Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 24 março de 2017

Gira dos animais

Fotos: Tiago Ceccon

Texto: Thiago Guimarães
Fotos: Tiago Ceccon

Animais tem o mesmo tratamento espiritual do que humanos no TPM
Pretos Velhos, Erês e Caboclos trabalham para um único bem: a cura dos bichos

Ogum montado em cavalo, Boiadeiros com boiadas ou Ciganos galopando na linha do vento. Não podemos ignorar os animais dentro da Umbanda. Eles fazem parte de uma vida espiritual e da força de algumas entidades. Pensando nessa força os dirigentes do terreiro resolveram abrir um espaço para o tratamento de animais. O trabalho acontece toda última quinta-feira do mês. Julie, Zhara, Lola,
Minuano e Luck são alguns dos participantes.

Regina Stresser é dona da Lola, uma vira lata de 1 anos 2 meses. Ela é a única sobrevivente de uma ninhada de quatro cachorros. Há um pouco mais do que três meses ela se contaminou com cinomose. Não andava, não latia, era magra e abatida. Até que um dia Regina levou a mascote para a gira dos animais. “Queriam sacrificar e eu sou muito apegada a ela, preferi fazer um tratamento espiritual. Já realizei vários exames e agora dá negativo. Ainda tem algumas sequelas da doença, mas hoje ela já late, está mais forte e os movimentos da perna estão voltado.” O tratamento foi feito pela entidade Bibi, Erê da mãe pequena Denise, que comanda os trabalhos. Segundo Bibi a cura dos animais não tem outra explicação além de amor: “O amor dos bichos somado com amor dos homens, proporcionam a cura”, explica.

 Tiago CecconOutra frequentadora da gira é a Julie, de 10 anos. Sua dona, a Camila Todesco, sempre que pode, leva a Julie para tomar vibração. Todesco diz que mesmo com o tratamento espiritual não deixou de levar o bicho no veterinário: “Ela tinha câncer mamário, a veterinária operou e desde então ela está se recuperando”.

Caroline Ramos, da gira da mãe Jô de quarta-feira, levou Zhara, uma fêmea da raça Kuvasz. Ela tem um problema no quadril, o processo de recuperação é lento, mas mesmo assim Caroline acredita na recuperação. “A companheira dela já morreu e eu não quero que aconteça o mesmo com ela, então resolvi trazer para a Gira dos Animais.” Ela conta que tem mais três cachorros Izzy, Zoe e Luna, não duvide se  encontrá-las por lá se consultando com alguma entidade.

 Tiago CecconE quem pensa que só é cachorro que vai consultar com as entidades está enganado. O caso do Minuano, um cavalo, surpreendeu até a Bibi.
“Eu tratei ele pela foto. Nem precisou vir até aqui”, diz enquanto distribui ossos caninos energizados pela gira. Bruno de Almeida participa da corrente da Mãe Eli, e quando os veterinários detectaram um câncer no quarto traseiro do Minuano, ele não pensou duas vezes. “Trouxe uma foto e foi trabalhado no ponto para ele se recuperar.” Ele tinha emagrecido 50 quilos e Bruno estava desesperado. Minuano realizou um processo cirúrgico para a retirada do tumor e hoje está quase bom. Pesa 390 quilos, o ideal é 480. No dia do aniversário de Minuano, Bruno arrumou uma gaiola apropriada e o levou para o terreiro. Assim, na comemoração de cinco anos, ele ganhou pessoalmente um axé da Bibi e
de todas as entidades que ali trabalhavam.

Pai Fernando já falou sobre as almas dos animais, no Livro Grifos do Passado, capítulo 41. Se você tem alguma dúvida, peça uma vibração para o Caboclo da Pantera, tire a águia do Caboclo Akuan ou então fale para um Boiadeiro que é mais fácil controlar uma boiada do que um
ser humano.

Os gatos, os cães e os cavalos são reconhecidamente videntes, enxergando os espíritos, o que demonstra possuírem a terceira visão, a qual no homem está alojada no chacra espiritual. Se existe nos animais o terceiro olho, ele tem que estar também dentro do espírito, igual ao homem, o que reforça a tese que eles têm alma e podem sobreviver à morte.”
Pai Fernando em Grifos do Passado

Editorias: Rituais.