Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, domingo, 17 dezembro de 2017

Um bom médium...

Relendo os textos do Pai Fernando, li aquele que ele explica o que considera um bom médium.

Fazer uma releitura das coisas que ele escreveu me serve de exercício para ser uma boa dirigente e, me desculpem, mas como exemplo vou falar um pouco de mim.

Eu não tenho a vidência dele, tampouco a experiência que ele viveu, pois acredito que mesmo hoje, isto seria impossível.

Os tempos são outros e hoje os espíritos não precisam provar tanto suas existências como provas de materializações ou fenômenos paranormais assustadores.

Eu estive ao lado dele durante 30 anos na Umbanda e, no restante de minha idade, sempre acompanhei suas histórias e suas ponderações. Muitas vezes trocamos ideias sobre assuntos que ele não tinha certeza, pois ele se permitia mudar de opinião se julgasse necessário ou alguém lhe convencesse ao contrário. Mas não vou ficar falando aqui sobre ele, porque se assim fosse, o texto se transformaria em livro.

Voltando aos médiuns.
Eu copio e faço tudo que ele me disse, procuro não mudar absolutamente nada.
Eu não invento, não tiro os pés do chão, não converso com Lúcifer e nem tenho sonhos que me deixam com a pulga atrás da orelha.
Sigo um conselho sábio

Hoje vou ao terreiro me espalhar, Lucilia!”

E não são em todas as giras que eu consigo um bom banho de descarrego ou tenho um tempo para meditar antes dos trabalhos, mas sempre me lembro que nos dias de trabalho algum espírito vai dar um jeito de chegar perto, para procurar uma ajuda, e isso às vezes tira o meu prumo.

Mas daí me lembro que o pai sempre me dizia que é nesta hora que você deve ir na gira, enfrentar os problemas que nos são impostos, pois esta é a nossa função: levar espíritos trevosos para conhecer a Umbanda, oportunizando que eles absorvam os benefícios da nossa religião. Não podemos deixar que eles nos vençam.

Certa vez tive um problema pessoal com uma irmã de corrente. Foi uma situação chata e, no meu interior, não conseguia abstrair a confusão. Eu guardava rancor e me referia à moça com pensamentos não positivos.

Então, Pai Fernando interferiu na situação e resolveu conversar comigo, disse-me para eu parar com isto, pois estava acabando com a vida daquela médium. Aproveitou para me explicar que para uma boa umbandista, alguns sentimentos são proibidos, pois de alguma maneira as entidades potencializam o que você sente e isto já é uma ferramenta de força negativa.

Foi aí que mudei meu pensamento, minhas atitudes, e a moça melhorou. Hoje até somos amigas.
Aprendi mais uma. Ser uma boa médium antes de tudo é ser uma boa pessoa.
Espero que este depoimento sirva para alguém, assim como os conselhos do Fernandão me servem até hoje.

Mãe Lucília
 

Bandeira da Amizade