Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, domingo, 23 julho de 2017

A Umbanda é um fenômeno extraordinário, sem dúvida que é.

por Léo Guimarães

A Umbanda é um fenômeno extraordinário, sem dúvida que é. Não me canso de constatar isso a cada gira, a cada chamada de linha, a cada trabalho, a cada palavra do Preto Velho ou a cada corimba de Caboclo. Por sua natureza mágica e divina, nossa religião é e sempre será extraordinária e deslumbrante. Difícil alguém pisar num bom Terreiro e não se admirar com os sons vivos, a vibração multicor ou com a enorme sabedoria que os Orixás emanam a todos através da nossa Umbanda. Eu a chamo de religião da liberdade, pois é dotada do poder de transformar a mais dura das almas, esteja essa encarnada ou desencarnada, e é uma clara generosidade de Deus para nós, filhos mestiços de um país abençoado pela ancestralidade tupi e pela sagrada diáspora africana, tanto no céu quanto na terra.

Quem decide vestir o branco e viver a aventura sobrenatural de ser umbandista tende a ficar mais encantado ainda ao se descobrir parte ativa dessa maravilha incomum. Podemos nos sentir como heróis vivendo entre dois mundos, ou como almas escolhidas em meio a um oceano de gente comum. E é bem por isso que a Umbanda praticada no Terreiro Pai Maneco, fundada e fundamentada pelo maior pai de santo que poderíamos querer, foi batizada por ele mesmo de Umbanda Pés no Chão! Não quero desencantar ninguém, pelo contrário, mas a Umbanda não se destina a conferir qualquer poder espiritual a seus filhos. Destina-se, sim, e já é muito, a fazer de nós pessoas um pouco mais conscientes, mais fraternas com o mundo e menos propícias ao próprio egoísmo. Nós médiuns somos soldados rasos da Umbanda e até que a morte nos separe dessa terra de expiações sempre seremos. Depois só Deus sabe, mas por ora não passamos de crianças pequenas. Imperfeitos e temerários por natureza, devemos estar com os pés bem plantados no chão, sempre, pois nossa redenção não está no mundo invisível, mas na terra de que hoje somos feitos.

Há uma música de Gilberto Gil que diz mais ou menos assim: Se teus campos ainda são duros demais, amarra teu arado a uma estrela e tu serás um lavrador, tanto mais longe da terra tanto mais longe de Deus.
Saravá a todos.
 

Categoria: Espaço do Médium.

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