Meu nome é
Maria Rosa da Conceição, sou filha
de um fazendeiro em Alagoas.
Cresci na fazenda
de meu pai, e me apaixonei pelo capataz da fazenda,
e acabamos nos encontrando escondido de meu pai.
Aos 19 anos, fui
prometida para o filho de um outro fazendeiro.
Mas sem amá-lo e amando profundamente o
capataz da fazenda, resolvi fugir para Pernambuco.
Meu pai mandou nos
perseguir e um dia fomos encontrados pelo novo
capataz de meu pai e alguns jagunços.
Vi meu marido ser
morto por golpes de facão e eu fui violentada
e humilhada por todos que estavam ali e levada
de volta para meu pai com minha filha recém
nascida.
Meu pai me humilhou
e com uma expressão de muito orgulho cuspiu
no meu rosto e no de minha filha e nos expulsou.
Não tive
medo de enfrentar a vida, mas minha filha não
merecia este tipo de vida. Resolvi fugir novamente
para Pernambuco e pedir amparo para minha filha
aos meus tios.
Eles me receberam
não como sobrinha, mas como serviçal
e fui novamente muito humilhada e agredida, sendo
que suportei em nome de minha filha.
Vi minha filha ainda
muito pequena, que mal engatinhava morrer de varíola.
Ai fugi novamente.
Agora sozinha e
sem amparo, não tive alternativa a não
ser me entregar a prostituição.
Nessa vida de orgias,
muita bebida e fumo, acabei por pegar tuberculose
e muitas doenças venéreas.
Passei a ser rejeitada
até pelas prostitutas do lugar e as pessoas
sempre que me viam nas vielas, passaram a me chamar
por puro escárnio de Maria Mulambo.
Os anos se passaram
e fui encontrada pelos meus irmãos, mas
já era muito tarde.
Em um de meus últimos
suspiros, fui visitada e amparada por um espírito...
Maria Padilha que estou ligada até hoje.