Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 18 agosto de 2017

Capítulo 12 - Transformação

Fui visitar meu sobrinho Benno, em seu escritório de advocacia. Conversávamos sobre espiritismo, quando ele me fez um convite:

- Fernando, estou freqüentando um terreiro de umbanda. Não quer conhecê-lo? – perguntou.

Eu? Claro que não. Sou contra qualquer tipo de ritual. Já tenho meu grupo, que você conhece, e não tenho nenhuma intenção de conhecer outro tipo de religião, principalmente essas de macumba e de baixa categoria. Não conte comigo e te aconselho a se afastar o quanto antes dessas religiões afro-brasileiras. - retruquei contrariado.

Pondo final à visita, despedi-me, dando as costas, e me dirigi à porta. Foi quando senti a aproximação de meu guia espiritual, e ouvi, dentro de minha cabeça, no ouvido, sei lá onde, um berro austero, determinado e, até certo ponto, zangado:

-Vá!

Não pensei duas vezes.

-Qual o dia das reuniões? Perguntei, humildemente.

- Hoje, Sexta-feira.

- Como é o nome e quem é o médium?

- Tenda Espírita São Sebastião, dirigida pelo Edmundo Ferro.

- Você me leva?

-Te pego às oito...

Enquanto ia para casa, pensava. Por que o irmão Maneco quer que eu vá em terreiro de umbanda? Logo eu, contrário a esse tipo de religião, tão presa a rituais. Lembrei-me de uma passagem que ocorreu durante uma sessão na linha kardecista. Incorporou em um médium o espírito de um índio, e dava vibrações, cadeira por cadeira, ordenando a todos:

- Bata a testa três vezes na mesa.

Na minha vez, quando deu a ordem, respondi-lhe em súplica:

- Meu irmão, peço-lhe, com todo o respeito e do fundo do meu coração, que me dispense dessa formalidade. Se cumpri-la, vou ferir todos meu princípio contrário a qualquer ritual dentro do espiritismo.

Se a entidade gostou, não sei. Passou direto, sem nada dizer. Ainda envolvido pelos meus pensamentos, e de certa forma até excitado, aguardava meu intrometido sobrinho, não imaginando o quanto ainda lhe seria grato.

Bandeira da Amizade