Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 24 novembro de 2017

QUANTO CUSTA UM TRABALHO DE UMBANDA? - Pai Caco de Xangô

-Alô.
- Caco?
- Sim.
- É a Dadau.
- Olá Dadau., quanto tempo. Tudo bem?
- Sim, ou melhor, mais ou menos.
- O que está acontecendo?
- É por isso que estou te ligando. As coisas vão muito mal. Eu sei que você freqüenta um ...
- Terreiro de Umbanda. O Pai Maneco. Sim. – Respondi.
- Será que você pode me ajudar?
- Não sei. Explique melhor.
- Minha vida não anda, minha família está passando por maus momentos, meu irmão doente, nada vai para frente.
- Vá no Terreiro, com certeza as coisas vão melhorar.
- Que dia?
- O grupo que eu participo é sempre às segundas-feiras, mas tem terça, quarta, quinta, sexta, sábado...
-Então vou amanhã, quarta. Como eu faço?
- Vou ligar para a Mãe Jô e pedir para ela te atender.
- Tá, mas o que eu faço?
- Vá até lá, apresente-se como minha amiga e conte o teu problema. Deixo tudo certo para você. Depois sente numa cadeira e aguarde ser chamada pelo nome.
- Enquanto espero, o que eu faço?
- Concentre-se, pense nos teus problemas, pense no que você quer que melhore, pense em livrar-se das coisas ruins, ouças o som dos atabaques, procure sentir a energia, deixe fluir, mergulhe no ritmo. Duvido que você consiga, porque todos que vão lá pela primeira vez ficam muito curiosos e querem observar tudo. É tudo muito intenso, mas tente.
- Tá e quanto vai me custar?

Neste momento fui pego de surpresa. Não esperava que ela tivesse esta dúvida. Entendi claramente que ela estava falando de dinheiro. Nunca imaginei que ela pudesse pensar que durante todos estes anos praticando Umbanda eu fizesse isso por dinheiro. Apesar do susto, não demonstrei surpresa. Mantive a mesma serenidade e respondi:

- Nada.
- Nada?
- Sim nada. Umbanda não cobra nada.
- São todos voluntários?
- Sim, somos 2000 voluntários.
- Então tá, amanhã vou lá.
-Legal, respondi ainda meio atônito.
-Obrigada.
-Imagina. Boa noite.
-Boa noite, disse ela e desligou o telefone.

Depois de desligar, fiquei pensando: minha resposta não foi boa. Deveria ter dito assim:
-Quanto vai custar?

Olha, vai ser muito caro, nem sei se você vai poder pagar. Primeiro vai custar algumas horas do teu tempo para tentar resolver o resto da tua vida; vai custar o trabalho de explicar o teu problema; vai custar a tua fé e a sinceridade do teu pedido; poderá te custar uma pequena mudança de comportamento se você receber o que deseja e pensa que precisa; pode ser que custe um pouco de gratidão, não por mim, mas pelas entidades que te atenderão e se esforçarão ao máximo para te trazer um pouco de felicidade; talvez te custe um pouco de arrependimento por não ter conhecido a Umbanda há muito mais tempo, mas este custo não terá muito importância, pois sempre haverá tempo de conhecer coisas novas e boas; vai te custar conhecer pessoas que você nunca viu e estão lá para que pessoas como você possam ver aliviados os seus sofrimentos, pessoas que se doam durante algumas horas por semana e ficam a disposição dos espíritos para que eles possam trabalhar e minimizar problemas como depressão, alcoolismo, vícios, dores, doenças, tristezas, lágrimas derramadas aparentemente sem motivo. 

Agora, para que você não pense que este preço é muito alto, deixa eu te contar quanto custou para mim. Custou conhecer uma religião maravilhosa e que evolui sempre, renovando-se constantemente e apresentando novas faces; custou-me o prazer imenso de consumir horas sem fim em conversas com meu Pai de Santo e tantos outros médiuns muito mais experientes que se compraziam em me ensinar tudo que estivesse ao seu alcance; custou-me conhecer uma religião que nos seus cem anos de existência trouxe uma realidade completamente nova na forma de ver a natureza e de conviver com pessoas; custou-me conhecer médiuns fantásticos e entidades maravilhosas que me inspiraram e trouxeram muito conforto nos momentos de agonia; custou-me participar de trabalhos que se contados podem parecer mentira, mas nos quais eu estava lá, presenciei e vi resultados surpreendentes; custou-me aumentar a minha fé um milhão de vezes e nunca duvidar das possibilidades do mundo espiritual; custou-me fazer amigos espetaculares e criar um círculo fantástico de pessoas ao meu redor as quais eu amo incondicionalmente; custou-me deixar de ser agarrado a pequenas coisas materiais sem importância nenhuma e apegar-me a algo infinitamente mais importante como amigos e seus problemas, pessoas e suas vidas, desconhecidos e seus sofrimentos, conhecidos e suas manias, irmãos e irmãs, pais e filhos, jovens e nem tão jovens, famílias, sentimentos; custou-me aprender a amar de verdade e você não imagina como foi alto este custo; custou-me ser feliz demais neste últimos 20 anos e encontrar solução para todos os problemas que iam aparencendo; custou-me a dádiva de incorporar entidades maravilhosas e a cada incorporação absorver uma minúscula partícula sub atômica da sua bondade e benevolência: custou-me conhecer o Pai Maneco, O Sr. Akuan, O Caboclo da Cachoeira e o Sr. Junco Verde, a Dona Maria Redonda e o Sr. Caveirinha, o Sr. Tranca Ruas, o mais poderoso e bondoso Exu; custou-me passar vinte anos estudando, observando, aprendendo e descobrindo. Tem ainda um custo que eu nem consigo imaginar: o custo de ficar mais mil anos estudando e chegar a conclusão que ainda tenho muito que aprender. Mas de uma coisa esteja certa: eu pagaria este preço tudo de novo sem economizar em nada se preciso fosse, faria tudo novamente e com muito mais dedicação, mais empenho, mais atenção, mais amor, pois este custo não foi nada comparado ao bem que a Umbanda fez em minha vida.
Se você puder, pague o preço. Sei que você também não vai se arrepender.

Pai Caco de Xangô

 

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