Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sábado, 20 janeiro de 2018

As Abolições que podem ser feitas no Brasil

As Abolições que podem ser feitas no Brasil
por Claudio Henrique de Castro

O Brasil e os negros comemoram hoje, 13 de maio, os 127 anos da Abolição da Escravatura.
À época, não aconteceu a reforma agrária que, naquele momento histórico, faria a plena inserção dos negros na vida econômica do país.
Na década de 40 do século passado tivemos a ideologia do branqueamento, exacerbada por Getúlio Vargas e seu flerte com o nazismo e as ideologias racistas europeias – justamente no momento que surgiu a classe média no Brasil.
Atualmente, ainda em sua esmagadora maioria, as telenovelas brasileiras colocam os negros em papéis secundários e serviçais, numa forte construção preconceituosa contra este majoritário segmento racial.
Sem os negros não teríamos as riquezas dos ciclos econômicos, da música popular; da culinária e, acima de tudo, da alegria no rosto dos brasileiros (Darcy Ribeiro).
Diante disso, relacionamos aqui algumas abolições que se podem e devem fazer no Estado brasileiro:
1) A abolição da lentidão dos processos cíveis e criminais que atrasam o julgamento de milhares de causas;
2) A abolição da impunidade nos delitos de trânsito e nos delitos do colarinho branco;
3) A abolição do jeitinho e da malandragem, com uma nova realidade ética e moral;
4) A abolição da corrupção escancarada no financiamento das campanhas eleitorais e das relações do toma-lá-dá-cá entre o poder Executivo e o Legislativo em votações importantes;
5) A abolição da fome, dos surtos epidêmicos (Dengue e outras); do déficit habitacional e da não universalização do ensino em todos os níveis;
6) E, para finalizar – e principalmente, a abolição dos preconceitos: contra os negros e pardos; contra as religiões afro-brasileiras; contra os pobres; contra os velhos; contra as mulheres; contra os obesos; contra os diferentes, as pessoas portadoras de necessidades especiais e os mais variados grupos étnicos: ameríndios, bolivianos, haitianos e por aí afora.
No futuro, poderemos comemorar plenamente o dia 13 de maio, consagrador da igualdade, sem distinções de qualquer natureza, como prevê o art. 5º da Constituição Brasileira.
Mas há um longo caminho para ser trilhado.
*Claudio Henrique de Castro é advogado e professor de Direito
 

Categoria: Espaço do Médium.

Bandeira da Amizade