Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, domingo, 23 abril de 2017

Mitos e Verdades

por Leonardo Guimarães

Exu precisa incorporar torto.
É claro que não precisa, que isso é mito. Esse é um sintoma de incorporação muito comum na Umbanda, principalmente nos médiuns mais novos. Com o tempo a entidade vai fazendo sua parte, refinando a incorporação ao mesmo tempo em que afirma gradativamente as singularidades de sua personalidade.

E se tem duas coisas que Exu tem bastante é personalidade e singularidade. Daí há de se dizer que é a linha de trabalho em que mais o médium pode se sugestionar, exigindo-lhe uma autofiscalização constante e muito crítica.

Exu é sempre, ou quase sempre, ereto e altivo, e essa coisa de ficar se entortando feito o corcunda de Notre Dame é mais influência do folclore do que outra coisa. Porém, há Exus, sim, que se valem de uma chegada mais marcada, mais carregada de densidade, assim como podem apresentar variação de padrão de incorporação conforme a energia de cada gira. Assim, o médium iniciante não deve esquentar
com isso, ao contrário, deve deixar a energia correr naturalmente, manifestando da forma mais espontânea possível, como sentir vontade. Então, com a evolução do processo de desenvolvimento, as correções serão feitas ao seu tempo, tanto pelas entidades como pela hierarquia de terreiro. Pior que um Exu que se contorce é médium iniciante queimando etapas, tentando imitar padronagens de incorporação
de médiuns mais adiantados.

Não se deve acender vela com isqueiro
Não, não se deve acender vela com isqueiro. Assim como a roupa deve ser branca e não bege claro, as velas de um amalá devem ser sete, nem seis nem oito, na Umbanda vela se acende com palito de fósforo e não com isqueiro. Ninguém sabe ao certo a razão, mas Pai Maneco assim afirmou e para nós isso basta. Coisas da Umbanda. Creio que os Pretos Velhos e Caboclos não curtem muito certas modernidades.
– Mas e se eu estiver em uma ilha deserta, quiser acender uma vela e o único fogo disponível for o de um isqueiro, o que faço?
– Pegue um pequeno graveto, acenda-o com o isqueiro e depois acenda a vela com ele.
– Digamos que não haja nenhum graveto na ilha...
– Então você pode acender com o isqueiro sem problema.

Não se deve acender uma vela em outra vela.

Também é verdade que não se deve acender uma vela na outra. Em nossa religião uma vela deixa de ser somente cera e pavio assim que é acendida (com fósforo). Passa a ser um elemento de magia, de conexão espiritual, de fogo sagrado. Então não se deve acender uma vela na outra porque cada vela tem uma energia e uma finalidade, e tal seria misturar o que não se pretende. Por exemlo, se eu acendo uma vela branca para Iemanjá e depois quero acender uma vela branca para Oxalá, não posso usar o fogo da primeira pois esse fogo já pertence a Iemanjá, já vibra Iemanjá. Qualquer vela que eu acenda usando o fogo dessa, será, por transferência, mais uma vela de Iemanjá.
– Mas e se eu estiver em uma ilha deserta, quiser acender uma vela e o único fogo disponível for o de outra vela, o que faço?
– Nesse caso, se não tem jeito, pode acender uma vela na outra que o Orixá dá jeito...
É assim a Umbanda.

Editorias: Mitos e Verdades.

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