Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 28 julho de 2017

Terreiro do Pai Maneco e eu

No início de 2006 entrei no Terreiro do Pai Maneco.

Há três anos perambulava por Curitiba, sem rumo, sem norte, apenas indo para onde o vento me levava. Quase que literalmente era assim mesmo!

Nasci em uma família kardecista e umbandista. Assim que, eu entendia que perambulava mesmo.

Um homem que lia a sorte, na livraria Pirâmide, me disse: você precisa trabalhar. Puxa! Isso não é novidade para quem se sabe médium. Mas, trabalhar onde? Ele argumentou: só posso te indicar o Terreiro do Pai Maneco, fica na Faculdade Espírita.

Naquela época não tinha noção de distâncias em Curitiba. E também dava aulas à noite, como iria?

Enfim, consegui ir nas férias de julho. Mas infelizmente (ou felizmente) não era mais na Faculdade Espírita. Mas, lá, fui encaminhada a uma senhora que era médium do Terreiro, hoje Mãe Eli de Xangô, que me deu prontamente orientações.

Consegui chegar ao Santa Cândida, coincidentemente, sempre às quartas-feiras.

Era tocante ver como aquela Mãe de Santo conduzia seu trabalho. Havia organização e muito afeto, ao mesmo tempo.

Como assistente, achava aquilo tudo simplesmente divino. Em relação a Engoma ainda era mais emocionante. Eu sabia da importância do canto para a chegada e permanência dos espíritos. Claro que eles chegam e ficam quando querem, mas podemos facilitar esse processo!

Fui, então, atendida pelo Seu Sete Flechas. Novamente, escutei o que toda vida me disseram: você precisa trabalhar! Mas, meu Pai, tudo é tão complicado, esta cidade é tão grande, tenho filha pequena (na época a Júlia tinha 7 ou 8 anos), vivemos sozinhas nós duas, trabalho à noite, e é muito longe, com quem viria? E, Ele, com sua enorme sabedoria, disse: tenha paciência, filha, você vai achar um jeito.

No verão daquele mesmo ano, ao sair de casa com minha filha, atravessei a rua e vi um vizinho conversando com uma mulher, sentados na calçada. O cumprimentei. Quando olhei aquela mulher percebi que a conhecia, mas não lembrava de onde. Perguntei: por acaso és professora (claro, eu só conhecia professores naquela época!). E ela disse, depende... Conversa vai, conversa vem, descobrimos: era a Mãe Jô, do Terreiro do Pai Maneco.

Convivi com a amiga Jô durante dois anos, para, somente depois, tornar-me sua filha de santo.

Seu Sete Flechas tinha dito que eu encontraria um jeito de frequentar o Terreiro. Só faltou me dizer o número da casa, pois era em frente à minha. Por seis anos fiz o trajeto casa/Terreiro com a Mãe Jô, e tive o privilégio de aprender a Umbanda Pés no Chão, disseminada, com muita honradez, pelo Pai Fernando de Ogum.

Kátia de Iemanjá, filha de santo da Mãe Jô de Oxum

Curitiba, 27 de setembro de 2014.

Categoria: Espaço do Médium.

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