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Pai Maneco
 

"Perdão não se pede. Conquista-se."

Comentário

O velho preto angolano deu mais uma amostra de sua sabedoria. O relacionamento humano e social de perdoar ou pedir o perdão é o mais mesquinho e mentiroso relacionamento social. É utopia beirando o cinismo. Tenho comigo que o perdão não existe. Vejam. Se alguém pratica um ato que desperte a mágoa criam-se dois erros: o ato e este feio sentimento, característico de quem desconhece as coisas do espírito. Aprendi a controlar meu emocional. Ao contrário, sinto pena de quem me agride. Deve ser coisa de ogum. Mas quando, por um motivo qualquer sou o agressor, tento depressa reparar o mal causado.

Não em busca da simpatia do agredido, mas para o meu bem estar. Mágoa é uma energia negativa vivendo em nossa aura. É o câncer do espírito. Ele fica vivo e aumenta. Não existe possibilidade de desaparecer sem uma reciclagem dos sentimentos. As agressões são frutos de sentimentos rancorosos. Não costumo vibrar nesta faixa. Talvez por isso não tenho mágoa. Posso sim, ficar irado com meu agressor. Não a misturo mágoa com a raiva. Uma é do espírito e outra é da mente. Na mente dou um jeito. No espírito é bem mais difícil.



"Eu sou Justo. Sei que sou Justo porque vivo entre eles. Isto é conscientização. Entretanto, se eu quiser ser mais Justo que os Justos serei um vaidoso".

Comentário

Com o desencarne de meu pai-de-santo, fiquei perdido. Havia abandonado o espiritismo kardecista. A Umbanda estava dentro de mim. Corri vários terreiros, não consegui identificar-me com nenhum. O que poderia fazer? Abrir um e convidar outro pai-de-santo para dirigi-lo? Voltar às tênues, silenciosas e desprotegidas sessões de mesa? Tinha um compromisso com companheiros na mesma situação e era urgente uma decisão. Mas não conseguia. A idéia de preparar-me pai-de-santo estava latente. Mas por que? Não seria pretensão? Vaidade? Sei lá. Não me decidia. Não sou humilde nem medroso, mas tornar-me pai-de-santo assustava-me. O medo de um retrocesso espiritual pela vaidade dominava minha cabeça. No meio dessas emoções desencontradas recebi a bendita luz do meu protetor e mestre, o Pai Maneco. Falou comigo.

Deixou a mensagem para tirar-me da indecisão. Ele não só deixou a mensagem, mas tomou o cuidado de explicar-me seu significado. Disse: "tenho a consciência da lei dos semelhantes. Se onde estou, todos são espíritos de luz, sou um deles, senão não poderia estar aqui. Isto não é vaidade. É conhecimento. Só não posso pretender ter mais luz, sob pena de ser expulso daqui. O verme da vaidade não pode desgraçar meu espírito. Tomo muito cuidado para isto não acontecer. Cuido muito da minha conscientização. Só através do conhecimento, e entre ele está a humildade, poderei permanecer neste patamar. Vá em frente, incentivou-me. É teu caminho". E fui. E tenho consciência de tudo ao meu redor. Até mesmo o conhecimento da minha vaidade e capacidade para avaliar esta linda mensagem.

A responsável por meu destino. Obrigado Pai Maneco. Obrigado meu Pai Oxalá. Que Ogum me de força. Iemanjá me acolha com seu amor. Oxum burile meu espírito. Iansã me proteja. Oxóssi me torne mais amoroso com a Natureza. E Xangô me faça um homem mais justo.



"Se o boi soubesse a força que tem ninguém lhe botaria a canga".

Comentário

Um médium experiente e maduro queixou-se ao Pai Maneco, com uma frase popular: "a canga está pesada", motivando a resposta acima.



"Se Oxalá Nosso Senhor Jesus Cristo não condenou as pecadoras, não compete ao Terreiro do Pai Maneco julgar quem quer que seja!... Sobre moral, vestimentas e a liberdade de expressão das pessoas no terreiro, não perguntem ao pai-de-santo, mas a mim, que estarei no toco esperando por alguém sem pecado, para discutirmos o assunto".

Comentário

Na verdade, uma pessoa reclamava muito do modo de algumas moças vestirem-se no terreiro, além de ser uma ferrenha critica dos seus irmãos de corrente. Ela levou suas observações a um capitão-de-terreiro que, por sua vez, comunicou o assunto ao Pai Maneco. Foi assim que surgiu a mensagem acima.

 

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