terreiro uma semana e faltando duas. Não se cria desta forma afinidade entre o médium faltoso e o grupo nem tampouco afinidade com as entidades. Espíritos superiores como caboclos ou pretos-velhos não vão perder seu tempo com médiuns negligentes e desinteressados. Uma vez que as entidades são assíduas, pelo menos nunca ouvi dizer que uma entidade faltou a um trabalho, assim também devem ser os médiuns. Fico imaginando qual deve ser o sentimento do espírito quando seu cavalo deixa de ir a ao terreiro. Lembre que aquele que falta à gira está atrapalhando também o desenvolvimento da entidade que dedica algumas horas do seu tempo para servir no terreiro.

A assiduidade cria grande afinidade entre todos os envolvidos no processo mediúnico e amplia a força coletiva produzindo resultados mais significativos para médiuns, espíritos, consulentes e cambones. Não esqueça: um mais um é sempre mais que dois.

Sobre a triagem ou quarentena citada por Atanagildo, perceba que ela já é praticada no Pai Maneco quando exige-se que o candidato a médium frequente sete giras na assistência demonstrando assim seu real interesse em participar do grupo. Quem quer realmente integrar-se ao coletivo sujeita-se com facilidade a este período de quarentena.

Categoria: Pai Caco.

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