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A Umbanda no Paraná
   
   

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Terreiro São Jorge Guerreiro

- Informações Principais

Nome: Tenda Espírita São Jorge Guerreiro de Umbanda
Endereço: Rua Panamá, 348, Bacacheri.
Fone:(41) 3256 8556.
Perfil Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=9798067162858814130

Atendimento: aos sábados, das 20h às 22h30.
Número de médiuns: 20.

Orixá mandante: Ogum.
Entidades mandantes: Caboclo Urubatã e Caboclo Tupinambá.
Dirigente: Mara Lúcia Cataplan de Souza.

Entidades da mãe de santo: Caboclo Rompe Mato, Caboclo Urubatã, Cabocla Ondina, Cigana Évora, S. Tranca Rua das Almas e Vovó Maria Conga.

Hierarquia: 1 ogan, 1a mãe pequena e 1 pai pequeno.


- História do Terreiro São Jorge Guerreiro

A Tenda Espírita São Jorge Guerreiro de Umbanda foi fundada em 1956. Inicialmente, os trabalhos da Mãe de Santo Lucília dos Santos Cataplan (carinhosamente chamada de Mãe Lúcia de Ogum) eram realizados em um pequeno espaço nos fundos de sua residência. Em 1o de janeiro de 1958 o terreiro foi formalizado, e seus trabalhos passaram a ser realizados em uma construção simples, de madeira e chão batido - onde o ritual se iniciava com o preparo do solo: cinzas eram colocadas em cima do chão umedecido, para que se tornasse duro o suficiente para a realização dos trabalhos.

Naquela época, a perseguição da polícia aos praticantes de Umbanda era muito grande. Segundo a atual dirigente do Terreiro, Mãe Mara de Ogum, os espíritas eram vistos como bruxos, vários terreiros tinham seus trabalhos interrompidos e eram fechados. Os fundadores da Tenda Espírita São Jorge Guerreiro de Umbanda, Mãe Lúcia de Ogum e seu filho de sangue, Pai Andir de Iamanjá, participaram ativamente do processo de liberação da religião no Paraná, fazendo parte do I Congresso de Umbanda em Curitiba, realizado no ginásio do Tarumã, no início dos anos 70. Estiveram também diretamente envolvidos com a fundação da Federação Umbandista do Estado do Paraná (FUEP), em 1968, e na fundação da Federação Paranaense da Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros.

Com o desencarne da Mãe Lúcia de Ogum, seu filho, Pai Andir de Iemanjá, continuou com os trabalhos no terreiro, e há 22 anos as giras foram assumidas por Mãe Mara de Ogum. Atualmente, é ela quem comanda os trabalhos no Terreiro, no mesmo endereço em que foi fundado, seguindo fielmente os ensinamentos deixados por sua avó e seu pai.

     
 
 


- Estrutura da gira


Antes do início do trabalho, os médiuns da casa começam seu ritual acendendo uma vela branca para seu anjo da guarda em um local chamado de pedreira, localizado ao lado do congá.


Os médiuns então pedem a benção à hierarquia e batem sua cabeça ao congá.


Os trabalhos se iniciam com um ponto de abertura, seguido da defumação tanto da corrente quanto da assistência. É saudado o anjo da guarda e depois é cantado um ponto de saudação ao povo de Umbanda, momento no qual a mãe de santo bate a cabeça. As orações realizadas são para São Miguel Arcanjo e outra, de abertura, quando a corrente inteira bate a cabeça. São realizadas, então, saudações para os caboclos de Ogum, ao S. Tranca Ruas das Almas, é cantado um ponto para Oxalá e a corrente novamente bate a cabeça.

Os atabaques iniciam seu trabalho - com a mãe de santo no comando de um deles - saudando o Caboclo Urubatã e o povo do Oriente. No dia da visita, o trabalho foi da linha de ciganos, uma gira diferente, pois não há incorporação na linha de caboclos, de modo que seja exclusivo para o povo cigano. Segundo a dirigente do Terreiro, quando o trabalho é de outras linhas, por exemplo pretos velhos, inicia-se com gira de caboclos, sendo realizados passes e consultas.

A gira de ciganos se inicia com um ponto de abertura específico e logo os médiuns incorporam. As entidades então cumprimentam a mãe de santo, os atabaques, o congá, os médiuns, de forma individual, e assistência. Na ocasião do início das consultas (previamente agendadas), os atabaques são silenciados, coloca-se música ambiente e tem início o processo de passes.

Os passes acontecem em duas cadeiras no centro do terreiro, sendo que a direção da cadeira é definida de acordo com o elemento do signo de quem receberá o passe, seguindo essa orientação: Norte - elemento terra; Sul - fogo; Leste - ar; Oeste - água. Um diferencial do trabalho é que o passe é dado não só por entidades, como também por médiuns desincorporados (inclusive os novos), que, sob orientação da mãe de santo, participam com intuito de desenvolver sua percepção energética.

Em frente ao congá, costuma-se preparar uma pequena mesa com frutas e bebidas para as entidades. Na gira de ciganos, frutas foram oferecidas às entidades e depois a todos os presentes, no final do trabalho.

Ao findar das consultas e passes, as entidades se despedem de todos, é realizada uma prece de encerramento, a corrente bate a cabeça e são cantados o ponto de fechamento da gira e o Hino de Umbanda.

 
 
 
 



- Conceitos da casa:

OBJETIVO – Proporcionar, a cada um, a descoberta de seu próprio caminho, através do desenvolvimento de sua mediunidade, sempre visando praticar o bem e a caridade.

ORIXÁS - Os sete orixás de Umbanda cultuados na casa são Oxalá (representado pela cor branca), Ogum (vermelho), Oxóssi (verde), Xangô (marrom), Iemanjá (azul), Yori (laranja) e Yorimá (amarelo).

LINHAS - A casa trabalha com as linhas de caboclos, pretos velhos, Linha do Mar, Cosme e Damião, ciganos, baianos e exus.

ATABAQUES – Os três atabaques da casa são regidos por Xangô, Oxóssi e Ogum, e no momento há apenas um ogan cruzado. O cruzamento de ogan acontece com uma oferenda, para que ele seja abençoado na energia do instrumento.

FESTAS – São realizadas apenas para celebrar os orixás. Fazem parte do ritual oferendas, comidas e bebidas.

CALENDÁRIO DAS GIRAS – As giras acontecem aos sábados, com início às 20h e término, no máximo, às 22h30. As giras de Exu acontecem quinzenalmente. Não há, na casa, giras fechadas.

PROCEDIMENTO PARA ENTRADA NA CORRENTE – Normalmente as pessoas começam frequentando a assistência e uma vez que demonstrem interesse, são orientadas a comprar uma roupa branca, a guia de anjo da guarda e um prato. A louça será utilizada na firmeza do anjo da guarda, em um ritual de cruzamento do médium; depois o prato fica guardado em uma sala específica do terreiro chamada Pegi.
Para descobrir o orixá dos filhos, não é jogado o Obi, pois a dirigente do terreiro acredita ser um ritual específico do Candomblé. Assim, a descoberta do orixá de cada um se dá pela percepção. "Quando o orixá está firmado no médium, ele se apresenta", explica Mãe Mara.

PREPARAÇÃO – Não existe uma preparação ou preceito específicos para os médiuns em dia de gira, apenas uma orientação para seguir aquilo que está no coração de cada um.

CAMBONES – Todos os médiuns novos são instruídos a cambonear, não havendo vínculo de cambone com um único médium ou entidade, devendo atender a quem tiver necessidade.

GUIAS – A primeira guia de todos os médiuns é a de anjo da guarda, e conforme as entidades vão pedindo suas guias específicas, as mesmas são feitas pelos próprios médiuns e imantadas pela mãe de santo.

VESTIMENTAS – Roupas brancas e saia para as mulheres. Algumas entidades, como ciganos e exus, têm permissão para usar roupas específicas. Os médiuns utilizam faixas de acordo com o seu orixá e um trançado de fitas na cabeça, também na cor do orixá, chamado de Axé.

CONSULTAS – A partir do momento em que a entidade se apresenta e risca seu ponto, ela passa a dar consultas. Não há cobrança financeira.

MATERIAIS – Cada médium proporciona seu próprio material de trabalho, como velas, pemba e tábua.

OFERENDAS – São realizadas em dias dos orixás, ou quando surge a necessidade, e em locais específicos - como, por exemplo: mata e cachoeira. Não se utiliza sangue de forma alguma.

ENSINAMENTOS – Não há cursos ou palestras formais a respeito dos conhecimentos sobre Umbanda. A filosofia da casa e os conhecimentos acerca da religião são passados de pessoa a pessoa, a medida que o desenvolvimento mediúnico acontece e conforme surgem as oportunidades.

ESTRUTURA – Existe uma Tronqueira (Ganga) na entrada do terreiro, uma Cruz das Almas ao lado da porta, e outras firmezas. No Pegi, ficam os pratos, as firmezas dos anjos da guarda de todos os filhos. Elas são alimentadas com velas e água. Neste quarto não é permitida a entrada de médiuns não cruzados.

PLANOS - Mãe Mara afirma que espera que a Tenda Espírita São Jorge Guerreiro de Umbanda prospere por muitos anos e continue praticando a caridade - pretendendo deixar esse legado a seus filhos.

RELIGIÃO – A dirigente da casa acredita que a Umbanda, de modo geral, perdeu muito de seus princípios, pois cada dirigente de terreiro cria o seu próprio ritual, inclusive incorporando elementos próprios do Candomblé - o que em sua visão descaracteriza a Umbanda.

Ficha técnica
Textos e fotos de: Heric Girardello e Eliana Diniz. Edição e revisão: Caroline Lipca.