Setembro
2010
A minha juventude sempre
foi pautada pelo trabalho e atividades
relativas a espiritualidade e, eventualmente,
participava do esporte relativo a
criação de cães,
tanto que com vinte anos de idade
fui diretor de um clube cinófilo.
Naquela época meu potencial
e velocidade eram iguais a de um trem
bala e não me incomodava com
a possibilidade de atropelar as pessoas
que se opunham às minhas idéias.
Eu considerava não só
a estrutura do clube, mas toda a sua
organização obsoleta
e que tinha que ser modificada. Propunha
modificações que eu
entendia serem necessárias,
abismando meus pares de diretoria
com as novidades que eu sugeria. Eles
as consideravam absurdas e sem fundamentos.
Percebi que eu precisava de aliados
que me dessem suporte para aprovação
das idéias. Procurei apoio
em dois antigos diretores, ambos de
idade avançada. Eu antecipava
a eles o que ia propor e quando eles
me recomendavam cautela eu desistia
da idéia, mas quando sinalizavam
com a cor verde sem medo eu enfrentava
os acomodados diretores e insistia
na sua aprovação e quando
isso acontecia o sucesso era total.
Eu não só me apaixonei
pela clareza das suas análises,
como descobri que, ao contrário
do que inicialmente eu pretendia,
acabei manipulado pelos dois idosos.
Eu descobri meu envolvimento e concordei
com a situação. Nasceu
uma parceria muito legal: a audácia
de uma juventude inovadora amparada
pela experiência de dois homens
sábios. Acho que por isso fui
um bom diretor.
Interessante recordar os anos passados.
De um jovem irreverente me transformei
em um fanático ouvinte dos
mais velhos. Adorava ouvir as suas
histórias e experiências.
Meus confidentes tinham sempre o dobro
da minha idade. E o trem bala passou
a ser apenas um trem.
Quando me entusiasmei pelo espiritismo
passei a ser sempre um ouvinte das
rodas dos espíritas experientes.
Eu os ouvia e nem no meu íntimo
os contrariava. Absorvia embevecido
todas as suas histórias e minha
cabeça ia acumulando o conteúdo
daquelas experiências incríveis
que relatavam com muita inteligência
e simplicidade. Vivi minha juventude
aprendendo com os acertos e os erros
dos mais velhos.
Hoje sou um homem maduro. Brinco sempre
que na minha idade não gosto
de ir a museus ou asilos com medo
que não me deixem sair. Ficaria
muito triste se o Cid Destefani publicasse
uma foto minha na sua coluna Nostalgia.
Não escondo minha idade e com
isso exploro as filas e gozo dos benefícios
legais que têm os idosos principalmente
nas filas e nos estacionamentos. Sou,
pois, um idoso de carteirinha. Apesar
disso, ainda dentro de mim aquele
trem bala está pronto para
partir em velocidade quando eu encontrar
uma razão que justifique essa
minha ação.
Por ser a Umbanda é uma religião
nova, erra quem diz ela não
deve sofrer modificações.
Quando foi fundada a sua filosofia
e ritual foram feitos para aquela
época, quando os costumes eram
totalmente diferentes, tanto que as
esposas obedeciam aos maridos e os
jovens viviam sob as saias das mães.
Hoje as mulheres estão tomando
conta do mundo e os jovens deviam
voltar a viver sob as saias das mães.
Hoje não tenho pressa de nada.
Vou escrevendo e quem sabe os mais
jovens me escutem e plantem a idéia
de modificar o que tem que ser modificado.
Sei que sou irreverente, mas meus
olhos experientes enxergam coisas
que os outros não vêem.
Não é culpa de ninguém.
É fácil enganar os outros,
tanto que o Juscelino quando disse
que ia construir Brasília para
fugir do perigo da capital ser no
litoral, o povo acreditou na falácia
presidencial. Nunca passou pela idéia
do brasileiro que o mandante seresteiro
queria era alimentar seu orgulho de
ter construído uma cidade,
ônus que até hoje estamos
pagando. Então não dá
para condenar o povo quando acredita
nas mentiras que contam sobre a Umbanda.
Vou selecionar a mentira maior: “o
Exu é um agente controvertido
da Umbanda, que tanto faz o bem como
o mal”. Não posso aceitar
essa assertiva, mesmo porque ninguém
explicou até hoje, ao menos
eu desconheço, o que é
o Exu em sua essência. Se é
um espírito ou um elemental.
Infelizmente o povo, como aceitou
a razão da construção
de Brasilia engole essas teorias antigas
e desajustadas à inteligência
moderna. Claro que respeito a diversidade
da religião e por assim todas
as teses, histórias, lendas
e afirmações. Mas respeitar,
não significa concordar. Todo
Exu ou Pomba Gira teve uma ou mais
encarnações na vibração
de nosso planeta. E como isso é
verdade, na minha ótica, eles
formam uma linha que tem compromisso
com nossa história desde o
descobrimento de nosso Brasil. Tiveram
nomes, identidades e hoje se escondem
atrás de figuras folclóricas
para resgatar seus deslizes cometidos.
E eles sabem que quando fazem o bem
pagam uma conta, mas se fizerem o
mal, seu carma cresce. E eles são
bons e inteligentes.
Essa é a Minha Opinião!
Agosto
2010
Às vezes fico
imaginando quantas vidas teremos que
passar para vermos as coisas acontecerem
e se modificarem. Temas modernos já
se falavam no passado. Li um texto
no jornal Gazeta do Povo do dia 31
do mês passado sobre a visão
do jornalista Laurentino Gomes e autor
do livro 1808. Ainda não o
li, mas vou fazer isso. O comentário
me cativou. A Republica estava na
mira do povo descontente. “O
estadista José Bonifacio de
Andrade e Silva-durante o processo
da independência – defende
um Brasil que deveria abolir a escravidão,
dar educação a todos,
fazer a reforma agrária e defender
a capital para o Centro-Oeste.”
Isso é interessante porque
ao menos dá para se entender
onde o Juscelino foi buscar a idéia
de Brasília. Voltando à
Gazeta do Povo ele é um jornal
tão avançado que as
edições dos domingos
são vendidas nos sábados.
Fico abismado com a capacidade dos
jornalistas prepararem uma matéria
um dia antes. Bem, voltando ao foco,
o historiador disse: “Depois
aparece a figura do diplomata Joaquim
Nabuco que vem falar ainda da tolerância
religiosa e da abolição
com a integração dos
escravos na sociedade”.
Isso aconteceu por volta de 1894.
E eu que achava que o Lula é
que tinha inventado a reforma agrária.
E ainda fico pensando como demora
essa coisa de preconceito religioso.
Ainda no mês passado a policia
de Santa Catarina desceu o porrete
nos membros de uma gira de um Terreiro
de Umbanda, além de levar em
cana alguns ogans que ficaram indignados
com a truculência dos policiais.
Mas isso foi no mês passado.
E em 1894 o povo já pedia que
o preconceito religioso acabasse.
Às vezes pequenos sinais indicam
que vão acontecer grandes modificações.
Vendo a apresentação
do novo técnico da seleção
brasileira, o Mano Menezes, peneirei
entre suas palavras, para meu consolo,
que os jogadores serão assistidos
por um psicólogo. Isso sinaliza
que os gurus evangélicos que
viajavam junto com a seleção
do Dunga vão voltar para suas
igrejas.
Por um pequeno sinal técnico
posso afirmar com segurança
que, se continuar assim, a Umbanda
logo será uma religião
popular. No site do nosso Terreiro,
neste ano até o mês de
Julho foram acessadas 1.478.306 páginas,
o que, em uma projeção,
dá para calcular que até
o fim do ano esse número passará
dos dois milhões e quinhentos.
Estatística oficial do Terra,
onde o site www.paimaneco.org.br está
hospedado. Um sinal animador que mostra
como a Umbanda está sendo procurada
e as pessoas estão ansiosas
atrás de explicações.
Por que tantos acessos em um site
sobre a Umbanda, que dizem ser uma
religião discriminada? Acho
que é um sinal que isso não
existe. Ela está sendo agredida
por todos porque esses todos estão
é com medo de seu crescimento.
Acho devemos aproveitar essa oportunidade
e sacudir de uma vez por todas a nossa
tão clara religião.
No momento que existem discordâncias
o povo não sabe a quem recorrer
ou pedir a declaração
da verdade. Não é mais
fácil tudo ser discutido às
claras do que inventar a cartola da
magia? Mágica ninguém
entende. Quando dizem que o Exu é
o agente que executa tanto o bem como
o mal, acho falácia. Se o Exu
serve à Umbanda não
pode executar o mal. Quem faz isso
não é bom. Por sinais
eu cultuo o Exu como uma entidade
da Umbanda que resgata seus próprios
erros, que foi um espírito
encarnado na Terra, que teve relação
com o Brasil por ocasião de
seu descobrimento e por isso se subordina
ao mando dos Caboclos e dos Pretos
Velhos.
Vamos ficar atentos aos sinais.
Essa é a Minha Opinião!
Julho
2010
Depois de uma festança
do povo brasileiro por conta do hexa
campeonato mundial de futebol, a realidade
veio tirar do nosso rosto a expressão
de desapontamento para nos fazer por
os pés no chão e tirar
conclusões proveitosas do desastre
e da mediocridade futebolista apresentadas.
Eu levo uma vantagem sobre muitos
torcedores porque eu tenho esse espaço
no site para falar o que eu quiser
e por para fora a minha dor da decepção.
Quando os jogadores preconceituosos
se recusaram a descer de um ônibus
e se negaram a distribuir presentes
aos doentes porque era um hospital
espírita, entre eles o Robinho,
temi pela sorte da seleção
porque isso não pode dar sorte
para ninguém. Dito e feito.
Eu vi um Robinho aos frangalhos, histérico
e briguento e o Felipe Melo pisar
no adversário que estava no
chão. Fiquei chocado com o
Dunga quando o vi dizer desaforos,
nomes e besteiras aos jornalistas
e isso assistido pelo mundo inteiro.
Não entendi porque ele fechou
os portões do CT do Cajú
para um público fiel, amável
e simpático. Lamentável
que tenha permitido benefícios
a uns e proibido a outros, como o
caso do Jorginho que levou escondido
dos jogadores a sua família.
Pior ainda ter autorizado o Lucio
levar um guru pertencente à
Igreja Evangélica em total
desrespeito às outras religiões
e aos próprios psicólogos
que deveriam ser chamados para acalmar
as feras. São pequenas pinceladas
da seleção brasileira
que representou o brasileiros na África
do Sul. Como não sou crítico
de futebol e só entendo de
Umbanda, vou a ela.
Acho que os dirigentes e Umbandistas
devem aproveitar esse nosso desapontamento
em proveito do nosso desenvolvimento
espiritual.
Está mais do que claro que
foi a prepotência que causou
a derrota dos pequenos atores. O Dunga
é um líder imposto e
não natural. Provavelmente
ameaçou com palavrões,
gritos e quem sabe até mesmo
com uma bíblia todo o plantel
de jogadores. Conseguiu transformar
vinte três homens em jogadores
descontrolados e sem nenhum senso
de autodomínio.
A truculência, o mau humor,
a agressão ou mesmo ameaças
não podem fazer parte de um
espiritualista e não são
típicos do verdadeiro líder.
Pai de Santo que se encaixar nesse
comportamento pode jogar no time do
Dunga.
O descontrole emocional, o histerismo
a covardia de agredir os indefesos
não pode fazer parte do comportamento
de um Umbandista. Se isso acontecer
ele estará pedindo passagem
para ganhar a carteirinha de sócio
dos Atletas de Cristo. Falando nisso
as religiões, sejam elam quais
forem, tem que entender que Jesus
não tem dono. Ele pertence
à humanidade.
A falta de firmeza e honestidade em
distribuir favores a alguns em detrimento
dos outros, pode derrubar um Pai de
Santo. Foi uma falta de vergonha dos
dirigentes desta medíocre seleção
o favorecimento dispensado ao funcionário
Jorginho e ao Capitão Lucio.
Os umbandistas e principalmente os
dirigentes não podem aceitar
tal comportamento.
Aquele que aceita o comando de um
falso líder é por interesse
pessoal e egoísmo. Isso não
cabe na Umbanda.
Eu prefiro ficar sem liderança
a correr o risco de ser prepotente.
Convido todos os umbandistas para
se juntarem ao humilde time formado
pelos Atletas de Jorge.
Não faço favores exclusivos
porque além de me por distante
de atitudes como a do auxiliar técnico
do treinador, por quem, uma vez já
torci e vibrei, ainda estou protegendo
os membros da minha corrente para
não se corromperem.
No filme o Advogado do Diabo, para
quem o assistiu, deve lembrar-se do
final onde o diferenciado Al Pacino,
em extraordinária interpretação
do Diabo, diz claramente: “Vaidade.
Com certeza é o meu pecado
predileto”.
Essa é a Minha Opinião!
Junho
2010
Está circulando
no Brasil inteiro um pedido para que
os Umbandistas percam a vergonha de
ser umbandista e preguem o nome da
Umbanda no quadradinho destinado às
religiões na ficha do censo
que vai iniciar agora em Agosto. Acho
isso certo, mas não é
fundamental. Não adianta ser
numeroso, o importante é ter
qualidade. Muito se fala em preconceito,
mas devemos entender que a Umbanda
é uma religião nova
e para angariar adeptos ainda tem
muito que apresentar. Não é
o preconceito que dá um censo
baixo, mas o desconhecimento do povo
com essa extraordinária religião.
Enquanto dirigentes estiverem explorando
o povo fazendo serviços de
amarração e outros absurdos
a Umbanda vai continuar no ostracismo.
Vejam a integra de uma sentença
Judicial que expõe muito bem
a situação:
“Médium
indenizará mulher por coação
moral
A 1ª Turma Recursal Cível
do Estado do Rio Grande do Sul confirmou
a condenação de médium
por coação moral. Foi
determinada ao réu a restituição
de R$ 1,6 mil e o pagamento de R$
2 mil por danos morais, além
da declaração de inexistência
de débito referente a cheque
no valor de R$ 1,6 mil e outro de
R$ 1,4 mil.
Em 2008, a autora
apresentava dores no útero,
quando foi procurada pelo médium.
Ele lhe prometeu a cura através
da realização de um
'trabalho', que consistia em oferecer
produtos aos Deuses no mar. O médium
disse ainda que o trabalho evitaria
que o neto da autora se acidentasse.
Segundo o réu,
a autora era quem teria lhe procurado.
Ele sustentou que os valores eram
recebidos para montar a 'mesa' e que
eram percebidos como cortesia.
As testemunhas
confirmaram a realização
de cobrança pelo serviço,
bem como que foi o réu quem
procurou a autora e que esta se encontrava
nervosa à época dos
fatos em razão de sua doença.
Conforme uma das depoentes, a mulher
disse estar impressionada com a promessa
de cura e assustada com a premonição
de que seu neto se acidentaria e seria
juntado de pá no asfalto. Ela
contou ainda que o réu ‘diagnosticou’
a ocorrência de câncer
na autora e que ouviu boatos de outros
casos semelhantes ao da mulher.
Em primeira instância,
na Comarca de Torres, considerou-se
indiscutível o sofrimento experimentado
pela autora, quando foi avisada pelo
réu de que ela teria câncer
e que seu neto sofreria um acidente
fatal caso não realizasse um
trabalho. Não se trata de discussão
a respeito de fé, seja pelo
réu, seja pela autora, o fato
é que, comprovadamente, o requerido
usou do problema que a autora enfrentava
na ocasião, para fins de obter
benefícios próprios,
qual seja, recompensa em dinheiro,
o qual foi pago pela requerente, que
acreditou no poder de cura no trabalho
por este realizado, referiu a sentença.
Caracterizada a
ocorrência de dano moral puro,
o Juizado Especial Cível da
Comarca de Torres determinou a restituição
à autora no valor de R$ 1,6
mil e a declaração de
inexistência de débito
de dois cheques, um no valor de R$
1,6 mil e outro de R$ 1,4 mil. O réu
foi condenado ainda ao pagamento de
indenização por danos
morais no valor de R$ 2 mil.
Recurso
Inominado
Para o relator
da 1ª Turma Recursal Cível,
Juiz Ricardo Torres Hermann, não
resta a menor dúvida do pagamento
pelo trabalho e de que o mesmo foi
efetuado mediante verdadeira coação
moral.
Pouco crível
que a requerida fosse entregar ao
réu quantia superior a R$ 6
mil a título de doação
se não fosse a promessa de
que seria curada de um câncer,
que, em verdade, sequer existiu, seguida
da premonição de que
seu neto seria “juntado de pá
do asfalto”. Justamente nesse
ponto transparece clara a intenção
do réu de coagir a autora a
fazer algo que, de livre e espontânea
vontade, não o faria, não
fosse o ardil empregado pelo demandado,
aproveitando-se de sua condição
de médium, avaliou o magistrado.
Os Juízes
Leandro Raul Klippel e Fábio
Vieira Heerdt acompanharam o voto
do relator, no sentido de manter a
sentença por seus próprios
fundamentos (art. 46, da Lei nº
9.099/95).
Recurso Inominado
nº 71002541084”
Não está também
na hora de um movimento para tornar
a Umbanda transparente? Por que não
contar sempre a verdade? Não
está na hora de jogar no lixo
esse papo de mironga de conga? Não
seria bom contar que o Exu é
uma entidade boa e que trabalha a
serviço do bem? Enterrar a
prepotência e exilar os aproveitadores
da religião? Não será
por isso que o preconceito continua
existindo? Está certo fingir
que não existem pessoas que
usam o nome da Umbanda e do Candomblé
para extorquir dinheiro das pessoas
desesperadas? Sei que pouco se pode
fazer, mas o mínimo como divulgar
a sentença acima já
pode mostrar ao povo que existe muita
gente bem intencionada e cheia de
vontade de ajudar o próximo
sem pedir nada em troca.
Neste meu espaço não
costumo transcrever artigos e muito
menos sentenças judiciais,
mas não pude resistir à
oportunidade de chamar a todos para
que votem na Umbanda e no Candomblé,
mas ajudem a banir do nosso meio esses
péssimos elementos que vivem
do sofrimento alheio e usam de uma
religião que não lhes
pertence.
Essa é Minha Opinião.
Maio
2010
Uma professora ensinou-me
que a música existe para as
pessoas se amarem. Acredito nisso,
pois a suavidade da melodia envolve
a emoção de quem a ouve,
elevando suas vibrações
espirituais.
Talvez seja por isso que existem
os pontos cantados na Umbanda.
É difícil dizer e
analisar o efeito mágico dos
sons, principalmente como e quando
eles atuam nas pessoas. Quem pode
avaliar o poder do canto de ninar
de uma mãe? E da força
dos hinos marciais? Isso para não
falar dos mantras dos sacerdotes do
Tibet, os quais nunca ouvi, mas imagino.
Um espiritualista disse-me que quando
existe uma copa do mundo a vibração
dos torcedores cria um mantra fortíssimo
e isso tem influência nos jogadores.
É o som uníssono.
O samba já induz o ouvinte
a ensaiar uns passos de alegria. Falsa,
mas é alegria. E o sambista
não deixa por menos: quando
samba, pensa que é o maior
dançarino que existe. Sua cara,
sempre esboçando um sorriso
mostra isso claramente.
Na capoeira é realmente contagiante
o som dos pontos cantados sob o comando
do berimbau e dos atabaques. Musica
marcante e típica da luta nascida
no Brasil. Nos pés dos negros
escravos a dança criava uma
poderosa arma contra os seus algozes.
Quando ela era entoada, os escravos
sentiam-se unidos. Então, até
para brigar a musica é necessária.
A Umbanda sem musica fica pobre
e fria. Eu não sou historiador
e por isso não sei como ela
foi introduzida dentro da nossa religião,
mas sendo um dirigente tenho que conhecer
como usá-la durante os rituais
e quais os seus efeitos.
Três são os tipos principais
de música dentro da Umbanda
que chamamos de pontos cantados: o
individual, o de linha e o de sustentação.
Todas foram ditados diretamente pelas
entidades. Se não foi ditada
foi intuída.
O ponto individual é aquele
que é entoado pedindo a presença
de determinada entidade. O ponto de
linha é aquele que cantamos
para chamar linhas da Umbanda. Finalmente,
o ponto de sustentação
é aquele que se canta durante
o desenrolar da gira.
Conhecendo-se essa tríade
musical vamos chegar à inevitável
verdade que a musica da Umbanda só
pode ser cantada quando ela está
adequada dentro da religião
e no momento certo. Por isso ela não
deve ser improvisada. O compositor
quando cria uma musica faz questão
de conservar o seu credito o que lhe
dá direitos à fama e
dinheiro. Até sociedades protetoras
existem para policiar esse crédito.
Mas se a musica na Umbanda foi composta
pelos espíritos, quem cuida
delas? É tarefa exclusiva dos
dirigentes. A qualidade do tom musical
dentro de um Terreiro cabe ao Pai
ou Mãe de Santo policiar e
determinar o que é certo e
o que é errado. Eu faço
isso, embora não seja um grande
entendido no assunto.
Musica popular pode ser cantada
em um Terreiro, como uma homenagem,
uma sustentação da gira,
mas nunca como mantra dos espíritos.
Não vou discutir qual é
a mais bem elaborada, se a popular
ou a da religião. Uma é
do povo e a outra é dos umbandistas.
Não podem se misturar.
A grande realidade é que
quando se canta durante o ritual um
ponto de chamada da entidade, só
ela pode se manifestar. Não
adianta cantar para o Pai Joaquim
e pensarmos que quem incorporou foi
o Pai João. Cada um vem no
seu ponto da Aruanda, lugar que eles
ficam aguardando a chamada do mantra
do Terreiro. Como sempre digo, se
você cantar uma musica chamando
o Diabo, não tenha duvida que
ele virá. E como convidado.
Não conheço pessoalmente
o Pai Carlos Buby, mas pelas suas
musicas eu lhe devoto grande simpatia.
Aliás, no começo do
Terreiro do Pai Maneco copiamos todo
o ritual de um seu disco de vinil
“Abertura e Encerramento –
7 linhas da Umbanda”. Devo-lhe
essa Carlos Buby.
Talvez se os dirigentes que conhecem
a história dos pontos da Umbanda
resolvessem ensinar por livros, sites,
blogs e palestras, a nossa religião
fosse melhor entendida.
Essa é
a minha opinião!
Abril
2010
“Ninguém
vence sem competição
e sem derrota de outrem; ninguém
sobe sem deixar outros abaixo; ninguém
recebe aplausos sem o desprestigio
de vaidades alheias e sem o rancor
de veleidades insatisfeitas.”
Este trecho eu copiei do texto de
um jornalista.
Não existe nada tão
verdadeiro como o mal que uma vitória
pode causar. Em nome da vaidade filosofias
e organizações físicas
e jurídicas se destroem. Na
vitória tudo é falso.
Ela é a face contraria da derrota,
por isso são ligadas e inseparáveis.
Vi em um caseiro campeonato de natação
um pai oferecer à sua jovem
filha uma bicicleta como premio se
ela vencesse uma prova. A filha perdeu
e o pai deve estar até hoje
amargando a sua estúpida atitude.
Veja a que ponto a necessidade de
vencer mexe com as pessoas. Entre
sorrisos e abraços a menina
vencedora não percebeu os olhos
cheio de lágrimas da sua amiga
que acabara de ver destruído
o seu sonho de ganhar uma bicicleta.
Causa? A vaidade de um pai.
O Claudio Freire disse que não
importa a Umbanda ter muitos adeptos,
o que vale é a fé dos
seus poucos seguidores. Apesar de
não serem tão poucos
assim, o aumento da popularidade da
Umbanda, segundo o Claudio, não
vale nada. Refleti e agora concordo
com ele. Do que adianta a força
e o aumento de adeptos dos evangélicos
se um time inteiro de futebol, o Santos
do Pelé, não tem a humildade
de cumprimentar crianças doentes
porque o hospital onde elas estão
hospitalizadas é espírita?
São vitoriosos? Não
sei, acho que não. Se vitória
for isso, quero ser um perdedor. Acho
até que se o Robinho jogar
no time da seleção brasileira
vou torcer pelos argentinos. O Neymar,
o Ganso, o Fábio Costa, o Durval,
o Léo, o Marquinhos e o André,
que se recusaram a sair do ônibus
para demonstrar caridade, que fiquem
rebolando feito palhaços dentro
do campo de futebol com suas coreografias
sem graça. A espiritualidade
não precisa de pessoas assim.
Viva a pouca e boa gente da Umbanda!
Na concepção de um político,
todos que não são do
seu partido político são
adversários e, por conseguinte,
maus administradores. Se o Lula ganhar
a eleição quantos perdem?
E se ele perder os outros serão
vitoriosos? E nós, eleitores,
ficamos olhando? Aliás, olhando
o que?
Quando o Mike Tyson vence uma luta,
já repararam o estrago que
ele causa no adversário? E
nós aplaudimos esses animais?
Eles enchem as suas sacolas com milhões
de dólares, e nós, enquanto
batemos palminhas em homenagem as
feras, continuamos preocupados com
nosso baixo salário.
Quando foi criado o conjunto musical
chamado “Secos & Molhados”,
seu destaque era o Ney Matogrosso.
Ele era estranho e eu não gostava
de seu tipo exótico. Hoje,
perto das figuras dos cantores tanto
estrangeiros como brasileiros, o Ney
é lorde inglês. E os
malucos atuais fazem sucesso!
Quando eu era jovem fiquei assustado
com a Cartilha única que o
então Presidente Jango Goulart
queria impor no Brasil. Era a decretação
do comunismo radical. Torci por uma
revolução e ela aconteceu.
Isso em 1964. Os políticos
da época declararam e comemoraram
a vitória do Exército.
Eu também aplaudi. E daí?
O derrotado foi o Jango Goulart? Ou
todo o povo brasileiro que teve que
se submeter a um longo regime político
que nunca fez o nosso gosto.
Assim é a vitoria e a derrota.
Inexplicável!
Por tudo isso os umbandistas não
devem querer ser melhor que os outros
porque somos todos iguais. Os Pais
e Mães de Santo não
devem se envaidecer achando que seus
Terreiros são os melhores e
que suas filosofias é que são
as certas. Devem respeitar a diversidade
da religião. Internautas e
blogueiros, não discutam entre
si, ao contrario, aprendam uns com
os outros. Não existem vitórias
em confrontos e demandas.
Li ou ouvi em algum lugar que a real
vitória é quando nós
derrotamos os nossos próprios
defeitos.
Essa é a minha Opinião!
Março
2010
Desde a minha infância
sempre fui questionador. Fui crescendo,
aprendendo e era insaciável
em perguntas quando o assunto me interessava,
principalmente quando era sobre aves,
bichos ou espíritos. Não
me lembro de ninguém ter-me
negado nenhuma resposta.
A pergunta bem feita é sempre
certeira e derruba muita gente boa.
Mas, ao contrario, se ela for mal
feita tem o mesmo efeito que encher
a pança do esfomeado. O negócio
bom é não errar a pergunta.
O segredo é deixar que a pessoa
fale e depois descaradamente você
pergunta: “por quê?”
Vamos lembrar-nos de alguns assuntos.
Quando é sobre economia e os
técnicos recomendam aumentar
o juro bancário para baixar
a inflação, eu pergunto:
“por quê? Pode explicar-me?”
Quando o Lula diz que o Brasil vai
comprar aviões de caça,
como eu não sei o que vai ser
caçado, eu pergunto: “por
quê? Precisa?”. Quando
o agiota me diz que vai à missa
comungar, eu pergunto: “por
quê? Adianta?” Quando
um técnico de futebol além
de ganhar mais de quinhentos salários
mínimos por mês e trás
uma enorme equipe de assessores insinuando
que a que está no clube que
o contratou não presta, mas
mesmo assim o torcedor até
às vezes desempregado, fica
alegre, eu pergunto: “por quê?”
Quando afirmam que o Presidente Juscelino
fez bem em construir Brasília,
mesmo levando tijolos e cimento de
avião, eu pergunto: “por
quê?” Quando a lei determina
que o voto seja obrigatório,
eu pergunto: “por quê?”.
Quando o aposentado tem que pagar
uma alíquota de 27% sobre sua
aposentadoria, eu pergunto: “por
quê? Não devia usufruir
os benefícios de um longo tempo
de trabalho?” Quando me contam
que o preço de um show que
milhares de pessoas assistem e ainda
em lugar publico custa mais de 300
reais, eu pergunto: “por quê?
Não é caro?” Quando
eu vejo preço do etanol nos
postos de abastecimento custar quase
dois reais, eu pergunto: “por
quê? Não somos o maior
produtor de cana do mundo?”
Quando as montadoras de automóveis
superam sempre a sua ultima marca
de fabricação e vai
para o consumidor com preços
até 90 meses para pagar sem
entrada e mais nada e sempre a preços
caríssimos, eu pergunto: “por
quê fabricam tanto assim? E
o comprador vai poder pagar as prestações
até o fim?” Quando eu
vejo nas lojas de artigos de cães
o preço da ração
das multinacionais eu pergunto: “por
quê está mais cara que
a carne bovina de primeira?”
Quando que alguma coisa errada é
um mal necessário, eu pergunto:
“por quê? Existe mal que
seja bom?” Isso eu estou mostrando
só uma pequena parte das mil
perguntas que ainda tenho que fazer.
E na Umbanda? Não seria bom
também haver as perguntas?
Vamos ver.
Quando a mãe ou o pai de santo
proibir você de visitar outros
terreiros, faça a pergunta:
“por quê?”. Quando
dizem que o Exu faz tanto o bem como
mal, pergunte: “por quê?
Ele pode fazer o mal?” Quando
o dirigente quiser cobrar uma consulta
ou trabalho, pergunte: ”por
quê? É certo pagar um
trabalho de caridade?” . Quando
dizem que o espírito só
se desliga do corpo depois de três
dias, pergunte: “por quê?
No espaço existe tempo?”
Quando dizem que tem que dar bebida
para a entidade, pergunte: “
por quê? Entidade gosta de beber
e ficar embriagada?” Quando
me dizem, sou da umbanda branca, pergunte:
“por quê? Existe umbanda
preta?” Essas e outras tantas
perguntas podem ser feitas.
A Umbanda felizmente foi invadida
por gente nova, culta e interessada
na religião que para eles foi
uma descoberta. Cabe a nós,
os mais antigos, atender os anseios
dessa juventude umbandista. Não
podemos lhes fornecer o obsoleto.
A Umbanda é talvez uma religião
que pode oferecer a modernidade sem
desrespeitar o passado. Não
podemos jogá-los no desapontamento
por falta de respostas, caindo na
mesmice das outras religiões.
Para isso não se deixem subjugar
pelos dirigentes e mestres arcaicos.
Tudo deve ser explicado. Segredos
não devem existir. Nas ordens
ou ensinamentos absurdos, pergunte-lhes:
“Por quê?”.
Podem perguntar-me, se eu não
souber a resposta vou inovar na Umbanda
e responder: “Não sei!”
Essa é a minha opinião!
Fevereiro
2010
Dizem que os escritores
não devem escrever debaixo
de uma emoção passageira,
naqueles momentos que nossos sentimentos
tomam conta das nossas ações
e inibem a clareza e a verdade do
que escrevemos. Eu tenho que reaprender
tudo porque só sei lavrar um
texto quando estou emocionado, positiva
ou negativamente, tanto faz. Como
não tinha nenhuma motivação
comecei a rememorar os textos de jornais,
ver fotos de revistas antigas, memorizar
cenas de filmes e fui viajando no
pensamento. O pensamento é
um departamento divino do nosso corpo.
Nele nos fazemos heróis e podemos
derrubar ídolos que julgamos
falsos. Vejam quanta coisa em poucos
segundos pensei: voltou à tona
minha decepção com o
Presidente americano Barack Obama.
Eu achava que ele ia escolher um cão
vira lata para passear na Casa Branca,
mas escolheu um de raça pura.
O cônsul do Haiti no Brasil
que disse que os terremotos são
excesso de macumba de seu povo e outro
seu parceiro que declarou que no Haiti
é o Demônio quem provoca
os desastres ecológicos. A
impressionante foto do Haiti soterrado,
mas em pé e inabalável
a imagem de Jesus Cristo. O Brasil
sediando a copa do mundo, coisa que
eu não entendo, como também
não entendo o preço
do álcool, quase perto da gasolina.
Acho que o seu preço vai subir.
Lembrei-me do jornalista da antiga
revista O Cruzeiro David Nasser esbanjando
categoria no manejo das palavras quando
retratou o então Presidente
da Republica Juscelino Kubitschek
de Oliveira como: ”...o adorável
cafajeste”, do Francisco Alves
como ídolo da musica brasileira
e que hoje dizem ser Exu na Umbanda
As terríveis enchentes na dinâmica
Cidade de São Paulo. Acho que
depois do filme do Lula vai haver
um comício em prol da Dilma
com os dois filhos do Francisco. Para
irritar o Luis Fernando Veríssimo
falta o George Clooney se eleger deputado
por Porto Alegre. Pensei até
no Pai Beco quando diz que se o padre
rezasse a missa incorporado o catolicismo
seria imbatível. Nosso pensamento
é assim, rápido e sem
ordem.
Enquanto folhava algumas revistas
antigas, vi uma foto de uma personalidade
política e social onde de lado
aparece velando o morto um homem com
a roupa furada e desgastada pelo uso,
dando a entender tratar-se de uma
pessoa sem nenhum dinheiro. Isso me
tirou da gostosa viagem e me trouxe
para a vida real. A morte de uma personalidade
famosa sendo velada por um possível
mendigo. Achei sugestiva a figura.
Até imaginei que aquele defunto
já fez parte de uma foto de
sua família, aquela em que
os velhos ficam no meio e os jovens
ficam espalhados em sua volta.
Resolvi continuar o meu sonho e entrei
na da Umbanda. Vi o Caboclo das 7
Encruzilhadas posando em uma foto
da religião que ele anunciou
existir no Brasil. Ele estava emocionado.
A Umbanda está crescendo e
começando a cair na simpatia
do povo brasileiro, mesmo que a Dilma
não queira e não saiba
disso, obcecada que está atrás
dos votos dos católicos e dos
evangélicos. Nas fotos da Umbanda
aparece em destaque a diversidade
da religião. Cada um faz o
que quer tudo em nome da Umbanda.
Não está errado porque
a nossa religião prega a liberdade
do culto, mas claro que dentro de
uma ética maior, a do bom senso,
do comportamento adequado aos ensinamentos
dos espíritos maiores, sem
que ninguém se aproveite financeiramente
em nome dessa liberdade e também
todos possam morrer sabendo que os
pobres e carentes estarão também
rezando em agradecimento do que fizeram
em beneficio dos menos privilegiados.
Eu encerrei fotografando com a minha
mente a família Umbandista
lado a lado, felizes e sem exibirem
suas guias de pais e mães de
santo, todos humildes e vivendo em
harmonia, sem brigas ou disputas.
Queiram ou não, o morto e o
mendigo que vi na foto eram iguais.
Como o é toda irmandade umbandista.
Eu gosto de sonhar, mesmo para ser
a
Minha Opinião!
Janeiro
2010
Quando os espíritos
tentam e não conseguem se comunicar,
ou quando não querem interferir
no nosso livre arbítrio, eles
costumam mandar sinais. Provocam situações
que nos chamam a atenção
indicando um caminho que devemos considerar
se devemos ou não segui-lo.
O Terreiro do Pai Maneco sem nenhuma
duvida atingiu nesse ano o seu mais
alto e elevado patamar como Terreiro
de Umbanda. Mais de 1.600 médiuns,
giras todas as noites da semana, uma
bonita participação
social em projetos, inclusive de capoeira
com crianças carentes e ministrada
pelo Mestre Lua de Bobó, aulas
constantes sobre nossa religião,
um curso ministrado pelos parapsicólogos
da Faculdade Espírita do Paraná,
no Paraná por decreto governamental
o dia 15 de Novembro foi consagrado
como o “dia da Umbanda”,
complementação das construções
de sua sede na Santa Cândida
com mais de 8.000 m2 de área
que abriga 1.500 metros de área
construída, com dois terreiros
e um espaço cultural além
do jardim dos orixás para entrega
de amalás e cultos às
entidades, a musica cada vez mais
afinada, com pontos sendo criados
como vertentes de água pura,
a mídia, por nosso intermédio,
está dando um destaque importante
para a Umbanda, o preconceito religioso
está rolando pelo esgoto das
coisas superadas, o site do Pai Maneco
teve mais de 2.000.000 de acessos
no ano espalhando nossas musicas para
todos os terreiros do Brasil, o blog
do Pai Maneco com 10.000 visitas mensais.
Vou parar por aqui. Isso estufa o
peito de qualquer Pai de Santo. Resolvi,
então, aventurar a sair da
atuação local e expandir
o terreiro em outros Estados. Nosso
espaço aqui estava pequeno,
burramente pensei.
Fui comprar frutas em um mercado.
Estava na fila do pagamento das compras
quando vi uma das funcionárias
da casa vindo em minha direção
com um gostoso sorriso, deixando aparecer
um aparelho de corretivo dos dentes.
Morena, alta, bonita e muito jovem
abraçou-me com um entusiasmo
contagiante declarando sua enorme
satisfação de eu estar
presente na empresa em que ela trabalha.
Faz dois anos que freqüenta a
casa que eu dirijo. Mostrou-me, toda
orgulhosa, sua guia de proteção
com a cor de Iemanjá. Que vergonha,
eu não a tinha reconhecido.
Quando voltava no carro, o meu silêncio
foi cortado pela observação
de minha esposa, que enalteceu aquele
momento como um fato de rara beleza,
ou seja, a alegria da jovem médium
em rever seu pai de santo. Não
revelei como eu estava desenxabido.
À noite o rosto radiante da
simpática menina não
saia da minha cabeça. Que pai
de santo sou eu? Fico preocupado em
propagar as vitórias do terreiro
e nem sei o nome da devotada filha
da Rainha do Mar?
Diante do sinal que saltou aos meus
olhos, resolvi voltar para minha origem,
de onde nunca devia ter saído.
Vou ser novamente um pai de santo
dos médiuns do Terreiro do
Pai Maneco, a Casa dos Espíritos
como antigamente era conhecido. Rememorei
que o meu verdadeiro orgulho está
em participar de uma corrente alegre
e que me envolve emocionalmente. Voltei
para minha toca. Estarei lá
no chão humilde das entidades
que nos dirigem, à disposição
de quem quiser. Tinha esquecido que
Pai de santo deve zelar a sua casa
e cuidar de sua corrente.
Tomara que o Lula tenha a mesma felicidade
e receba também um sinal e
que devolva a coroa para o Obama e
fique só como “o cara”,
que, aliás, foi eleito para
cuidar dos brasileiros. Cada Presidente
que cuide do seu povo.
Essa é minha opinião!

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