Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 28 março de 2017

"Acreditar" seria o mesmo que "ter fé"?

por Jurema Ribeiro

Sou filha de Oxóssi, e como tal não escapo das brincadeiras de meus irmãos de corrente sobre as ditas características dos filhos desse Orixá que com certeza nem preciso citar aqui , e sinceramente algumas me caem como uma luva.

Mas, brincadeira à parte, certa vez li um texto sobre filho de Oxóssi que dizia:

Acredita e é fiel seguidor da religião que escolheu".

Confesso que isso me imputou uma certa responsabilidade e a palavra "acredita" ficou martelando na minha cabeça. "Acreditar" seria o mesmo que "ter fé"?

A fé, afinal, vai muito além de ver o invisível, de acreditar no improvável. Ela abrange questões como tempo de esperar, de saber aceitar, de não receber aquilo que se está pedindo. Ter fé é sobretudo aprender que às vezes o Astral não responde da forma que queremos.

Enfim, abordei esse assunto para contar uma pequenina história mas de grande significado para mim com Caboclo Rompe Mato.
Estava numa fase horrível da minha vida, tudo dando errado, numa tristeza sem fim. Me lembro que num domingo ao me deitar comecei a me lamentar com Deus, com os Guias, com os Orixás... um drama. Chorei muito, fiz muitas cobranças do tipo: Por que meus problemas não se resolvem? Onde estão vocês que não me ouvem? Estou sempre no Terreiro e vocês parecem que nem me notam...queria uma palavra de consolo, de carinho...um abraço já servia...

Na segunda feira pensei em não ir para a gira, mas fui...na pilha...
Estava eu na corrente pensando nos meus problemas como se fossem os únicos e mais importantes do universo quando vi seu Rompe Mato incorporado na Cris Mendes vindo em minha direção oferecendo sua bebida e dando uma palavra a cada médium da corrente. Fiquei esperando a minha vez toda feliz pensando que minhas súplicas finalmente tinham sido ouvidas . Mas quando chegou em mim ele me pulou, simplesmente me ignorou e seguiu em frente.

Confesso que meus olhos começaram a encher de lágrimas e eu ali disfarçando para ninguém notar minha imensa decepção, me achando a mais invisível das criaturas.  Seu Rompe Mato seguiu em frente até o último médium da corrente depois parou e ficou me olhando, veio na minha direção, me ofereceu o coité e depois me abraçou muito forte, chegando a me levantar do chão e olha que a Cris é bem menor que eu.
Foi um abraço bem longo e apertado. Então ele me olhou e disse:

Era isso que você queria filha? Era Isso?
É claro que nós ouvimos você. Estamos cuidando de você!!!

Há, embora sutil, uma diferença entre acreditar e ter fé e embora a minha tenha balançado não houve cobranças...apenas uma grande lição.
E é por isso que eu amo a Umbanda e seus Espíritos maravilhosos.

Saravá!

Categoria: Espaço do Médium.