Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sábado, 24 junho de 2017

Pai de Santo

Nenhum Terreiro pode existir sem o mando de um pai ou mãe de santo. Hoje eu reconheço e admito ter tomado a decisão certa. Sinto-me útil sendo um Pai de Santo, além de estar em permanente contato com os espíritos dos quais recebo uma fortíssima proteção o que me tornou uma pessoa sem medos.

 

Sou praticante de uma Umbanda que eu chamo “Pés no Chão”. Uso esse nome porque gosto que nossa religião seja desmistificada de tudo que possa elitizar ou criar hierarquias.  Eu era médium da linha tradicional do espiritismo, no meio do caminho abracei a Umbanda até que em certo momento desencarnou o meu pai-de-santo e eu tive que escolher uma nova etapa como membro dessa religião autenticamente brasileira. Aprendi que para dirigir um terreiro eu tinha que me fazer pai de santo. E eu fiz isso. Fui feito na Umbanda, fiz todas as obrigações nas sete linhas e entidades, e recebi uma guia especial de Pai de Santo que uso com baita orgulho.           

Quando o meu Pai de Santo, Edmundo Rodrigues Ferro, nome da Sociedade Espiritualista mantenedora do Terreiro do Pai Maneco, desencarnou eu não tive como continuar no Terreiro que era comandado por ele, por desencontros com a direção que o sucedeu. Fiquei em uma situação muito difícil. Esse fato já relatei no livro Grifos do Passado. Junto com um grupo de amigos resolvi fundar um Terreiro. Um entendimento com a direção da Faculdade Espírita do Paraná através do seu fundador e diretor Octavio Ulysséia e o meu companheiro Geraldo Cesar Carrano de Almeida, foi instalado o Terreiro do Pai Maneco nas dependências daquela Faculdade, onde ficamos até a construção do atual na Santa Cândida. Estou relatando esse fato para justificar a razão da minha feitura e aceitação como Pai de Santo, pois nenhum Terreiro pode existir sem o mando de um pai ou mãe de santo. Hoje eu reconheço e admito ter tomado a decisão certa. Sinto-me útil sendo um Pai de Santo, além de estar em permanente contato com os espíritos dos quais recebo uma fortíssima proteção o que me tornou uma pessoa sem medos.

Como está explicado um Pai ou Mãe de Santo dirige um Terreiro e sua palavra é soberana, inclusive para escolher seus auxiliares como Pai ou Mãe Pequena que têm como função substituí-los em eventuais ausências ou impedimentos, o Capitães de Terreiro que são auxiliares no comando e direção das giras, dos Ogans que são os responsáveis pela musicalidade. Muitos Terreiros denominam esse grupo como Hierarquia do Terreiro. Por entender que essa palavra dava idéia de mandos, eu tinha substituído essa palavra por “direção do Terreiro”, mas o correto é realmente “hierarquia”.

Bandeira da Amizade