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Setembro 2010

A minha juventude sempre foi pautada pelo trabalho e atividades relativas a espiritualidade e, eventualmente, participava do esporte relativo a criação de cães, tanto que com vinte anos de idade fui diretor de um clube cinófilo. Naquela época meu potencial e velocidade eram iguais a de um trem bala e não me incomodava com a possibilidade de atropelar as pessoas que se opunham às minhas idéias. Eu considerava não só a estrutura do clube, mas toda a sua organização obsoleta e que tinha que ser modificada. Propunha modificações que eu entendia serem necessárias, abismando meus pares de diretoria com as novidades que eu sugeria. Eles as consideravam absurdas e sem fundamentos. Percebi que eu precisava de aliados que me dessem suporte para aprovação das idéias. Procurei apoio em dois antigos diretores, ambos de idade avançada. Eu antecipava a eles o que ia propor e quando eles me recomendavam cautela eu desistia da idéia, mas quando sinalizavam com a cor verde sem medo eu enfrentava os acomodados diretores e insistia na sua aprovação e quando isso acontecia o sucesso era total. Eu não só me apaixonei pela clareza das suas análises, como descobri que, ao contrário do que inicialmente eu pretendia, acabei manipulado pelos dois idosos. Eu descobri meu envolvimento e concordei com a situação. Nasceu uma parceria muito legal: a audácia de uma juventude inovadora amparada pela experiência de dois homens sábios. Acho que por isso fui um bom diretor.

Interessante recordar os anos passados. De um jovem irreverente me transformei em um fanático ouvinte dos mais velhos. Adorava ouvir as suas histórias e experiências. Meus confidentes tinham sempre o dobro da minha idade. E o trem bala passou a ser apenas um trem.

Quando me entusiasmei pelo espiritismo passei a ser sempre um ouvinte das rodas dos espíritas experientes. Eu os ouvia e nem no meu íntimo os contrariava. Absorvia embevecido todas as suas histórias e minha cabeça ia acumulando o conteúdo daquelas experiências incríveis que relatavam com muita inteligência e simplicidade. Vivi minha juventude aprendendo com os acertos e os erros dos mais velhos.

Hoje sou um homem maduro. Brinco sempre que na minha idade não gosto de ir a museus ou asilos com medo que não me deixem sair. Ficaria muito triste se o Cid Destefani publicasse uma foto minha na sua coluna Nostalgia. Não escondo minha idade e com isso exploro as filas e gozo dos benefícios legais que têm os idosos principalmente nas filas e nos estacionamentos. Sou, pois, um idoso de carteirinha. Apesar disso, ainda dentro de mim aquele trem bala está pronto para partir em velocidade quando eu encontrar uma razão que justifique essa minha ação.

Por ser a Umbanda é uma religião nova, erra quem diz ela não deve sofrer modificações. Quando foi fundada a sua filosofia e ritual foram feitos para aquela época, quando os costumes eram totalmente diferentes, tanto que as esposas obedeciam aos maridos e os jovens viviam sob as saias das mães. Hoje as mulheres estão tomando conta do mundo e os jovens deviam voltar a viver sob as saias das mães.

Hoje não tenho pressa de nada. Vou escrevendo e quem sabe os mais jovens me escutem e plantem a idéia de modificar o que tem que ser modificado. Sei que sou irreverente, mas meus olhos experientes enxergam coisas que os outros não vêem. Não é culpa de ninguém. É fácil enganar os outros, tanto que o Juscelino quando disse que ia construir Brasília para fugir do perigo da capital ser no litoral, o povo acreditou na falácia presidencial. Nunca passou pela idéia do brasileiro que o mandante seresteiro queria era alimentar seu orgulho de ter construído uma cidade, ônus que até hoje estamos pagando. Então não dá para condenar o povo quando acredita nas mentiras que contam sobre a Umbanda.

Vou selecionar a mentira maior: “o Exu é um agente controvertido da Umbanda, que tanto faz o bem como o mal”. Não posso aceitar essa assertiva, mesmo porque ninguém explicou até hoje, ao menos eu desconheço, o que é o Exu em sua essência. Se é um espírito ou um elemental. Infelizmente o povo, como aceitou a razão da construção de Brasilia engole essas teorias antigas e desajustadas à inteligência moderna. Claro que respeito a diversidade da religião e por assim todas as teses, histórias, lendas e afirmações. Mas respeitar, não significa concordar. Todo Exu ou Pomba Gira teve uma ou mais encarnações na vibração de nosso planeta. E como isso é verdade, na minha ótica, eles formam uma linha que tem compromisso com nossa história desde o descobrimento de nosso Brasil. Tiveram nomes, identidades e hoje se escondem atrás de figuras folclóricas para resgatar seus deslizes cometidos. E eles sabem que quando fazem o bem pagam uma conta, mas se fizerem o mal, seu carma cresce. E eles são bons e inteligentes.

Essa é a Minha Opinião!

Agosto 2010

Às vezes fico imaginando quantas vidas teremos que passar para vermos as coisas acontecerem e se modificarem. Temas modernos já se falavam no passado. Li um texto no jornal Gazeta do Povo do dia 31 do mês passado sobre a visão do jornalista Laurentino Gomes e autor do livro 1808. Ainda não o li, mas vou fazer isso. O comentário me cativou. A Republica estava na mira do povo descontente. “O estadista José Bonifacio de Andrade e Silva-durante o processo da independência – defende um Brasil que deveria abolir a escravidão, dar educação a todos, fazer a reforma agrária e defender a capital para o Centro-Oeste.” Isso é interessante porque ao menos dá para se entender onde o Juscelino foi buscar a idéia de Brasília. Voltando à Gazeta do Povo ele é um jornal tão avançado que as edições dos domingos são vendidas nos sábados. Fico abismado com a capacidade dos jornalistas prepararem uma matéria um dia antes. Bem, voltando ao foco, o historiador disse: “Depois aparece a figura do diplomata Joaquim Nabuco que vem falar ainda da tolerância religiosa e da abolição com a integração dos escravos na sociedade”.

Isso aconteceu por volta de 1894. E eu que achava que o Lula é que tinha inventado a reforma agrária. E ainda fico pensando como demora essa coisa de preconceito religioso. Ainda no mês passado a policia de Santa Catarina desceu o porrete nos membros de uma gira de um Terreiro de Umbanda, além de levar em cana alguns ogans que ficaram indignados com a truculência dos policiais. Mas isso foi no mês passado. E em 1894 o povo já pedia que o preconceito religioso acabasse.

Às vezes pequenos sinais indicam que vão acontecer grandes modificações. Vendo a apresentação do novo técnico da seleção brasileira, o Mano Menezes, peneirei entre suas palavras, para meu consolo, que os jogadores serão assistidos por um psicólogo. Isso sinaliza que os gurus evangélicos que viajavam junto com a seleção do Dunga vão voltar para suas igrejas.

Por um pequeno sinal técnico posso afirmar com segurança que, se continuar assim, a Umbanda logo será uma religião popular. No site do nosso Terreiro, neste ano até o mês de Julho foram acessadas 1.478.306 páginas, o que, em uma projeção, dá para calcular que até o fim do ano esse número passará dos dois milhões e quinhentos. Estatística oficial do Terra, onde o site www.paimaneco.org.br está hospedado. Um sinal animador que mostra como a Umbanda está sendo procurada e as pessoas estão ansiosas atrás de explicações.

Por que tantos acessos em um site sobre a Umbanda, que dizem ser uma religião discriminada? Acho que é um sinal que isso não existe. Ela está sendo agredida por todos porque esses todos estão é com medo de seu crescimento.

Acho devemos aproveitar essa oportunidade e sacudir de uma vez por todas a nossa tão clara religião. No momento que existem discordâncias o povo não sabe a quem recorrer ou pedir a declaração da verdade. Não é mais fácil tudo ser discutido às claras do que inventar a cartola da magia? Mágica ninguém entende. Quando dizem que o Exu é o agente que executa tanto o bem como o mal, acho falácia. Se o Exu serve à Umbanda não pode executar o mal. Quem faz isso não é bom. Por sinais eu cultuo o Exu como uma entidade da Umbanda que resgata seus próprios erros, que foi um espírito encarnado na Terra, que teve relação com o Brasil por ocasião de seu descobrimento e por isso se subordina ao mando dos Caboclos e dos Pretos Velhos.

Vamos ficar atentos aos sinais.

Essa é a Minha Opinião!

Julho 2010

Depois de uma festança do povo brasileiro por conta do hexa campeonato mundial de futebol, a realidade veio tirar do nosso rosto a expressão de desapontamento para nos fazer por os pés no chão e tirar conclusões proveitosas do desastre e da mediocridade futebolista apresentadas. Eu levo uma vantagem sobre muitos torcedores porque eu tenho esse espaço no site para falar o que eu quiser e por para fora a minha dor da decepção.

Quando os jogadores preconceituosos se recusaram a descer de um ônibus e se negaram a distribuir presentes aos doentes porque era um hospital espírita, entre eles o Robinho, temi pela sorte da seleção porque isso não pode dar sorte para ninguém. Dito e feito. Eu vi um Robinho aos frangalhos, histérico e briguento e o Felipe Melo pisar no adversário que estava no chão. Fiquei chocado com o Dunga quando o vi dizer desaforos, nomes e besteiras aos jornalistas e isso assistido pelo mundo inteiro. Não entendi porque ele fechou os portões do CT do Cajú para um público fiel, amável e simpático. Lamentável que tenha permitido benefícios a uns e proibido a outros, como o caso do Jorginho que levou escondido dos jogadores a sua família. Pior ainda ter autorizado o Lucio levar um guru pertencente à Igreja Evangélica em total desrespeito às outras religiões e aos próprios psicólogos que deveriam ser chamados para acalmar as feras. São pequenas pinceladas da seleção brasileira que representou o brasileiros na África do Sul. Como não sou crítico de futebol e só entendo de Umbanda, vou a ela.

Acho que os dirigentes e Umbandistas devem aproveitar esse nosso desapontamento em proveito do nosso desenvolvimento espiritual.

Está mais do que claro que foi a prepotência que causou a derrota dos pequenos atores. O Dunga é um líder imposto e não natural. Provavelmente ameaçou com palavrões, gritos e quem sabe até mesmo com uma bíblia todo o plantel de jogadores. Conseguiu transformar vinte três homens em jogadores descontrolados e sem nenhum senso de autodomínio.

A truculência, o mau humor, a agressão ou mesmo ameaças não podem fazer parte de um espiritualista e não são típicos do verdadeiro líder. Pai de Santo que se encaixar nesse comportamento pode jogar no time do Dunga.

O descontrole emocional, o histerismo a covardia de agredir os indefesos não pode fazer parte do comportamento de um Umbandista. Se isso acontecer ele estará pedindo passagem para ganhar a carteirinha de sócio dos Atletas de Cristo. Falando nisso as religiões, sejam elam quais forem, tem que entender que Jesus não tem dono. Ele pertence à humanidade.

A falta de firmeza e honestidade em distribuir favores a alguns em detrimento dos outros, pode derrubar um Pai de Santo. Foi uma falta de vergonha dos dirigentes desta medíocre seleção o favorecimento dispensado ao funcionário Jorginho e ao Capitão Lucio. Os umbandistas e principalmente os dirigentes não podem aceitar tal comportamento.

Aquele que aceita o comando de um falso líder é por interesse pessoal e egoísmo. Isso não cabe na Umbanda.

Eu prefiro ficar sem liderança a correr o risco de ser prepotente.

Convido todos os umbandistas para se juntarem ao humilde time formado pelos Atletas de Jorge.

Não faço favores exclusivos porque além de me por distante de atitudes como a do auxiliar técnico do treinador, por quem, uma vez já torci e vibrei, ainda estou protegendo os membros da minha corrente para não se corromperem.

No filme o Advogado do Diabo, para quem o assistiu, deve lembrar-se do final onde o diferenciado Al Pacino, em extraordinária interpretação do Diabo, diz claramente: “Vaidade. Com certeza é o meu pecado predileto”.

Essa é a Minha Opinião!

 

Junho 2010

Está circulando no Brasil inteiro um pedido para que os Umbandistas percam a vergonha de ser umbandista e preguem o nome da Umbanda no quadradinho destinado às religiões na ficha do censo que vai iniciar agora em Agosto. Acho isso certo, mas não é fundamental. Não adianta ser numeroso, o importante é ter qualidade. Muito se fala em preconceito, mas devemos entender que a Umbanda é uma religião nova e para angariar adeptos ainda tem muito que apresentar. Não é o preconceito que dá um censo baixo, mas o desconhecimento do povo com essa extraordinária religião. Enquanto dirigentes estiverem explorando o povo fazendo serviços de amarração e outros absurdos a Umbanda vai continuar no ostracismo. Vejam a integra de uma sentença Judicial que expõe muito bem a situação:

“Médium indenizará mulher por coação moral
A 1ª Turma Recursal Cível do Estado do Rio Grande do Sul confirmou a condenação de médium por coação moral. Foi determinada ao réu a restituição de R$ 1,6 mil e o pagamento de R$ 2 mil por danos morais, além da declaração de inexistência de débito referente a cheque no valor de R$ 1,6 mil e outro de R$ 1,4 mil.

Em 2008, a autora apresentava dores no útero, quando foi procurada pelo médium. Ele lhe prometeu a cura através da realização de um 'trabalho', que consistia em oferecer produtos aos Deuses no mar. O médium disse ainda que o trabalho evitaria que o neto da autora se acidentasse.

Segundo o réu, a autora era quem teria lhe procurado. Ele sustentou que os valores eram recebidos para montar a 'mesa' e que eram percebidos como cortesia.

As testemunhas confirmaram a realização de cobrança pelo serviço, bem como que foi o réu quem procurou a autora e que esta se encontrava nervosa à época dos fatos em razão de sua doença. Conforme uma das depoentes, a mulher disse estar impressionada com a promessa de cura e assustada com a premonição de que seu neto se acidentaria e seria juntado de pá no asfalto. Ela contou ainda que o réu ‘diagnosticou’ a ocorrência de câncer na autora e que ouviu boatos de outros casos semelhantes ao da mulher.

Em primeira instância, na Comarca de Torres, considerou-se indiscutível o sofrimento experimentado pela autora, quando foi avisada pelo réu de que ela teria câncer e que seu neto sofreria um acidente fatal caso não realizasse um trabalho. Não se trata de discussão a respeito de fé, seja pelo réu, seja pela autora, o fato é que, comprovadamente, o requerido usou do problema que a autora enfrentava na ocasião, para fins de obter benefícios próprios, qual seja, recompensa em dinheiro, o qual foi pago pela requerente, que acreditou no poder de cura no trabalho por este realizado, referiu a sentença.

Caracterizada a ocorrência de dano moral puro, o Juizado Especial Cível da Comarca de Torres determinou a restituição à autora no valor de R$ 1,6 mil e a declaração de inexistência de débito de dois cheques, um no valor de R$ 1,6 mil e outro de R$ 1,4 mil. O réu foi condenado ainda ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 2 mil.

Recurso Inominado

Para o relator da 1ª Turma Recursal Cível, Juiz Ricardo Torres Hermann, não resta a menor dúvida do pagamento pelo trabalho e de que o mesmo foi efetuado mediante verdadeira coação moral.

Pouco crível que a requerida fosse entregar ao réu quantia superior a R$ 6 mil a título de doação se não fosse a promessa de que seria curada de um câncer, que, em verdade, sequer existiu, seguida da premonição de que seu neto seria “juntado de pá do asfalto”. Justamente nesse ponto transparece clara a intenção do réu de coagir a autora a fazer algo que, de livre e espontânea vontade, não o faria, não fosse o ardil empregado pelo demandado, aproveitando-se de sua condição de médium, avaliou o magistrado.

Os Juízes Leandro Raul Klippel e Fábio Vieira Heerdt acompanharam o voto do relator, no sentido de manter a sentença por seus próprios fundamentos (art. 46, da Lei nº 9.099/95).

Recurso Inominado nº 71002541084”

Não está também na hora de um movimento para tornar a Umbanda transparente? Por que não contar sempre a verdade? Não está na hora de jogar no lixo esse papo de mironga de conga? Não seria bom contar que o Exu é uma entidade boa e que trabalha a serviço do bem? Enterrar a prepotência e exilar os aproveitadores da religião? Não será por isso que o preconceito continua existindo? Está certo fingir que não existem pessoas que usam o nome da Umbanda e do Candomblé para extorquir dinheiro das pessoas desesperadas? Sei que pouco se pode fazer, mas o mínimo como divulgar a sentença acima já pode mostrar ao povo que existe muita gente bem intencionada e cheia de vontade de ajudar o próximo sem pedir nada em troca.

Neste meu espaço não costumo transcrever artigos e muito menos sentenças judiciais, mas não pude resistir à oportunidade de chamar a todos para que votem na Umbanda e no Candomblé, mas ajudem a banir do nosso meio esses péssimos elementos que vivem do sofrimento alheio e usam de uma religião que não lhes pertence.

Essa é Minha Opinião.

Maio 2010

Uma professora ensinou-me que a música existe para as pessoas se amarem. Acredito nisso, pois a suavidade da melodia envolve a emoção de quem a ouve, elevando suas vibrações espirituais.

Talvez seja por isso que existem os pontos cantados na Umbanda.

É difícil dizer e analisar o efeito mágico dos sons, principalmente como e quando eles atuam nas pessoas. Quem pode avaliar o poder do canto de ninar de uma mãe? E da força dos hinos marciais? Isso para não falar dos mantras dos sacerdotes do Tibet, os quais nunca ouvi, mas imagino.

Um espiritualista disse-me que quando existe uma copa do mundo a vibração dos torcedores cria um mantra fortíssimo e isso tem influência nos jogadores. É o som uníssono.

O samba já induz o ouvinte a ensaiar uns passos de alegria. Falsa, mas é alegria. E o sambista não deixa por menos: quando samba, pensa que é o maior dançarino que existe. Sua cara, sempre esboçando um sorriso mostra isso claramente.

Na capoeira é realmente contagiante o som dos pontos cantados sob o comando do berimbau e dos atabaques. Musica marcante e típica da luta nascida no Brasil. Nos pés dos negros escravos a dança criava uma poderosa arma contra os seus algozes. Quando ela era entoada, os escravos sentiam-se unidos. Então, até para brigar a musica é necessária.

A Umbanda sem musica fica pobre e fria. Eu não sou historiador e por isso não sei como ela foi introduzida dentro da nossa religião, mas sendo um dirigente tenho que conhecer como usá-la durante os rituais e quais os seus efeitos.

Três são os tipos principais de música dentro da Umbanda que chamamos de pontos cantados: o individual, o de linha e o de sustentação. Todas foram ditados diretamente pelas entidades. Se não foi ditada foi intuída.

O ponto individual é aquele que é entoado pedindo a presença de determinada entidade. O ponto de linha é aquele que cantamos para chamar linhas da Umbanda. Finalmente, o ponto de sustentação é aquele que se canta durante o desenrolar da gira.

Conhecendo-se essa tríade musical vamos chegar à inevitável verdade que a musica da Umbanda só pode ser cantada quando ela está adequada dentro da religião e no momento certo. Por isso ela não deve ser improvisada. O compositor quando cria uma musica faz questão de conservar o seu credito o que lhe dá direitos à fama e dinheiro. Até sociedades protetoras existem para policiar esse crédito. Mas se a musica na Umbanda foi composta pelos espíritos, quem cuida delas? É tarefa exclusiva dos dirigentes. A qualidade do tom musical dentro de um Terreiro cabe ao Pai ou Mãe de Santo policiar e determinar o que é certo e o que é errado. Eu faço isso, embora não seja um grande entendido no assunto.

Musica popular pode ser cantada em um Terreiro, como uma homenagem, uma sustentação da gira, mas nunca como mantra dos espíritos. Não vou discutir qual é a mais bem elaborada, se a popular ou a da religião. Uma é do povo e a outra é dos umbandistas. Não podem se misturar.

A grande realidade é que quando se canta durante o ritual um ponto de chamada da entidade, só ela pode se manifestar. Não adianta cantar para o Pai Joaquim e pensarmos que quem incorporou foi o Pai João. Cada um vem no seu ponto da Aruanda, lugar que eles ficam aguardando a chamada do mantra do Terreiro. Como sempre digo, se você cantar uma musica chamando o Diabo, não tenha duvida que ele virá. E como convidado.

Não conheço pessoalmente o Pai Carlos Buby, mas pelas suas musicas eu lhe devoto grande simpatia. Aliás, no começo do Terreiro do Pai Maneco copiamos todo o ritual de um seu disco de vinil “Abertura e Encerramento – 7 linhas da Umbanda”. Devo-lhe essa Carlos Buby.

Talvez se os dirigentes que conhecem a história dos pontos da Umbanda resolvessem ensinar por livros, sites, blogs e palestras, a nossa religião fosse melhor entendida.

Essa é a minha opinião!

Abril 2010

“Ninguém vence sem competição e sem derrota de outrem; ninguém sobe sem deixar outros abaixo; ninguém recebe aplausos sem o desprestigio de vaidades alheias e sem o rancor de veleidades insatisfeitas.” Este trecho eu copiei do texto de um jornalista.

Não existe nada tão verdadeiro como o mal que uma vitória pode causar. Em nome da vaidade filosofias e organizações físicas e jurídicas se destroem. Na vitória tudo é falso. Ela é a face contraria da derrota, por isso são ligadas e inseparáveis.

Vi em um caseiro campeonato de natação um pai oferecer à sua jovem filha uma bicicleta como premio se ela vencesse uma prova. A filha perdeu e o pai deve estar até hoje amargando a sua estúpida atitude. Veja a que ponto a necessidade de vencer mexe com as pessoas. Entre sorrisos e abraços a menina vencedora não percebeu os olhos cheio de lágrimas da sua amiga que acabara de ver destruído o seu sonho de ganhar uma bicicleta. Causa? A vaidade de um pai.

O Claudio Freire disse que não importa a Umbanda ter muitos adeptos, o que vale é a fé dos seus poucos seguidores. Apesar de não serem tão poucos assim, o aumento da popularidade da Umbanda, segundo o Claudio, não vale nada. Refleti e agora concordo com ele. Do que adianta a força e o aumento de adeptos dos evangélicos se um time inteiro de futebol, o Santos do Pelé, não tem a humildade de cumprimentar crianças doentes porque o hospital onde elas estão hospitalizadas é espírita? São vitoriosos? Não sei, acho que não. Se vitória for isso, quero ser um perdedor. Acho até que se o Robinho jogar no time da seleção brasileira vou torcer pelos argentinos. O Neymar, o Ganso, o Fábio Costa, o Durval, o Léo, o Marquinhos e o André, que se recusaram a sair do ônibus para demonstrar caridade, que fiquem rebolando feito palhaços dentro do campo de futebol com suas coreografias sem graça. A espiritualidade não precisa de pessoas assim. Viva a pouca e boa gente da Umbanda!

Na concepção de um político, todos que não são do seu partido político são adversários e, por conseguinte, maus administradores. Se o Lula ganhar a eleição quantos perdem? E se ele perder os outros serão vitoriosos? E nós, eleitores, ficamos olhando? Aliás, olhando o que?

Quando o Mike Tyson vence uma luta, já repararam o estrago que ele causa no adversário? E nós aplaudimos esses animais? Eles enchem as suas sacolas com milhões de dólares, e nós, enquanto batemos palminhas em homenagem as feras, continuamos preocupados com nosso baixo salário.

Quando foi criado o conjunto musical chamado “Secos & Molhados”, seu destaque era o Ney Matogrosso. Ele era estranho e eu não gostava de seu tipo exótico. Hoje, perto das figuras dos cantores tanto estrangeiros como brasileiros, o Ney é lorde inglês. E os malucos atuais fazem sucesso!

Quando eu era jovem fiquei assustado com a Cartilha única que o então Presidente Jango Goulart queria impor no Brasil. Era a decretação do comunismo radical. Torci por uma revolução e ela aconteceu. Isso em 1964. Os políticos da época declararam e comemoraram a vitória do Exército. Eu também aplaudi. E daí? O derrotado foi o Jango Goulart? Ou todo o povo brasileiro que teve que se submeter a um longo regime político que nunca fez o nosso gosto.

Assim é a vitoria e a derrota. Inexplicável!

Por tudo isso os umbandistas não devem querer ser melhor que os outros porque somos todos iguais. Os Pais e Mães de Santo não devem se envaidecer achando que seus Terreiros são os melhores e que suas filosofias é que são as certas. Devem respeitar a diversidade da religião. Internautas e blogueiros, não discutam entre si, ao contrario, aprendam uns com os outros. Não existem vitórias em confrontos e demandas.

Li ou ouvi em algum lugar que a real vitória é quando nós derrotamos os nossos próprios defeitos.

Essa é a minha Opinião!


Março 2010

Desde a minha infância sempre fui questionador. Fui crescendo, aprendendo e era insaciável em perguntas quando o assunto me interessava, principalmente quando era sobre aves, bichos ou espíritos. Não me lembro de ninguém ter-me negado nenhuma resposta.

A pergunta bem feita é sempre certeira e derruba muita gente boa. Mas, ao contrario, se ela for mal feita tem o mesmo efeito que encher a pança do esfomeado. O negócio bom é não errar a pergunta. O segredo é deixar que a pessoa fale e depois descaradamente você pergunta: “por quê?” Vamos lembrar-nos de alguns assuntos.

Quando é sobre economia e os técnicos recomendam aumentar o juro bancário para baixar a inflação, eu pergunto: “por quê? Pode explicar-me?” Quando o Lula diz que o Brasil vai comprar aviões de caça, como eu não sei o que vai ser caçado, eu pergunto: “por quê? Precisa?”. Quando o agiota me diz que vai à missa comungar, eu pergunto: “por quê? Adianta?” Quando um técnico de futebol além de ganhar mais de quinhentos salários mínimos por mês e trás uma enorme equipe de assessores insinuando que a que está no clube que o contratou não presta, mas mesmo assim o torcedor até às vezes desempregado, fica alegre, eu pergunto: “por quê?” Quando afirmam que o Presidente Juscelino fez bem em construir Brasília, mesmo levando tijolos e cimento de avião, eu pergunto: “por quê?” Quando a lei determina que o voto seja obrigatório, eu pergunto: “por quê?”. Quando o aposentado tem que pagar uma alíquota de 27% sobre sua aposentadoria, eu pergunto: “por quê? Não devia usufruir os benefícios de um longo tempo de trabalho?” Quando me contam que o preço de um show que milhares de pessoas assistem e ainda em lugar publico custa mais de 300 reais, eu pergunto: “por quê? Não é caro?” Quando eu vejo preço do etanol nos postos de abastecimento custar quase dois reais, eu pergunto: “por quê? Não somos o maior produtor de cana do mundo?” Quando as montadoras de automóveis superam sempre a sua ultima marca de fabricação e vai para o consumidor com preços até 90 meses para pagar sem entrada e mais nada e sempre a preços caríssimos, eu pergunto: “por quê fabricam tanto assim? E o comprador vai poder pagar as prestações até o fim?” Quando eu vejo nas lojas de artigos de cães o preço da ração das multinacionais eu pergunto: “por quê está mais cara que a carne bovina de primeira?” Quando que alguma coisa errada é um mal necessário, eu pergunto: “por quê? Existe mal que seja bom?” Isso eu estou mostrando só uma pequena parte das mil perguntas que ainda tenho que fazer. E na Umbanda? Não seria bom também haver as perguntas? Vamos ver.

Quando a mãe ou o pai de santo proibir você de visitar outros terreiros, faça a pergunta: “por quê?”. Quando dizem que o Exu faz tanto o bem como mal, pergunte: “por quê? Ele pode fazer o mal?” Quando o dirigente quiser cobrar uma consulta ou trabalho, pergunte: ”por quê? É certo pagar um trabalho de caridade?” . Quando dizem que o espírito só se desliga do corpo depois de três dias, pergunte: “por quê? No espaço existe tempo?” Quando dizem que tem que dar bebida para a entidade, pergunte: “ por quê? Entidade gosta de beber e ficar embriagada?” Quando me dizem, sou da umbanda branca, pergunte: “por quê? Existe umbanda preta?” Essas e outras tantas perguntas podem ser feitas.

A Umbanda felizmente foi invadida por gente nova, culta e interessada na religião que para eles foi uma descoberta. Cabe a nós, os mais antigos, atender os anseios dessa juventude umbandista. Não podemos lhes fornecer o obsoleto. A Umbanda é talvez uma religião que pode oferecer a modernidade sem desrespeitar o passado. Não podemos jogá-los no desapontamento por falta de respostas, caindo na mesmice das outras religiões. Para isso não se deixem subjugar pelos dirigentes e mestres arcaicos. Tudo deve ser explicado. Segredos não devem existir. Nas ordens ou ensinamentos absurdos, pergunte-lhes: “Por quê?”.

Podem perguntar-me, se eu não souber a resposta vou inovar na Umbanda e responder: “Não sei!”

Essa é a minha opinião!

 

Fevereiro 2010

Dizem que os escritores não devem escrever debaixo de uma emoção passageira, naqueles momentos que nossos sentimentos tomam conta das nossas ações e inibem a clareza e a verdade do que escrevemos. Eu tenho que reaprender tudo porque só sei lavrar um texto quando estou emocionado, positiva ou negativamente, tanto faz. Como não tinha nenhuma motivação comecei a rememorar os textos de jornais, ver fotos de revistas antigas, memorizar cenas de filmes e fui viajando no pensamento. O pensamento é um departamento divino do nosso corpo. Nele nos fazemos heróis e podemos derrubar ídolos que julgamos falsos. Vejam quanta coisa em poucos segundos pensei: voltou à tona minha decepção com o Presidente americano Barack Obama. Eu achava que ele ia escolher um cão vira lata para passear na Casa Branca, mas escolheu um de raça pura. O cônsul do Haiti no Brasil que disse que os terremotos são excesso de macumba de seu povo e outro seu parceiro que declarou que no Haiti é o Demônio quem provoca os desastres ecológicos. A impressionante foto do Haiti soterrado, mas em pé e inabalável a imagem de Jesus Cristo. O Brasil sediando a copa do mundo, coisa que eu não entendo, como também não entendo o preço do álcool, quase perto da gasolina. Acho que o seu preço vai subir. Lembrei-me do jornalista da antiga revista O Cruzeiro David Nasser esbanjando categoria no manejo das palavras quando retratou o então Presidente da Republica Juscelino Kubitschek de Oliveira como: ”...o adorável cafajeste”, do Francisco Alves como ídolo da musica brasileira e que hoje dizem ser Exu na Umbanda As terríveis enchentes na dinâmica Cidade de São Paulo. Acho que depois do filme do Lula vai haver um comício em prol da Dilma com os dois filhos do Francisco. Para irritar o Luis Fernando Veríssimo falta o George Clooney se eleger deputado por Porto Alegre. Pensei até no Pai Beco quando diz que se o padre rezasse a missa incorporado o catolicismo seria imbatível. Nosso pensamento é assim, rápido e sem ordem.

Enquanto folhava algumas revistas antigas, vi uma foto de uma personalidade política e social onde de lado aparece velando o morto um homem com a roupa furada e desgastada pelo uso, dando a entender tratar-se de uma pessoa sem nenhum dinheiro. Isso me tirou da gostosa viagem e me trouxe para a vida real. A morte de uma personalidade famosa sendo velada por um possível mendigo. Achei sugestiva a figura. Até imaginei que aquele defunto já fez parte de uma foto de sua família, aquela em que os velhos ficam no meio e os jovens ficam espalhados em sua volta.

Resolvi continuar o meu sonho e entrei na da Umbanda. Vi o Caboclo das 7 Encruzilhadas posando em uma foto da religião que ele anunciou existir no Brasil. Ele estava emocionado. A Umbanda está crescendo e começando a cair na simpatia do povo brasileiro, mesmo que a Dilma não queira e não saiba disso, obcecada que está atrás dos votos dos católicos e dos evangélicos. Nas fotos da Umbanda aparece em destaque a diversidade da religião. Cada um faz o que quer tudo em nome da Umbanda. Não está errado porque a nossa religião prega a liberdade do culto, mas claro que dentro de uma ética maior, a do bom senso, do comportamento adequado aos ensinamentos dos espíritos maiores, sem que ninguém se aproveite financeiramente em nome dessa liberdade e também todos possam morrer sabendo que os pobres e carentes estarão também rezando em agradecimento do que fizeram em beneficio dos menos privilegiados.

Eu encerrei fotografando com a minha mente a família Umbandista lado a lado, felizes e sem exibirem suas guias de pais e mães de santo, todos humildes e vivendo em harmonia, sem brigas ou disputas. Queiram ou não, o morto e o mendigo que vi na foto eram iguais. Como o é toda irmandade umbandista.

Eu gosto de sonhar, mesmo para ser a

Minha Opinião!

Janeiro 2010

Quando os espíritos tentam e não conseguem se comunicar, ou quando não querem interferir no nosso livre arbítrio, eles costumam mandar sinais. Provocam situações que nos chamam a atenção indicando um caminho que devemos considerar se devemos ou não segui-lo.

O Terreiro do Pai Maneco sem nenhuma duvida atingiu nesse ano o seu mais alto e elevado patamar como Terreiro de Umbanda. Mais de 1.600 médiuns, giras todas as noites da semana, uma bonita participação social em projetos, inclusive de capoeira com crianças carentes e ministrada pelo Mestre Lua de Bobó, aulas constantes sobre nossa religião, um curso ministrado pelos parapsicólogos da Faculdade Espírita do Paraná, no Paraná por decreto governamental o dia 15 de Novembro foi consagrado como o “dia da Umbanda”, complementação das construções de sua sede na Santa Cândida com mais de 8.000 m2 de área que abriga 1.500 metros de área construída, com dois terreiros e um espaço cultural além do jardim dos orixás para entrega de amalás e cultos às entidades, a musica cada vez mais afinada, com pontos sendo criados como vertentes de água pura, a mídia, por nosso intermédio, está dando um destaque importante para a Umbanda, o preconceito religioso está rolando pelo esgoto das coisas superadas, o site do Pai Maneco teve mais de 2.000.000 de acessos no ano espalhando nossas musicas para todos os terreiros do Brasil, o blog do Pai Maneco com 10.000 visitas mensais. Vou parar por aqui. Isso estufa o peito de qualquer Pai de Santo. Resolvi, então, aventurar a sair da atuação local e expandir o terreiro em outros Estados. Nosso espaço aqui estava pequeno, burramente pensei.

Fui comprar frutas em um mercado. Estava na fila do pagamento das compras quando vi uma das funcionárias da casa vindo em minha direção com um gostoso sorriso, deixando aparecer um aparelho de corretivo dos dentes. Morena, alta, bonita e muito jovem abraçou-me com um entusiasmo contagiante declarando sua enorme satisfação de eu estar presente na empresa em que ela trabalha. Faz dois anos que freqüenta a casa que eu dirijo. Mostrou-me, toda orgulhosa, sua guia de proteção com a cor de Iemanjá. Que vergonha, eu não a tinha reconhecido.

Quando voltava no carro, o meu silêncio foi cortado pela observação de minha esposa, que enalteceu aquele momento como um fato de rara beleza, ou seja, a alegria da jovem médium em rever seu pai de santo. Não revelei como eu estava desenxabido. À noite o rosto radiante da simpática menina não saia da minha cabeça. Que pai de santo sou eu? Fico preocupado em propagar as vitórias do terreiro e nem sei o nome da devotada filha da Rainha do Mar?

Diante do sinal que saltou aos meus olhos, resolvi voltar para minha origem, de onde nunca devia ter saído. Vou ser novamente um pai de santo dos médiuns do Terreiro do Pai Maneco, a Casa dos Espíritos como antigamente era conhecido. Rememorei que o meu verdadeiro orgulho está em participar de uma corrente alegre e que me envolve emocionalmente. Voltei para minha toca. Estarei lá no chão humilde das entidades que nos dirigem, à disposição de quem quiser. Tinha esquecido que Pai de santo deve zelar a sua casa e cuidar de sua corrente.

Tomara que o Lula tenha a mesma felicidade e receba também um sinal e que devolva a coroa para o Obama e fique só como “o cara”, que, aliás, foi eleito para cuidar dos brasileiros. Cada Presidente que cuide do seu povo.

Essa é minha opinião!




 

 
     
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