Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 25 julho de 2017

Capítulo 7 - Sessão do Copo

Quem ainda não teve a curiosidade de fazer uma sessão do copo? Não recomendo esta brincadeira, pois não devemos jamais evocar as entidades astrais sem um objetivo sério.

Os espíritos usam o copo para fazer suas comunicações. O princípio de que o semelhante atrai o semelhante torna essas sessões amadoras, num grande campo de atração de espíritos brincalhões e perturbadores. Quase sempre o final da reunião é desastroso. Por outro lado, quando feito com seriedade, é muito eficiente, mas, também, cansativo, pela demora na formação das frases.

Uma minha irmã de carne estava precisando de auxílio espiritual e por ela foi solicitado uma sessão especial. Na ocasião, minha linha era somente a kardecista. E foi aos meus companheiros do grupo que solicitei ajuda para dar sustentação à corrente. Éramos apenas cinco médiuns. Um deles, sugeriu fosse a reunião feita através da sessão do copo, aliando sua curiosidade dentro de um trabalho com objetivo da caridade. Concordamos. Reunidos na casa de uma das médiuns que se prontificou ao trabalho, preparamos todo o material. Uma mesa sem pano para facilitar o deslizamento do copo, com papeis estrategicamente colocados sobre ela, recortados com o alfabeto inteiro, e mais dois, onde estava escrito "sim" e "não". Feita a prece de abertura, ficamos concentrados, cada um pondo o dedo médio suavemente sobre o copo, sem nenhuma pressão, para não invalidar a comunicação, aguardando algum sinal. Não demorou, o copo deu sinais de estar mexendo-se. A senhora que estava dirigindo a sessão tomou a iniciativa:

- Existe algum irmão aqui presente? . – perguntou, em voz pausada e solene.

O copo correu para onde estava escrito "sim".

- É irmão, ou irmã?

Da mesma forma, ele deslizando, indicou, letra por letra, até que parou. A pessoa que anotava as letras, quando o copo parou, falou:

- Irmã, foi o escrito.

Neste inicio do trabalho, foi gasta meia hora. Depois foi perguntado se queria deixar alguma mensagem. O espírito disse que sim e escreveu uma mensagem belíssima, que vinha exatamente dentro daquilo que minha irmã, hoje desencarnada, queria saber e ouvir. Já estávamos perto da meia noite, quando a dirigente solenemente perguntou à entidade:

- A irmã quer revelar seu nome?

Foi quando tive a felicidade de ver o espírito que tinha deixado a mensagem. Era a Laida, uma tia minha desencarnada há muito tempo, que adorava a Eny - o nome de minha irmã. Laida era como a chamávamos, pois seu nome verdadeiro era Adelaide. Imediatamente, tirei o dedo do copo, para não exercer sobre ele nenhuma influência física. Pensei comigo: um espírito dizer que quer deixar uma mensagem, que é irmã, e escrever algo bonito, pode ser falado por qualquer um. Um de nós ali podia estar empurrando o copo com o dedo, mesmo inconscientemente. Quero ver agora, o copo escrever Laida. E vi. Ele foi para o L, para o A, para o I, para o D e voltou para o A. Fiquei maravilhado com o trabalho, sua seriedade, e seu resultado. Mas, também, fiquei cansado, pela monotonia do desenrolar da sessão. Afinal, pelo método simples da comunicação dos espíritos incorporados nos médiuns, aquele diálogo que durou quatro horas, levaria menos de cinco minutos.

Bandeira da Amizade