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  Poesia Reynaldo Jardim
 

Reynaldo Jardim, aos 81 anos, mantém-se ligado à poesia e à imprensa com a mesma vitalidade de décadas passadas. Foi ele o criador e editor do Caderno B do Jornal do Brasil e do jornal-escola O Sol, considerado marco na história da imprensa brasileira. A publicação foi citada na música Alegria, Alegria de Caetano Veloso (O Sol nas bancas de revistas, me enche de alegria e preguiça) e rendeu um documentário de Tetê Moraes e Martha Alencar (Sol: caminhando contra o vento). Autor de uma dezena de livros, Jardim lançou recentemente A Lagartixa Escorregante na Parede de Domingo. Na segunda-feira dia 22/09/2008 Reynaldo esteve no Terreiro Pai Maneco e ficou alucinado com o que viu. Sua excitação foi tanta que na madrugada de terça-feira ele escreveu uma poesia em homenagem a todos os médiuns do terreiro representados pela Mãe Lucilia. Ainda extasiado com a energia presente na gira de segunda-feira e quebrando o protocolo num encontro cultural que ele participou na terça-feira pela manhã Jardim disse: “Ontem eu fui no Terreiro Pai Maneco e fiquei maravilhado. Queiram vocês ou não eu vou a ler esta poesia”.

Para que todos nós possamos compartilhar da felicidade de Reynaldo Jardim apresentamos a seguir o poema declamado por ele mesmo.

 
 
 
Lucília
Luzcília
ouvir
   

 

Luzcília, mãe de
Santo e filho e
filhas lindas,
iluminadas,
iluminantes.

Luzcília, brilho,
estrela lúcida
de água, fogo,
sal e doçura,
beligerante, feita
de paz, trilha e
trilho, levando a
alma pra
muito além
do que sabemos.

Lavando a alma
das impurezas
que a vida faz.

Quanta alegria
nessa folia de
Salvamentos.

Quanta euforia,
fraterno abraço,
terno carinho a
dissolver dor,
aflição dos
pensamentos.

Tanta alegria na
benção, feita de
afago, mel, sal
de um sol que
faz nascer
funda vontade
de mais viver no
vegetal, terra e
regatos, pedras e
lagos do bem querer.

 



Rodopiar tal um
pião que gira
na devoção.

Minha maninha,
tão soberana,
mãe e rainha
não só de santo
mas de pecados
e dos pagãos

De Santo, mãe,
sinto-te filha.
Quisera ser, não
teu padrinho,
nem o teu pai,
mas tua mãe,

A mãe da mãe de
Santo, santa,
anjo da guarda
e redenção.

A sete chamas,
a sete velas,
a sete chaves,
Oxalá te solta
voando leve,
bem aqui dentro
do coração.

REYNALDO JARDIM
Curitiba, 24 de setembro de 2008.