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Setembro 2008

Nos próximos dias será lançado o filme sobre a vida do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, interpretado pelo ator Carlos Vereza. Recomendo aos umbandistas conhecer a vida desse médico e hoje líder espiritual da linha kardecista no Brasil. Quem sabe assim possamos reparar uma injustiça que cometemos com os espíritos que não fazem parte da estrutura da Umbanda.

A Umbanda foi anunciada como uma religião nova, brasileira, e que foi criada para que os espíritos de pretos velhos africanos e escravos pudessem trabalhar em benefícios dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, raça, credo ou posição social.

A Tenda Espírita N.S. da Piedade foi fundada com a promessa de: "...a tenda acolherá todos que a ela recorrerem e todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai".
Foi o espírito do jesuíta que em sua ultima encarnação chamava-se Padre Gabriel Malagrida quem anunciou a vinda da Umbanda e o Caboclo das Sete Encruzilhadas foi quem a instalou.

Bem, essas coisas aconteceram faz um século e hoje a Umbanda esqueceu que ela foi anunciada pela primeira vez através de um espírito da linha kardecista, com a intenção de abrir espaço para os espíritos dos negros, índios e caboclos poderem trabalhar e praticar a caridade. Se não fosse ele, que tinha a liberdade para se manifestar em uma casa da elite espírita, a Federação Espírita de Niterói, quem sabe o Caboclo das Sete Encruzilhadas tivesse que buscar outra forma de anunciar a nova religião.

Hoje a situação está assim: os kardecistas continuam achando que os espíritos da Umbanda são atrasados e os dirigentes da Umbanda só permitem a manifestação dos espíritos que se enquadram dentro das linhas relacionadas por seus dirigentes.
Como os espíritos do jesuíta Gabriel Malagrida e do Caboclo das Sete Encruzilhadas viabilizaram juntos a fundação da Umbanda, não seria razoável que os kardecistas abrissem suas sessões permitindo que as entidades de Umbanda pudessem deixar suas mensagens de luz, e os Umbandistas passassem a ouvir as lindas mensagens dos espíritos iluminados da linha kardecista?

Será que o Padre Gabriel Malagrida e o Caboclo das Sete Encruzilhadas estão gostando desses preconceitos? Estamos merecendo o que eles fizeram? Não seria esse um momento de reflexão para abrirmos espaço a um avanço social?
Vejam como as linhas da Umbanda às vezes são injustas: eu posso chamar no terreiro os espíritos dos esquimós, embora não conheça nenhum deles, mas não posso chamar os espíritos do meu pai-de-santo, dos meus familiares de carne, como pai, mãe, avós, irmãos, tios, sogro, sogra, cunhado, primos e amigos.

No terreiro que dirijo, fazendo uso da diversidade, vou tentar reparar essa falha.

Essa é a minha opinião!