Novembro
2009
Um dia encontrei-me
com o famoso e saudoso pintor paranaense
Wilson de Andrade Silva. Durante a
conversa disse que estava estranhando
que em suas últimas telas o
céu estava carregado com um
azul muito forte, longe da delicadeza
que costumava pintar. Com um olhar
característico do sensível
e bondoso artista, simplesmente respondeu:
“eu ando muito triste...”
Bem, se um homem com a sensibilidade
do Wilson transportou para a tela
o estado de sua alma, mais do que
compreensível que eu transporte
para meus textos os sentimentos que
tenho no momento. Isso é uma
tentativa de justificar a grosseria
do texto da Minha Opinião de
Outubro, embora de nada eu esteja
arrependido. Até sinto-me cheio
de razões e então quero
encaixar e criticar a recente manobra
dos deputados em aprovar o calote
oficial dos precatórios. Falta
o senado aprovar. Adivinhem o que
vai acontecer...
Falei do sofrimento da família
do João Henrique. Hoje quero
falar do sofrimento da família
do menino que propositalmente o atropelou.
Sei e tenho certeza que em nenhum
momento ele pretendia matar o João.
Foi uma explosão de uma pessoa
em total desequilíbrio emocional.
E por quê? Só pelo mal
estar da cor da camisa do time adversário?
Claro que não. Devemos pensar
no desequilíbrio emocional
causado por razões que desconheço,
mas com certeza presentes na conturbada
juventude. Também tenho certeza
que essa família está
sofrendo muito, mas muito mesmo. Infelizmente
ninguém nada pode fazer, nem
trazer para a vida o espírito
do João Henrique e nem mesmo
justificar e atenuar o crime cometido.
São duas vitimas do descaso
do governo.
Não posso e não quero
julgar, mas independentemente do caso
João Henrique, a violência
está fazendo parte dos jovens.
Também não adianta só
ficar culpando os políticos.
Temos que ter nossa participação
na tentativa de uma solução,
mesmo que ela seja utópica.
Acenei para os Umbandistas postarem
comentários no blog do Pai
Maneco. Apesar das 10.000 visitas
mensais, foram poucas as postagens,
e assim mesmo mais como um meio de
desabafo e revolta do que propriamente
uma sugestão.
Um grande movimento em nosso Terreiro
está sendo formado junto às
autoridades por pessoas já
mencionadas em nosso blog, com a intenção
de sermos parceiros ativos para colaborar
que a juventude seja mais branda e
respeitadora.
Vou deixar mais dois dias o tópico
no blog e depois ele será encerrado.
O que pudermos colher será
encaminhado às autoridades
competentes e tudo será amplamente
divulgado entre todos.
Todos nós precisamos de paz.
Essa é a Minha Opinião!
Outubro
2009
Enquanto estou escrevendo
este texto a família do João
Henrique está sofrendo o resultado
da violência que ultrapassou
os campos do futebol e está
nas ruas da Cidade. O querido menino
de vinte um anos foi atropelado por
um torcedor do time adversário
que o fez de propósito. Eu
vou me juntar à equipe dos
revoltados.
Que País é esse que
enquanto o Presidente da República
fica se gabando de ser Corintiano
não se preocupa com a violência
de sua torcida nos dias de jogos?
E isso se espalhou pelo Brasil inteiro?
E assim mesmo nossos governantes lutaram
para trazer ao nosso povo um Campeonato
Mundial? Enquanto o Presidente chora
de emoção pela vitória
de sediar um campeonato, várias
famílias choram a perda de
seus entes queridos vitimados pela
violência gerada pelo fanatismo
das torcidas. Dinheiro é mais
importante? Dólares? Será
que a família do João
Henrique vai assistir os confrontos
de jogadores que só demonstram
um profissionalismo movido pelo interesse
financeiro? E as torcidas? Será
que os estádios vão
ter jaulas para deixarem esses animais
separados dos João Henrique,
pessoas mansas, de coração
cheio de amor e carinho?
Que País é esse que
a nossa Casa maior, a Câmara
dos Deputados, vai abrir o jogo do
bingo? Será que temos que acreditar
que tudo está sendo feito pelo
interesse do povo? Ninguém
vai receber algum por fora? Não
sei se é burrice ou muita esperteza.
Não entendo como isso pode
ser bom. Que tal ao invés da
malandragem nossos dirigentes se preocupassem
mais com a segurança do povo?
Mas de verdade? Sem mentiras?
Que País é esse que
o Presidente está preocupado
com a Paz Mundial e deixa meninos
serem mortos só porque torcem
por times diferentes?
Que País é esse que
uma Caixa Econômica Federal,
que cuida do dinheiro do trabalhador
brasileiro fica com portas fechadas
quase trinta dias porque não
cumpre com a justiça salarial
com seus funcionários? E o
trabalhador que não recebeu
seus benefícios vai ser ressarcido
dos prejuízos causados pela
má administração
da Caixa?
Que País é esse que
deixa sua gente morrer assassinada
pelo efeito das drogas? E essa droga
que torna pessoas assassinas?
Não me sai da cabeça
que quatro jovens queimaram um índio
com álcool e depois disseram
que não sabiam que foi um engano,
pois pensaram que fosse um mendigo.
Pode? Que cultura é essa?
E o futebol, a tal alegria do povo,
hoje é arma perigosa e que
pode matar nossos filhos e netos.
E os dirigentes lamentam. Claro, só
lamentam, mas depois passam sorridentes
no caixa da administração
publica.
Que País é esse que
está comprando aviões
de guerra? Vai lutar contra quem?
Para combater bandidos não
precisa de avião, mas de delegados
e policiais competentes.
Pelé, socorro! Ponha ordem
nesse futebol. Reúna-se com
os craques do passado e exija respeito
pelo futebol que outrora foi bom.
Não deixe mais matarem os João
Henrique.
E os dirigentes da Umbanda, até
quando vão continuar estendendo
o chapéu pedindo respeito e
não dizem nada quando seus
filhos são assassinados?
Que País é esse que
em sua Lei diz ser estado laico e
faz acordos do interesse do Papa?
Sei que não adianta viver na
fantasia. Tudo que eu escrevi todos
sabem e sentem. Meu texto e minha
revolta vão para o baú
do esquecimento. Junto com o sofrimento
dos familiares do João Henrique.
Talvez tenhamos que ter paciência
e usar a única arma que temos:
o voto! Quem sabe se o povo eleger
deputados e senadores novos e os velhos
fossem trabalhar na picareta o Brasil
volte a sonhar com sua liberdade e
segurança que merece.
Eu como sou anarquista convicto continuo
fazendo parte do Movimento dos Sem
Governo.
Fui informado que a Federação
de Umbanda do Paraná vai tomar
uma posição sobre a
violência nos estádios.
Tomara!
Essa é a Minha Opinião!
Setembro
2009
Todos conhecem o Peter
Pan, o adorável menino velho
tipo Dorian Gray. Vivia na terra da
mentira com um monte de crianças.
Era o líder que cutucava a
paciência do pirata de uma só
mão e outra de gancho, o cobiçado
petisco de um persistente crocodilo.
Ele foi interpretado nos filmes americanos
por vários artistas, desde
o extraordinário Johnny Deep
até o chato do Robin Williams.
Eu achava o ponto alto da linda história
infantil a simpática e vibrante
fadinha que era chamada de Sininho
espalhando um pó mágico
para todos poderem voar e quem era
abençoado com isso ganhava
o direito de fazer looping no céu.
Coisa legal! Cada vez que assisto
um filme do Peter torço e vibro
com sua bravura. Se ele tivesse uma
perna só ia confundi-lo com
o Sacy Pererê, dada sua peraltice
e bravura.
Já deu para todos verem que
tenho meu lado infantil e sonhador.
Nada errado para um homem que como
muitos outros projetam nas mentiras
dos filmes seus momentos que adorariam
que fosse verdade. Sempre que assisto
uma nova versão do meninão
orelhudo queria estar no lugar dele
para sacar o gancho da mão
do capitão e em seu lugar por
um saca-rolhas. Acho que seria mais
útil. Eu gosto de pensar em
filmes e seus temas. Eu me imaginava
diretor de cinema para mudar toda
a versão dos filmes romanos
x cristãos. A minha cena seria
que viria algum anjo do céu
e os leões comeriam os romanos
e os cristãos ficariam vivos.
Bem, sonho é sonho! Ele é
meu e por isso o construo como eu
quiser. Nunca deixaria o King Kong
cair do alto do edifício. Eu
diretor, o macacão ia virar
sagüi para viver e morrer no
colo da moça por quem ele se
apaixonou. E tem mais, a mãe
do Bambi não ia morrer porque
o caçador ia errar o tiro e
acertar o seu pé. Duvido que
sobre tudo isso que falei milhares
de homens já não tenha
pensado igual. Será que todos
esses sonhos podem ser levados para
a nossa vida comum? Social, profissional
e familiar não pode. Eu não
poderia freqüentar roda dos adultos,
não poderia concorrer a nenhum
cargo profissional e minha mulher
não se conformaria em ser casada
com um menino travesso. Só
me sobraria a espiritual, onde vivo
só eu e mais ninguém.
Volto a ser um competente sonhador.
Sou o baita médium chamado
Peter, vivo no mundo dos espíritos
onde todos podem voar, ninguém
fica velho e a única desvantagem
é que todos já estão
mortos. O meu mundo não tem
época. A Sininho seria o meu
Anjo da Guarda e o Capitão
Gancho o Exu Pirata que é perseguido
pelo baixo astral. E dá para
viver assim na mentira? Na criação
imaginativa? Em um lugar onde não
existe ordem, respeito ou incentivo
para continuar se vivendo? Claro que
não. Volto então à
minha real vida espiritual como de
pai de santo na Umbanda.
Apesar de gostar da fantasia, não
posso admitir que ela seja aplicada
na Umbanda. Tiro de mim o pó
mágico da Sininho e suave e
lentamente desço até
sentir os meus pés no chão.
A terra me faz vibrar, ela é
a nossa Verdade, a que tem todos os
elementos mágicos e divinos,
ela é a expressão da
Natureza, a mãe da Umbanda.
Minhas raízes tremem e eu volto
a ser aquele irreverente Ogum que
não admite a mentira, a farsa,
a cobrança material, o Exu
agente do mal, o sangue como energia
de trabalho, as fantásticas
histórias dos espíritos
criadas não sei por quem, a
mistura das religiões, a prepotência
dos dirigentes, a vaidade dos médiuns,
a briga em nome da religião,
a tentativa destruidora da má
palavra, a incompreensão com
os novos adeptos, a exigência
burra de respeito a quem não
deve, o medo da perseguição
dos inimigos da Umbanda, os discursos
incompetentes de lideres de outras
religiões, a exibição
das mediunidades, a intolerância,
a falta do amor, o medo, a falta do
respeito e a disputa de lideranças.
Líder não é eleito,
indicado ou nomeado. Ele é
escolhido e não cabe disputa
dessa posição. A filosofia
do Terreiro do Pai Maneco é
amor, alegria, respeito, caridade
e humildade.
Essa é a minha opinião!
Agosto
2009
Eu tinha uma admiração
muito grande pelo Leonel Brizola,
com aquela sua fala mansa, marota
e bandida às vezes. Era carismático
e eu acompanhei entusiasmado a sua
trajetória política.
Sempre depositei meu voto quando era
candidato. Politicamente ambicioso
mudou seu domicilio eleitoral para
o Rio de Janeiro e conseguiu ser eleito
governador. Foi neste mandato que
deixei de gostar dele. O Brasil e
parte do mundo estava indignado com
o famoso arrastão dos moleques
na praia de Copacabana no Rio de Janeiro.
Eu também fazia parte dessa
massa revoltada porque ninguém
admira a violência e a malandragem.
Esperava ansioso a palavra do Leonel
Brizola, pois esse fato aconteceu
durante a vigência de seu mandato.
Infelizmente o meu líder perdeu
as estribeiras e declarou que os meninos
precisavam de piscinas publicas o
que evitaria que vivessem na marginalidade.
Rasguei minha carteirinha de fã
do governador. Ele não soube
respeitar a dignidade de seu líder,
o falecido Getulio Vargas, fazendo
uma declaração revoltante
e indigna do povo brasileiro que está
longe de aceitar papo furado de político
profissional. Minha fé no anarquismo
ficou mais forte. Então, desde
aquele episódio eu não
fui mais para o Rio de Janeiro. Minha
impressão de Copacabana era
as cenas que assisti nos canais de
televisão. Claro que não
foi o arrastão que me fez não
visitar mais a Cidade, mas a minha
preguiça costumeira de deixar
as minhas coisas de casa. Só
mesmo a Umbanda e o Ronald, Mauro
e Luna para me fazerem viajar para
lá. Ah, também as promoções
das passagens aéreas pesaram
na minha decisão.
Saí de Curitiba domingo com
chuva e temperatura de seis graus.
Cheguei no Rio com sol e temperatura
acima de vinte e cinco graus. Já
fiquei feliz. Fui passear na praia
do Ipanema. Mulheres feias, bonitas,
moças e velhas. Homens fortes
e fracos, moços e velhos. De
todo tipos iam e vinham, uns correndo
outros andando. Um verdadeiro festival
de saúde e felicidade. Procurei
algum marginal. Acho que o Brizola
construiu as piscinas, porque não
vi nenhum pedinte ou pessoa mal encarada.
Ao contrario, os cariocas estavam
muito mais cariocas. Que povo gentil!
A Cidade do Rio de Janeiro simplesmente
está maravilhosa. Nas ruas
não vi nenhum lixo exposto
ou sujeira nas ruas. Grande Sergio
Cabral. Fiquei seu fã. Não
tanto, mas fiquei. À noite
olhei o Paizão todo iluminado
e braços abertos, prognosticando
que a minha ida ao Rio de Janeiro
seria recompensada. E foi. Inauguramos
o Terreiro do Pai Maneco no Rio de
Janeiro, com uma gira cheia de força
e alegria. Foi lançada a semente.
Acho que agora devo voltar com mais
frequência a esse lugar abençoado,
mesmo porque já tirei da idéia
o arrastão e tenho vivo na
minha lembrança tudo de bom
que assisti e vivi nesses três
dias. Acho que o Terreiro do Pai Maneco
vai crescer nessa Cidade mais que
Maravilhosa.
Essa é a Minha Opinião!
Julho
2009
Eu
estava passeando na minha chácara
na serra do mar. Em uma subida íngreme
dentro de mato segurei uma árvore
para dar um impulso. Levei um susto
porque no meu braço sentou
o Zé Carioca, um tucano do
peito amarelo e que foi criado dentro
de casa. Outro barulho chamou minha
atenção e no meu pé
estava a Filomena, uma fêmea
de Jacu, também domesticada.
Naquele momento senti toda a beleza
da Natureza e dessa abençoada
serra do mar, pois eu estava apoiado
em uma árvore acompanhado por
duas aves selvagens que não
tinham medo do bicho homem. Respirei
o oxigênio diferenciado e senti
bater no meu rosto a suave sombra
das centenárias árvores.
Repensando aquele momento lembrei-me
que vi um documentário de um
esportista voando com uma asa delta
e um gavião também domesticado
acompanhando-o, ora exibindo seu majestoso
vôo, ora pousando ao lado de
seu dono. Lá embaixo apareciam
as praias do Rio de Janeiro. Naquele
momento esse homem era o rei do céu.
Imaginei sua visão lá
de cima. Um pensamento puxa outro
e lembrei-me do caso de uma estudante
do badalado Colégio N.S. de
Sion que em uma redação
escreveu que além do leite
da carne e do couro, as vacas nos
davam os ovos. No raciocínio
do passado, o Presidente Eurico Gaspar
Dutra, em 1945 deixou milhares de
pessoas sem emprego ao decretar a
proibição do jogo de
azar no Brasil. Cassinos caríssimos
tiveram que fechar suas portas e,
pior, seus salões de dança
onde os artistas brasileiros sempre
tinham um lugar para se apresentar.
O paulista Monteiro Lobato criou um
sítio, o do Pica-pau Amarelo
para de lá dizer que o Petróleo
é nosso. Tudo isso, sei bem,
é um emaranhado de pensamentos
soltos e desorganizados. Cai, então,
na minha realidade. A serra do mar
é constantemente destruída
pelos homens, os tucanos já
quase não têm para onde
ir. Em função disso
o oxigênio já não
é tão puro assim. Lá
do alto o rei do céu e seu
gavião viam uma praia destruída
pela poluição. Agora
os políticos querem abrir os
bingos oficializando a volta do jogo
que o Marechal tão drasticamente
tinha acabado. E o Monteiro Lobato
lá da Aruanda com dona. Benta,
a Vó Anastácia a esperta
boneca Emilia e sua turma, torce que
nosso Presidente venda o álcool
e guarde para nós o petróleo.
Falar em Presidente, o nosso é
um forte candidato ao Nobel da Paz.
É mole?
Para que no futuro possamos andar
com aves e animais silvestres pelas
matas do nosso Brasil é necessário
que todos tenham a consciência
de que devemos preservá-la
ao invés de agredi-la. A Umbanda
já está divulgando essa
nossa obrigação. Voar
em asa delta deve ser maravilhoso,
mas com um gavião ao lado só
se a Natureza não for destruída.
As casas de jogos de azar e os pontos
de venda de drogas deviam fechar por
falta de fregueses. Ler e reler os
livros dos antigos historiadores devia
fazer parte das atividades dos umbandistas.
O erro da aplicada aluna que confundiu
vaca com galinha não foi por
sua culpa, pois nunca tinha visto
uma vaca ou uma galinha ao vivo, tal
era o total descaso de seus pais que
não se preocuparam em mostrar
isso para ela. Então amanhã,
se o Umbandista cortar árvores,
matar pássaros e animais, ficar
viciado em drogas e no jogo e não
zelar pelo ambiente planetário
a culpa será nossa, dos dirigentes
que não soubemos transmitir
ensinamentos corretos aos nossos filhos
de Umbanda. Acho que no mínimo
uma vez por mês os dirigentes
deviam levar seus comandados para
uma visitação nos matos,
campos e praias. Sem trabalho, sem
entregas, sem nada exceto o aprender
a viver e evidenciar a Natureza. Fechar
os olhos e tentar diferenciar os vários
barulhos, cantos e piados que não
haviam notado.
Vamos enaltecer a Umbanda. Correta,
sem destruição e poluição
nas matas, rios e mares, defendendo
a qualquer custo a preservação
de nossas riquezas, inclusive o total
e irrestrito reconhecimento de sua
nacionalidade brasileira e uma radical
postura contra os vícios do
jogo, do fumo, do álcool e
das drogas. E também está
na hora da Umbanda tomar uma posição
definida sobre o uso do sangue e sacrifício
de bodes e galos. Ela não pode
ser a favor.
Essa é a minha opinião!
Junho
2009
Eu não sei como
foi o inicio da Umbanda, mas quando
ela foi oficializada com certeza já
era praticada pelo povo. Provavelmente
de forma tímida, escondida
dos inimigos declarados, as igrejas
cristãs e a policia radical.
Mas todos nós sabemos que ela
foi criada, espalhada e confirmada
pelo povo. Concluo, então,
que o anuncio de sua existência
foi a síntese do que o ele
falava, queria e praticava, e sem
essa força das massas ela não
existiria. Pela timidez não
foi revelado nenhum dono, líder
ou pregador da doutrina.
Sempre sonhei em ver uma Umbanda revelada
pela simplicidade popular. Livros,
palestras, discussões e teorias
existem bastante. Mas não é
o povo que escreve, fala, discute
ou explica.
Buscar a verdade é tentar alcançar
o inicio do arco-íris. Ela
existe, mas está espalhada
entre o povo e é ele quem tem
que ser ouvido.
Sempre admirei a modernidade, a ciência
nova, as experiências arrojadas
e a ousadia em falar e escrever. Ficava
impressionado com a intimidade do
jornalista Davi Nasser que apelidou
o Presidente da Republica Juscelino
Kubistchek de Oliveira de “adorável
cafajeste”. Quando o satélite
ainda não fazia parte de nossa
ciência e, por conseguinte,
a televisão ainda não
existia em nossa cidade, algumas pessoas
tentavam com suas enormes TVs importadas
captar imagens projetadas pela lua,
o legitimo satélite da terra.
Às vezes até conseguiam,
cheias de defeitos, ruídos
e chuviscos, mas conseguiam. Não
queriam assistir os programas de São
Paulo, era o prazer de superar o difícil.
E eu, ainda jovem, admirava aquela
turma.
Quis experimentar, como dirigente
de terreiro, um contato direto com
os umbandistas. Sempre premiando a
modernidade, tentei aconselhado por
meu neto criar um Blog. Chamei Blog
do Pai Maneco. Estou surpreso, não
só com a quantidade de acesso,
chegando a trinta e uma mil páginas
visitadas no ultimo mês, mas
como a sede dos blogueiros de trocarem
idéias sobre a religião,
até mesmo com certa ingenuidade
nas perguntas, muito embora outras
sejam de excelente visão. De
todo tipo. Fiz um tópico chamado
Tema Livre, e já estou no Tema
Livre n.5 porque extrapolou a quantidade
de tópicos permitidos na capacidade
do blog. Do dia 23 de Maio até
hoje, dia 16 e Junho, foram postados
mais de novecentos comentários.
Sem nenhuma duvida que esse canal
de interação e comunicação
dos dirigentes com os médiuns
tem um alcance impressionante, atingindo
vários países, o que
demonstra que a Umbanda já
faz tempo saiu de seu cantinho modesto
e deu um grito revelando sua existência
brasileira.
Se outros dirigentes criassem também
seus blogs, tenho certeza que a nossa
religião iria ser muito mais
popular, mesmo porque, quero render
minha homenagem ao povo que sabe as
coisas que escreve, sem medo e com
muita autoridade. Sei que muito dirigente
iria encolher-se e ter que escrever
o “não sei responder”.
Isso mostra que só assim podemos
sepultar a mesmice dos conceitos e
abrir a comporta da razoabilidade
para o exercício limpo da doutrina
espiritual popular que recebeu o nome
de UMBANDA. Nasceu com o povo e será
modernizada pelo povo.
Essa é
a Minha Opinião!

Maio
2009
O Rio de Janeiro sediava
o Distrito Federal. Naquele tempo
era a Cidade Maravilhosa, onde o malandro
do morro transmitia a figura do sambista
simpático, alegre e camarada.
A bola rolava nos campos de futebol
e o nosso jogador era o artista. O
carnaval explodia de alegria e Copacabana
era o orgulho dos cariocas. Os políticos
viviam nesse paraíso.
O Brasil era tido como o Berço
do Evangelho, segundo diziam os espíritas
e profetas. Os espíritos de
luz, para salvar o mundo, reencarnaram
no Brasil, a terra pura e nova, ecológica
e imensa, rica e ainda inexplorada.
A Umbanda já tinha sido criada
em 1908, mas punha medo no povo e
o preconceito ficou forte. Qualquer
som de atabaque que identificasse
um terreiro imediatamente a policia
prendia todos seus membros. Enquanto
os malandros e jogadores eram venerados,
o umbandista era considerado o marginal
da religião afro brasileira,
o matador de frango e cabrito, o macumbeiro.
Juscelino Kubistchek, o adorável
Presidente do Brasil, prevendo talvez
que os malandros se tornassem os reis
da droga, do vicio e do crime e os
malabaristas da bola de campo fossem
migrar para fora do País, o
carnaval virasse meio de vida e ponto
de briga entre escolas profissionais
do samba e Copacabana fosse palco
de arrastões dos pequenos ladrões,
resolveu tirar o Distrito Federal
do Rio de Janeiro e de uma forma arrojada,
levando tijolo e cimento de avião,
construiu Brasília. Só
não poderia imaginar que estava
construindo uma fortaleza para os
políticos. Na verdade sua verdadeira
intenção era tirar o
Distrito Federal do litoral por medida
de segurança, muito embora
a bomba teleguiada já fizesse
parte do arsenal mundial da guerra.
Mas o Presidente Juscelino era bem
intencionado, apesar de ter inflacionado
o País e enterrado os trilhos
do transporte ferroviário em
favor da indústria do automóvel.
Acho que o Lula já anunciou
que vai voltar com o trem bala. Rio
a São Paulo e São Paulo
ao Rio. Curitiba será atendida
daqui uns anos.
A Umbanda fez 100 anos agora e está
muito mais respeitada. Já está
considerada a nossa religião,
em vias de fazer parte da cultura
imaterial brasileira.
Os políticos estão se
ajeitando dentro de uma vitrine que
está cada vez mais transparente.
Os maus estão sendo descobertos
e os bons estão cutucando as
tocas para que as ratazanas saiam
e mostrem suas caras. O seresteiro
Juscelino iniciou e o peladeiro Lula
está com intenção
de por as coisas em ordem.
Acho que o Brasil
ainda vai ser o berço do evangelho
e para isso os espíritos de
luz criaram a Umbanda, que vai proteger
o brasileiro e seus políticos.
Para isso a Umbanda tem que acordar
e não se deixar esmorecer em
sua caminhada agora que somos a opção
da religiosidade brasileira. Vamos
analisá-la:
Uma religião que prega a igualdade
não pode se gabar de ter hierarquia.
Uma religião que prega a humildade
tem que sair do pedestal da prepotência
e todos os dirigentes devem se tolerar.
Uma religião que prega a defesa
na Natureza não pode deixar
lixos nos seus trabalhos.
Uma religião que prega a saúde
não pode fumar e beber.
Uma religião que prega a caridade
não pode receber moedas em
troca de seus trabalhos.
Uma religião que prega o amor
pelo semelhante e o respeito à
vida não pode matar bichos
e usar seu sangue como elemento de
evolução.
Uma religião tão cheia
de coisas boas tem que acordar.
Essa é a minha opinião!
Abril
2009
Nunca fui simpatizante
de federações ou confederações
pelo simples fato que não senti
em nenhuma delas a clareza das suas
idéias e uma firme proteção
dos seus associados. Por isso o Terreiro
do Pai Maneco, que eu represento,
nunca foi filiado a nenhuma entidade.
Agora eu pedi a filiação
do terreiro à Federação
de Umbanda do Paraná. Sempre
defendi que a Umbanda é Umbanda
e Candomblé é Candomblé.
Eu sou da Umbanda, mas jamais seria
contra o Candomblé. Cada um
tem os seus fundamentos e não
devem se misturar. A simplicidade
do nome Federação de
Umbanda do Paraná e a aprovação
de seus novos estatutos com itens
de grande importância ganhou
a minha simpatia. Destaque para esse
artigo:
ARTIGO 3º - A FUEP tem por finalidades:
I – Congregar e representar
os Templos Religiosos Umbandistas
(Associações, Cabanas,
Centros, Tendas, Terreiros e demais
denominações), seus
médiuns e freqüentadores,
associados nos termos do presente
Estatuto, com os princípios
Éticos, Filosóficos,
Doutrinários e Religiosos,
promovendo a mais estreita harmonia
e fraternidade, e respeitando a diversidade
das formas de culto, ressalvados os
seguintes princípios gerais:
• Não realizar em hipótese
alguma o sacrifício ritualístico
de animais, nem utilizar quaisquer
elementos destes em ritos, oferendas
ou trabalhos.
• Não cobrar pelas consultas,
atendimentos e trabalhos, a Umbanda
é caridade;
• Respeitar o livre-arbítrio
das criaturas;
• Não realizar qualquer
ação que implique em
malefício ou prejuízo
a alguém;
• Preservar e respeitar a natureza
do planeta;
A Federação foi fundada
em maio de 1968, existindo já
oficialmente há quarenta anos.
Isso não se joga pela janela.
Sabendo disso o Paulão e o
Marco Boeing resolveram engrossar
a qualidade do bom momento que a Umbanda
está vivendo e assumiram essa
entidade, demonstrando uma filosofia
definida ao aprovarem esse estatuto.
O propósito dos dirigentes
é enaltecer a religião
e ajudar os filiados prestando interessante
serviço cartorial e social,
inclusive estudando contratos de planos
de saúde para atender os associados
da Federação, além
de muitas idéias ainda não
divulgadas. Acho que essa posição
já faz por merecer todo nosso
apoio.
Acho que nossa legislação
é muito frágil ao permitir
registros e alvarás de funcionamento
para federações que
não mantêm um cadastro
razoável de associados, o que
permite que muitos aventureiros se
aproveitem para receber benefícios
próprios. Claro que existem
ainda muitas federações
que merecem nosso respeito pela sua
tradição no meio da
Umbanda e do Candomblé, mas
é bom os associados exigirem
a transparência de suas ações.
O Terreiro do Pai Maneco está
apostando no Paulão e no Marcos
e vai se filiar a essa Federação
e ainda vai incentivar seus médiuns
a fazerem o mesmo individualmente.
Ao menos enquanto estiver em vigência
o artigo estatutário que me
encantou.
Essa é
a minha opinião!

Março
2009
Uma corrente de Umbanda
apesar da natural diferenciação
cultural tem como objetivo comum o
desenvolvimento de sua espiritualidade
através de treinamento de sua
mediunidade. Ninguém conseguirá
atingir a sua plenitude mediúnica
se não houver intimidade com
os seus dirigentes, muito embora o
respeito deva ser o peso do relacionamento
correto.
Existe muita confusão na organização
da Umbanda, produto de falsos conceitos
tanto dos dirigentes como dos dirigidos.
A hierarquia não tem um comportamento
condizente com a liberdade aceitável
no exercício de uma religião.
O jugo inexplicável que se
submetem os médiuns de corrente
à hierarquia ameaça
a Umbanda de ser uma cópia
do catolicismo, onde o sacristão
obedece ao padre e o padre beija a
mão do bispo. E isso não
é imposição dos
dirigentes, mas uma tradição
da religião que serviu durante
uma época.
O nome hierarquia é muito pesado
para uma religião que prega
a humildade e a igualdade entre os
seres, e sua presença define
a idéia de mandos e obediências.
Pai-de-santo, mãe-de-santo,
pai-pequeno, mãe-pequena, capitães
e ogans formam a equipe de mando em
um terreiro.
Os ogans são os responsáveis
pelo conjunto musical do terreiro.
Cantam e tocam o que a hierarquia
manda.
Os capitães põem ordem
na gira em uma cega obediência
às determinações
do pai ou mãe-de-santo. Mandam
e desmandam nos médiuns da
corrente, permitem ou proíbem
as incorporações.
O pai ou mãe-pequena são
os substitutos do pai ou mãe-de-santo.
Para quem está lendo esse texto,
pode dar uma impressão que
o assunto é irrelevante, mas
não é. Todo o funcionamento
de uma casa de Umbanda vai refletir
na qualidade da religião e,
por isso, ele deve ser feito com muito
critério e bom senso.
Apesar desse comportamento estar enquadrado
dentro da normalidade, acho que devemos
iniciar umas modificações.
Por exemplo, tornar como verdade:
quem manda no terreiro são
os espíritos e não os
dirigentes; os capitães serão
auxiliares no terreiro com o objetivo
principal de ajudar os membros da
corrente; os ogans vão aprimorar
a força dentro de uma suavidade
agradável na musicalidade do
terreiro; e, finalmente, os membros
da corrente terão nos capitães
os grandes amigos para receberem orientação
e apoio nas suas dificuldades no desenvolvimento
de suas mediunidades. Esses fatos
na maioria das casas organizadas já
estão sendo praticados, mas
falta o mais importante: a participação
reconhecida dos médiuns, novos
ou velhos, iniciantes ou já
práticos, pobres ou ricos,
cultos ou incultos ou seja qual for
sua colocação, como
membro efetivo da hierarquia da Umbanda,
mesmo porque eles sairão da
cômoda situação
de simples comandados para a importância
de sua função que é
praticar a caridade, desenvolver sua
mediunidade com o interesse único
de evoluir espiritualmente e serem
os verdadeiros pregadores das coisas
boas que se pratica dentro da religião
brasileira.
Essa é
a minha opinião!

Fevereiro
2009
Nunca participei, mas
sei que existem no mundo inteiro reuniões
religiosas dentro dos lares das pessoas.
Os espíritas tradicionais são
especialistas nisso. Chamam o Culto
ao Evangelho. Não sei se fiz
confusão com os católicos,
mas isso não vai aqui fazer
nenhuma diferença porque só
quero exemplificar. Acho a Umbanda
muito primaria nessa tão linda
atividade. Quando se fala em Umbanda
a idéia é magia e histórias
de horror. As coisas bonitas não
são faladas. Talvez a culpa
seja do umbandista que não
gosta de ser carinhoso e comum. A
notabilidade é um sonho presente
em todo iniciante, isto é,
nos dirigentes também. Tem
gente tão desentendida que
diz ser errado cantarolar pontos musicais
da religião.
Nas cidades onde existem terreiros
bem estruturados, sérios e
que não cobram nada pelos serviços
prestados, as pessoas têm onde
buscar um axé e conhecimento.
Por vários motivos, muitas
pessoas não podem ou não
têm a possibilidade de ir a
um terreiro, mas querem estudar a
religião e, de uma maneira
simples, cultuar os Orixás
da Umbanda.
O Didi, um médium do nosso
terreiro mudou-se para a Bahia e instalou
seu domicilio em uma praia daquela
terra abençoada. Foi falar
com o Pai Maneco confessando sua tristeza
por ter que deixar o terreiro e não
ter mais a possibilidade de conversar
com ele. O paizão recomendou:
“todo mês, durante a lua
crescente, você faça
um jantar para mim, fique concentrado
que eu vou dele participar.”
Encerrou recomendando o cardápio.
Hoje o Didi já reúne
mais de trinta pessoas no jantar,
todos de branco, cantam pontos, falam
e conversam sobre a Umbanda e muitos
doentes, convidados pelo anfitrião
e provavelmente indicados pela entidade
homenageada receberam o beneficio
da cura e da saúde mental.
Hoje são umbandistas devotos.
Não precisaram de terreiro
para isso. Já está ficando
tradicional o encontro no jantar do
Pai Maneco onde a única magia
que se pratica é a do amor.
O interessante dessas reuniões
é que a comida não é
oferecida à entidade em forma
de amalá ou criação
de força. Ao contrario, os
espíritos são convidados
e a dividem com os encarnados.
Varias pessoas, inclusive de países
europeus, têm nos pedido orientação
como devem fazer para ter proteção
dos Orixás para seus trabalhos
de caridade que fazem por várias
formas. Fiquei impressionado com uma
pessoa em Lisboa que atende com conselhos
e ajuda material às mulheres
perdidas na prostituição
e, claro, também quem lhe bate
a porta. É um trabalho de amor,
isolado e feito em nome dos Orixás
da Umbanda. Não existe trabalho
de magia, não fuma, não
bebe, não tem terreiro e muito
menos pai-de-santo. Só trabalha
com o amor, o mais forte elemento
da magia.
A Alice, mãe-de-santo em Florianópolis
trabalha com seu grupo semanalmente.
Ela não tem um terreiro construído,
nem conga ou segurança implantada.
Está fazendo sucesso. Seu terreiro
é a praia, seu chão
é a areia, seu teto são
as estrelas - ou chuva, tanto faz
e sua força vem do mar. Tem
lugar melhor?
Já recebi as devidas orientações
para que o Terreiro do Pai Maneco
preste assistência e proteção
espiritual para todas essas pessoas
que trabalham dentro do principio
da caridade e do amor.
Voltando ao culto familiar aos Orixás,
um grupo pode se reunir, ler e trocar
idéias sobre as histórias
dos Orixás, suas atuações
e influencias nas pessoas, cantar
pontos, ler trechos de livros, conhecer
a história da Umbanda, aprender
sobre banhos de ervas e falar e falar
sobre os espíritos. A única
proibição é se
falar em magia. Isso fica restrito
aos terreiros organizados.
Esse assunto, que será o inicio
da libertação dos seguidores
da Umbanda e o inicio do fim do império
dos dirigentes, deve ser otimizado
pelos terreiros independentes e aplicado
como mais uma forma de desmistificar
nossa religião.
Essa é a minha opinião!

Janeiro
2009
Não é
do meu estilo analisar, reclamar ou
enaltecer o passado. Sou daqueles
que vive o dia de hoje preparando
um amanhã melhor. Ensinamento
do Pai Maneco inteiramente absorvido
por mim. Mas vou fazer uma exceção
falando sobre o ano que passou. Ele
foi para a Umbanda uma fada madrinha.
Um toque mágico e a nacionalidade
da religião foi finalmente
reconhecida como brasileira. E por
isso o governo do Brasil tem que apadrinhá-la
e recomendá-la como nascida
da nossa cultura. Isso aqui, no Paraná
já aconteceu. A Assembléia
Legislativa de nosso Estado criou
o dia 15 de Novembro como data oficial
da Umbanda em todo o Estado do Paraná
e assumiu a obrigação
de tutelá-la. Na Cidade já
existia esse ato criado pela Câmara
Municipal. E, além disso, as
duas casas representantes do povo
abriram sessão especial para
homenagear o dia Umbanda. Foi grande
a presença de nossa gente.
Não sou adepto de festejar datas, porque elas fazem parte do tempo, e ele, o tempo, não existe. Mas não posso deixar de enaltecer o centenário da Umbanda no dia 15 Novembro. Umbandistas do Brasil inteiro reverenciaram a data. E isso foi feito com inteligência e sem exageros.
Há uns quinze anos atrás assisti uma reportagem com um padre de Niterói-RJ. Simpático era afável com o entrevistador e trazia embaixo do braço um surrado violão. Indagado por que a Igreja Católica estava perdendo tantos adeptos ele de imediato apertou o violão e sentenciou que se a Igreja não cantasse iria perder muito mais. O canto, a beleza musical e o samba brasileiro estão dentro da Umbanda. Diante dessa inteligente revelação do padre iniciei uma luta para conscientizar nossos médiuns que a seriedade dos trabalhos da Umbanda pode ser apoiada pela alegria de uma musica de bom gosto. Neste ano que passou a Umbanda cantou e cantou. Grupos musicais e cantores famosos enalteceram o tema musical dos Orixás da Umbanda. No dia 15 de Novembro a engoma do terreiro do Pai Maneco deu um show de alegria e competência e arrancou entusiasmados aplausos do grande publico presente na Ópera de Arame, tradicional local da Prefeitura Municipal gentilmente cedido aos umbandistas para reverenciarem o centenário da Umbanda.
No encerramento de nossas atividades mais de mil médiuns reuniram-se em nosso terreiro e fizeram gira impecável e alegre.
Novos autores escrevem sobre a Umbanda de uma forma bonita, diferente, alegre e esclarecedora. Novos conceitos estão sendo criados em livros simples e de excelente qualidade.
Na modernidade da comunicação pela internet e seus segmentos, os umbandistas do mundo todo conversam, trocam idéias e cobram atitudes mais definidas dos dirigentes. E nessa área o Terreiro do Pai Maneco também teve uma presença marcante. O site www.paimaneco.org.br teve ao longo desses últimos 365 dias a incrível marca de 1.968.848 (um milhão novecentos e sessenta oito mil e oitocentos e quarenta oito) páginas acessadas e 154.718 (cento e cinqüenta quatro mil setecentas e dezoito) downloads de músicas.
Todas essas coisas mexem com as pessoas e comigo não poderia ser diferente. Separei as coisas positivas que aconteceram com a Umbanda nesse ano que acabou e as que aconteceram na minha vida de dirigente de terreiro. Na verdade, depois de cinqüenta anos de atividade e várias conquistas que não vem ao caso mencionar, poderia reivindicar o direito do meu descanso à frente do terreiro do Pai Maneco. Mas, ao contrário, lembrando-me que só os fracos tropeçam no insucesso ou no medo de não conseguir superar seus próprios feitos, estou incentivado a lutar mais ainda por muita coisa que ainda mexe com minha alma. Já apaguei da lembrança os meus últimos cinqüenta anos e inicio hoje um chamamento a todos os umbandistas para que façam da nossa religião uma coisa gostosa, alegre, sem medos ou preconceitos e que nossos lideres, que não conseguem se amar, ao menos se respeitem. Só assim iremos consolidar definitivamente a qualidade dessa religião da nossa cultura.
Acho que todos deviam fazer o mesmo.
Essa é
a minha opinião!

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