Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 18 agosto de 2017

Relato do Caboclo da Lua e do Sol Sobre sua História

RELATO DO CABOCLO DA LUA E DO SOL SOBRE SUA HISTÓRIA.

“Vim de um lugar onde a água corre e não tem grandes árvores. Era um campo com rio e pequenas montanhas. Nossa Tribo era isolada e uma das últimas a ter contato com homem branco. Sou da mesma tribo do Caboclo da Cachoeira, trabalho na mesma falange. Nossa tribo ficava na região, que atualmente é a área do Mato Grosso do Sul. Sou Caboclo que vive em Montanha Pequena.
É importante que saibam que Caboclo fuma porque para o índio, o fumo é um remédio, é estimulante e é puro. O caboclo põe no fumo muitas ervas e usa o fumo por alegria. Antigamente, na roda de fumo se conversava, planejava defesas, falava da família e das decisões necessárias para a tribo sobreviver e sustentar todos.
O fumo não faz mal. O que faz mal é o excesso. Qualquer excesso é ruim, inclusive o excesso de alegria e o excesso de tristeza.
A vida na tribo era sofrida, tínhamos poucos recursos para alimentação, higiene e moradia, mas a vida era vivida com alegria.
As índias começavam a ter filhos a partir dos 15 anos e quando tinham 30 anos, não queriam saber mais de filhos. As crianças por sua vez, sofriam pela falta dos recursos e aconteciam muitas mortes nos primeiros anos de vida. O índio vivia até seus 40 anos e morria quando era para estar mais forte e mais preparado para a vida.

É difícil Xangô da Montanha vir ao Terreiro, porque ele fica isolado para aprimorar seus conhecimentos, para poder aconselhar os outros que solicitam. Xangô sabe sentir a felicidade. Não pula como Oxóssi, mas sabe valorizar o que tem e respeita isso.
Todos os Orixás são puros, são perfeitos. Quem não tem a perfeição são os filhos dos Orixás, pois carregam consigo seus defeitos. Desenvolver a espiritualidade é poder conhecer as energias de todos os Orixás e sua aplicação. Praticar a espiritualidade é conhecer tudo isso e sentir no coração as energias de forma pura. A espiritualidade é conhecer as energias, senti-las e o mais importante: praticá-las! Conhecer, sentir e praticar a qualidade de todos os Orixás, pois não basta conhecer e não sentir, não basta sentir e não praticar.
Durante esse trabalho lindo, em cima de cada árvore aqui, tem um Caboclo, um índio com muita vontade de participar do que está sendo feito aqui hoje. Vocês estão sendo assistidos e orientados”.

Relato do Caboclo da Lua e do Sol, Caboclo de Xangô, incorporado no Pai Pequeno Caco durante o Trabalho de mata.
Roberta Abrão
Gira de segunda-feira
18/05/2015
 

Categoria: Espaço do Médium.

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