Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, terça-feira, 22 agosto de 2017

Capítulo 30 - A Cigana Manon e o Caboclo Akuan

Gosto demais de uma entidade da linha dos ciganos, a Manon, principalmente quando usava como médium a Fátima, hoje agregada à igreja evangélica.

Sorte dos evangélicos, pois tenho certeza que ela é uma correta e dedicada integrante da igreja, como foi enquanto freqüentou o nosso terreiro. A Cigana Manon trabalhava tanto na linha dos ciganos como na quimbanda. Por ser da linha neutra, tem acesso à gira dos exus. Enquanto trabalhou em nosso terreiro ela foi uma estrela deslumbrante, sempre deixando belas mensagens de amor e fé.

O Caboclo Akuan, em uma gira, quando incorporou, contou uma passagem da esperta cigana Manon.

- Estava no Humaitá, quando o guardião da porteira veio me avisar que tinha alguém na entrada querendo falar comigo. Era a Cigana Manon, trazendo um papel que segurava cuidadosamente na mão. Ela me fez a entrega desse papel. Era uma relação de pedidos para eu atender. – concluiu, rindo.

Humaitá, o lugar dos oguns. Como ele é bonito! Tive a felicidade de conhecer uma parte, quando o caboclo passou para minha consciência a fotografia do lugar. É um imenso campo, cercado por uma paliçada, como se fosse um forte. Não tenho como explicar esta visão: é indescritível! Mas aprendi: até no Humaitá existe guardião. E a Cigana Manon ficou na entrada, o que evidencia a proibição do acesso às outras entidades no lugar sagrado dos oguns.

Passado muito tempo, num final de gira, mesmo incorporada no meio do terreiro a Fátima dava sinais de não estar bem. Foi uma cena constrangedora, ver a Manon não conseguir dominar seu cavalo. Eu corri em seu socorro, pedindo ajuda para a corrente:

- Todos devem ficar concentrados! Vamos ajudar a Manon!

Talvez superestimando o potencial mediúnico da excelente médium, a corrente hesitou e a vibração não ficou como eu queria, o que em nada ajudou a Manon. Dava para perceber a angústia da médium, e o esforço do espírito para dominar a situação. Foi quando o Caboclo Akuan incorporou, de forma inesperada, sem ponto de chamada, como fazem as entidades, quando é necessário. Obviamente, pelo simples fato dele incorporar na linha da quimbanda, toda a corrente ficou apreensiva. Ele pediu um toco, e sentado nele, no meio do terreiro, dirigiu a palavra à corrente:

- Contei para vocês, faz muito tempo, que recebi a visita dessa Cigana no Humaitá. Só não contei quais foram os pedidos que ela fez. No papel que me entregou, os vários pedidos eram em favor de cada um de vocês, não tendo sido omitido nenhum nome. O pedido era para a corrente.

O silêncio dominou o terreiro. Os médiuns entreolharam-se, surpresos com a revelação. O corpulento índio fez uma revelação:

- O que ela está pedindo em troca é a vibração de cada um de vocês para ela ajudar seu cavalo.

Dentro de uma das mais fortes vibrações criada no grupo, a Manon conseguiu dominar seu cavalo e sair, mais uma vez, triunfante do nosso terreiro, desta vez tendo como compensação da sua bondade o amor sincero de toda a corrente. Essa é a força da umbanda...

Bandeira da Amizade