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JUSTIFICATIVA
O curso que está sendo proposto
busca, além de contribuir para
a redução do preconceito,
aliar o conhecimento teórico
à prática que passam
por temas como a espiritualidade (religiões
de matrizes africanas), a dança,
as línguas e dialetos, o som
dos tambores africanos, entre outras
informações. Tudo isso
terá como base as nações
africanas que vieram para o Brasil:
jêje, nagô e keto que
compõem as nações
iorubás.
A DANÇA
Para entender a dança afro
necessário se faz ter conhecimento.
A Ilha de Gore localizada no Senegal
– limitado ao norte pela Mauritânia,
a leste pelo Mali, ao sul pela Guiné
e Guiné Bissau e a oeste pelo
Oceano Atlântico e pela Gâmbia,
é um dos principais elos entre
a escravidão negra e o Brasil.
Foi lá que os mercadores portugueses
misturaram escravos de várias
nações, envolvendo diferentes
idiomas, costumes, religião,
rivalidade tribal com o objetivo de
dificultar a comunicação
nos navios negreiros e com isso evitar
revoltas.
Mas uma coisa em comum entre os escravos
que era o culto à natureza
e seus protetores (orixás)
evocado por meio de canções,
gestos de exaltação
e de comunicação, não
foi conseguido tirar. Começava
então a primeira manifestação
de dança africana que chegou
ao Brasil.
OS ORIXÁS
Ao longo da história oficial
um conceito equivocado sobre quem
são os orixás tomou
conta do imaginário popular.
Para se entender um pouco sobre esses
seres elementais da natureza, ao contrário
do que sempre se pregou, não
se tratam de criaturas que fazem o
mal, mas uma espécie de “anjo
da guarda” – Ori: cabeça
- Xá: protetor na língua
iorubá - , ou protetores de
cabeça.
A partir desse conceito podemos informar
que cada orixá traduz o que
representa na natureza por meio da
dança. Essa junção
de passos, gestos e expressões
trazidos da África e mesclados
à influência da cultura
portuguesa e indígena adquirida
no Brasil deram origem às várias
manifestações de danças
afro-brasileiras.
A proposta deste Curso é se
manter na origem de tudo isso, ou
seja, nas danças e nos toques
fazendo com que os participantes identifiquem
as dança afro como: lundu,
afoxé, caxambu, jongo, maxixe,
samba-de-roda e a roda-de-samba.
O lundu nasceu nas comunidades habitadas
por pescadores. Era uma roda de sedução
para conquistar a mulher amada.
O afoxé é a expressão
mais festiva do que acontece dentro
dos ilês-axés (terreiros).
O caxambu se trata de uma mistura
do afoxé com o samba. Aproxima-se
do corso carnavalesco.
O jongo é uma roda de dança
que acontece nas comunidades com o
objetivo de acertar diferenças
através de gozação
mútua.
O maxixe é uma espécie
de samba onde o homem dança
sem encostar na mulher, com exceção
das mãos. Foi nessa manifestação
que nasceram as evoluções
da gafieira: uma dança de salão
que deu origem à lambada.
O samba-de-roda se assemelha ao jongo
mas com a característica da
brincadeira, da sacanagem, da gozação
com o intuito de provocar risos.
A roda-de-samba visa apenas a dança.
Tocam-se os tambores e qualquer participante
pode cantar o que quiser. A única
regra é não deixar a
roda vazia.
OS SONS
Para o negro o som dos tambores é
tão importante quanto o ar
que respira. Ainda no ventre da mãe
a criança já se depara
com os toques porque estes imitam
ao som da natureza. É como
se fosse uma preparação
para que o bebê ao nascer já
se sinta familiarizado com o novo
ambiente.
São os toques dos tambores
que evocam a força ancestral
como forma de proteção,
de resgate, de continuidade da vida.
Esta oficina propõe o acesso
a toques, passos e a sua relação
com a dança, como:
- Ilú: a fúria do vento
representada pelo orixá Iansã
- Congo: o som o trovão representado
pelo orixá Xangô
- Ijexá: a suavidade do colo
da mãe representada por Iemanjá
- Ijexá nagô: a sensualidade
representada por Oxum
- Savalu: o som dos metais representado
por Ogum
- Barra-vento: toque de guerreiro
- Avaninha: toque de recolhida
METODOLOGIA
As aulas acontecerão de forma
alternativa aliando a teoria à
prática. Para isso, os participantes
terão acesso a informações
ilustradas a partir de técnicas
africanas de canto, toque e dança,
bem como a confecção
de instrumentos.
As aulas serão gravadas e depois
disponibilizadas a todo.
Investimento:
R$ 60,00 por participante/mês
R$ 45,00 para sócios da FUEP
- Duração: 4 meses
- Dias do núcleo: domingo
- Horário: 13 horas às
18 horas
- Início: 1ª semana de
julho de 2009
A cada 15 dias
Inscrições com Marco
Boeing na ASSEMA
Forma de pagto. A vista ou em ate
4 vezes.
Numero de vagas 40
SOBRE O INSTRUTOR
- Percussionista
- Coreógrafo
- Compositor
- Pesquisador sobre cultura negra
- Membro do Instituto Afro Brasileiro
Belmiro de Miranda
- Educador da Fundação
do Bem Estar do Menor (Fubem) –
1994 a 1996
- Criador do Grupo Erê composto
apenas por meninos de rua em Guarapuava
(94/96)
- Criador do Grupo Afro Utamaduni
em Curitiba (1989-1994) reunindo músicos
e bailarinos com passagens pelo Balé
Folclórico de Salvador, Olodum,
Malê de Balê, Filhos Gandhi.
- Educador da Secretaria Municipal
de Educação –
1996 a 1998
- Projetos em contra-turno escolar
nos Colégios Estaduais Bibiana
Bitencourt, Antonio Tupy Pinheiro,
Professor Amarílio em Guarapuava
- Projetos no contra-turno escolar
na Escola Municipal Professor Enoch
Tavares
- Projeto Comunidade Cultural nos
bairros Xarquinho e Cupertinópolis
- Projeto A África é
Aqui (palestras e oficinas)
- Projeto FERA em 2007
- Projeto FERA em 2008
- Palestras na PUC/Curitiba
- Palestras na Unicentro/Guarapuava
- Palestras na Faculdade Espírita
em Curitiba
- Criador e coordenador da Companhia
de Música e Dança Afro
Kundun Balê (2007)
PROJETOS
- Fazendo a cabeça com o Kundun
Balê – oficina de cabelo
afro
- A África é aqui –
trabalho sobre a história da
África e afro brasileira (lei
federal 10.639) nas
Escolas;
- Um dia com o Kundun Balê:
recepção de comitivas
no quilombo para participar das atividades
Do Kundun (ensaios, grupos de estudos,
espiritualidade, etc)
- Bolongo – O Fogo da Justiça:
analogia com ritual africano de iniciação.
No Kundun se trata de
Inserção à cidadania,
ao conhecimento, à dignidade;
- Palestras
- Oficinas de dança
- Oficina de percussão
- Oficina de instrumentos de percussão
alternativos
- Oficina de instrumentos fixos (atabaques
e tambores)
- Capoterapia: terapia corporal e
mental a partir da capoeira
- Worshops sobre cultura negra
- Membro do grupo de estudos sobre
religiosidade na Secretaria Municipal
de Educação e
Cultura de Guarapuava
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