Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 22 agosto de 2017

Teoria da Vida Eterna

Teoria da Vida Eterna
O tempo é sem dúvida o mais intrigante conceito imaterial que existe no mundo. Já nesta primeira frase encontramos uma grande contradição: se é algo imaterial, como pode existir? Pensando assim, entendemos que se é imaterial, então não existe e já que não existe, não há o que dizer sobre ele.
Pensando melhor, não é bem assim. Para escrever este artigo estou gastando tempo ou posso dizer que preciso de tempo o que leva-me a acreditar que o tempo existe. Sim existe mesmo. Vou provar. Toda nossa vida está baseada no tempo. Nove meses é o tempo que leva para nascermos e a partir deste instante começamos a envelhecer. Envelhecer é a principal consequência do tempo e o que comprova a sua existência. Se não houvesse tempo não envelheceríamos. Seríamos eternamente recém-nascidos? Ou talvez nem tivéssemos nascido e seriamos eternamente o que? O tempo é como o nada. Ninguém nunca viu, mas todos sabem da sua existência. Alguém vai dizer que o nada não existe? É claro que existe. Por exemplo, o que é uma sala? Quatro paredes com um nada no meio. Mas vamos deixar o nada para lá e continuar falando do tempo. Você acorda pela manhã já com o tempo certo calculado no dia anterior para não chegar atrasado ao trabalho. Veja a importância do tempo. Você sempre pensa nele com antecedência. O tempo para chegar ao médico por conta do trânsito, o tempo para trabalhar, tempo para descansar, tempo para estudar, tempo para ler, tempo para pensar, tempo de rir e de chorar. Tempos de alegria, tempos de tristeza, tempo de fartura, tempo de miséria, tempo de progresso, tempo de crise. De tempos em tempos você para justamente para refletir sobre o que você fez ao longo de sua vida e não sabe onde você gastou o seu tempo. Você viveu setenta anos e não teve tempo para nada. Ficou velho e não fez coisas que sempre quis fazer por pura falta de tempo e agora que está velho e doente como consequência do tempo já não tem mais tempo de vida.
E sobre a velocidade do tempo, será que alguém já parou para pensar nisso. Com certeza Albert Eistein já. Segundo sua teoria da relatividade para quem está em alta velocidade o tempo passa mais devagar. Assim, se fosse possível alguém dar um passeio de um ano numa espaçonave a trezentos mil quilômetros por segundo, o que significa ir daqui até a lua em apenas um segundo, pelo menos em teoria para esta pessoa teria passado apenas um ano, mas para quem ficou aqui no planeta azul teriam passado dez anos. Maluco isso. Mas vamos deixar o Einstein de lado e pensar que um minuto com o cano gelado de um revólver encostado na nuca durante um assalto pode demorar horas para passar e aquelas três horas do trabalho na pedreira parece que foi só um minuto. Ninguém viu passar. Se você está com tempo de sobra para fazer alguma coisa o tempo passa rápido, mas os quinze minutos de atraso do médico para te atender porque a consulta anterior demorou um pouco mais do que o previsto parecem demorar horas. É a relatividade do tempo. Já viu o tempo que leva para dizer “sim” na frente do padre? Já calculou o tempo gasto num divorcio litigioso? O tempo na fila do banco, o tempo na estrada para chegar na praia, o tempo para acessar a internet, o tempo para mandar uma mensagem pelo telefone celular. Por falar nisso eu sou do tempo em que usava-se o telefone para falar. Hoje usa-se para tudo menos para falar. Afinal ninguém tem mais tempo para isso. Demora muito. Para agilizar a comunicação inventaram o whats app e os emoticons. Esses emoticons por sinal são fantásticos. É incrível que umas carinhas com três ou quatro linhas possam expressar tantos sentimentos: felicidade, tristeza, ansiedade, contrariedade, amor de amizade, amor de paixão, beijo de bom dia, beijo de tesão. E tem mais, muito mais. Não expressam apenas sentimentos. Tem emoticons para tudo: corações, alimentos, objetos, lugares, pessoas, natureza, gestos, animais. São palminhas, parabéns, ouvindo música, chorando, sorrindo, com sono, doente, rezando, em reunião, noivando. Tem emoticon até para motel. Tem sim é aquele com uma cama e um coração em cima. Uma invenção genial. Quem criou isso gastou um tempo legal e agora nós temos que gastar um tempo para aprender o significado de cada um deles. Tudo para diminuir o tempo e melhorar a qualidade da comunicação. Discar um número, ou melhor, teclar (discar é pré-histórico) é coisa do passado. Mandar e-mail já era. Da hora é emoticon. Deve ser uma evolução da taquigrafia. Logo teremos um tradutor no google de emoticons para português. Sim porque para os jovens é barbada, mas para os velhinhos é latim.
Tudo gira em torno do tempo este vilão universal, inimigo eterno de todos (eterno também é uma medida de tempo). Dizem que o universo é infinito e deve ser mesmo, pois é grande demais. Para mim a questão do universo infinito é um pouco mais profunda. Quando imaginamos o universo infinito imediatamente pensamos no tamanho do universo, mas temos também que pensar em tempo infinito. Então temos um binário espaço-tempo infinito. Se o comprimento do universo é infinito é preciso de um tempo infinito para percorrê-lo e se o tempo é infinito temos que aceitar que ele é infinito para o futuro e também para o passado, ou seja, o tempo sempre existiu para trás e sempre existirá para frente. Isto significa que o tempo é um vetor com a mesma direção e sentidos opostos: foi e será, passado e futuro, tudo infinito. Pronto, transformamos o tempo em algo que realmente existe: um vetor que tem direção, sentido e principalmente intensidade. É sem dúvida a quarta dimensão. Repare que tudo se dilui no tempo. Você quer comprar um apartamento, mas não tem dinheiro. Então inventaram o financiamento que nada mais é do que a transformação de um sonho em realidade com a aplicação da quarta dimensão, ou seja, o tempo. Trinta anos, trezentos e sessenta meses.
Por mais que possa não parecer o tempo é o maior inimigo de todos. Na verdade é um inimigo invencível. Se a principio a gente quer acreditar que no caso do financiamento o tempo foi amigo, esqueça, pois não foi. Depois de pagar doze prestações e com a sensação de que o apartamento já é teu, tudo que se quer é que o tempo passe rápido para terminar de pagar logo. Mas o tempo é cruel e lento (neste caso é pior que a área calma de 40 Km/h). Não adianta, ainda faltam trezentos e quarenta e oito meses para terminar de pagar e eles vão passar lentamente, muito lentamente. O tempo é inimigo dos adolescentes que não veem a hora de ter dezoito anos e o tempo não passa. O tempo é inimigo dos adultos que não tem tempo para nada. O tempo é inimigo dos velhos que queriam voltar no tempo e fazer tudo de novo de forma diferente. O tempo é inimigo do aluno que tem pouco tempo para fazer a prova, ou o trabalho ou a lição de casa; é inimigo do atleta que precisa mais tempo para se preparar; é inimigo da mulher e do homem que percebem o corpo se extinguindo lentamente com o tempo; é inimigo das obras dos homens, dos monumentos, das igrejas, dos palácios, pois tudo se deteriora por ação do tempo. Maldito tempo que não para. Maldito tempo que não passa. Tudo no tempo é relativo. Depende sempre do ponto de vista e quase sempre está contra nós.
Se ele (personificando) é tão ruim assim, por que existe? Melhor seria se não existisse. Tem tantas coisas que se não existissem teríamos um mundo muito melhor: dinheiro, guerras, fronteiras, religiões, maldade, doenças, inveja, ciúmes, intolerância, preconceito, ódio, rancor, mágoas. Por que existem? Ai um dia vem o Pai Maneco e diz:
-O tempo no espaço não existe!
Ops, agora temos que pensar de novo. O tempo no espaço não existe. Então acabou o binário espaço–tempo da relatividade, acabou o vetor, acabaram-se muitos problemas e nós já não temos mais este tão temido inimigo invencível. Mas o tempo está ai, parece real, é real, acabei de provar que ele existe. Que espaço é este a que o Pai Maneco se refere? Será o mundo espiritual, aruanda, o Nosso Lar? Será o espaço físico do Universo que contem as estrelas, os planetas, o vazio, o vácuo, o nada (que também parece que existe). Volta a relatividade do Einstein onde nada é absoluto e onde o tempo passa mais lentamente se o corpo estiver em alta velocidade, quer dizer, quanto maior a velocidade em que estivermos mais lentamente passará o tempo até o limite da velocidade da luz que é de 300.000 quilômetros por segundo ou seja, um bilhão e oitenta milhões de quilômetros por hora onde o tempo simplesmente para, ou seja, deixa de existir, onde ninguém envelhece.
Maravilhoso e genial Pai Maneco, confirmou numa afirmativa curta e simples o que o Einstein demonstrou matematicamente numa teoria revolucionária: o tempo não existe. Se aqui em nosso mundo material temos a sensação da existência do tempo é porque nossos corpos são densos e vibram numa frequência muito baixa que é o mesmo que deslocar-se em baixa velocidade. No mundo espiritual, onde a matéria não existe (pelo menos não da forma que conhecemos) a frequência de vibração dos corpos, digo, dos espíritos é tão alta que o tempo para, ou seja, deixa de existir. Se o tempo não passa, o universo jamais deixará de existir. É o universo infinito demonstrado no mundo material por Albert Einstein e confirmado pelo Pai Maneco. Disso tudo chego a uma conclusão: no mundo material tudo é difícil e penoso. São necessárias teorias complicadíssimas para explicar coisas que no mundo espiritual são de uma simplicidade assustadora. Sim, chega a ser assustadora a simplicidade do mundo dos espíritos diante da complexidade das teorias da matéria. É o preço da evolução. São dificuldades necessárias que levarão os homens à perfeição. Quanto tempo vai levar para chegarmos a perfeição? Não importa, afinal
O TEMPO NÃO EXISTE.
Axé
Pai Caco de Xango
(Pensei em pedir desculpas a você que leu este artigo pelo tempo que tomei, mas pela constatação da não existência do tempo, considero o pedido desnecessário)
18/11/2015
 

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