Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, quinta-feira, 14 dezembro de 2017

Padrinho de amaci

O Amaci, como a maioria dos filhos sabem é o ingresso oficial de mais um elo na corrente dentro de um terreiro. Não confundir com a entrada de um irmão na Lei de Umbanda, em que pese muitas vezes ambas as situações se fundam numa só. Ocorre que alguns filhos podem ser oriundos de outros terreiros, ou ainda um filho batizado na Lei resolve ingressar na corrente posteriormente. De qualquer maneira o assunto que busco neste texto não é exatamente o Amaci, mas a figura do padrinho de Amaci.

Pra que serve um padrinho de Amaci afinal de contas? No meu entendimento o padrinho exerce - ou deveria exercer - algumas funções interessantes e importantíssimas no desenvolver dos primeiros passos de um filho de corrente inexperiente. Seria o padrinho um facilitador, grosso modo. Alguém que soluciona as primeiras duvida do filho novato, principalmente aquelas que, de tão básicas, não são tratadas com a devida importância, ou que atue por vezes antecipando situações pelas quais um filho vai passar. É também aquele que chama o afilhado à atenção e ao bom caminho quando necessário, enfim, alguém que espelha o caminho que o filho gostaria de seguir dentro da gira. E, sobretudo, um filho de corrente mais experiente que possa intermediar a comunicação do iniciante com os capitães da gira ou mesmo com os Pais de Santo, dado que as giras cresceram um bom tanto e a unidade da comunicação e da propagação de idéias perde alguma qualidade conforme o grupo aumenta.

Então, se o padrinho é espelho, ele deve ter uma conduta exemplar dentro do terreiro, principalmente no que se refere ao conhecimento do ritual e ao engajamento com o grupo. Observem que eu disse dentro do terreiro. Porque acho que a conduta de vida pouco importa? Não é este o caso, mas devo me ater ao universo da gira. Muitas vezes, para não dizer quase que maciçamente, um filho escolhe o padrinho por afinidade ou amizade fora do terreiro, mesmo que este não represente nada em termos de compromisso, retidão ou até interesse dentro da gira. Isto faz com que a figura do padrinho perca a função e a força, a tal ponto de hoje estar quase que relegada a uma homenagem a um amigo, ou a escolha de alguém que tão somente insere outrem em um grupo já formado.

Trago este assunto porque noto que a existência do padrinho pode ser de grande ajuda para um filho que acabou de entrar na corrente de um terreiro relativamente grande, e estou certo que sem ele as coisas ficam mais difíceis. É o padrinho que faz um noviço ter certeza que não está sozinho e pode contar com alguém caso as coisas não fluam conforme o esperado. Então a escolha desta pessoa deve ser feita com calma e valores. Sugiro com segurança que se escolha alguém com representatividade, que é engajado e compromissado com o terreiro, que esteja disposto a tutelar um filho novato por tempo suficiente para que ele caminhe pelas próprias pernas. Não necessariamente o filho tenha que ter afinidade com o padrinho. Talvez mal o conheça, mas que já o tenha observado por tempo suficiente para elegê-lo modelo a se seguir. E se for uma escolha equivocada, não tenham constrangimento de eleger outro tutor, mesmo que não oficialmente. E você escolhido como padrinho, igualmente não se sinta obrigado para responsabilidade que não queira ou não se sinta preparado, somente para manter boas relações pessoais. Esta postura de ambos os lados certamente irá resgatar a figura desgastada do padrinho de Amaci, campanha que eu pessoalmente estou conduzindo a partir de agora.

Valeu. Abraços do Gustavo Guimarães
 

Bandeira da Amizade