Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, domingo, 23 julho de 2017

Crônica

por Jurema Ribeiro

Eu tenho bem distintas na minha vida duas fases, uma antes da Umbanda e outra depois.

E quando falo em Umbanda, falo em Terreiro Pai Maneco porque antes meu conhecimento sobre essa religião maravilhosa era apenas de ouvir falar e de alguns passes de fundo de quintal - não querendo desmerecê-los, mas que eu só procurava quando me era conveniente.

A primeira vez que fui ao Terreiro Pai Maneco foi através de uma amiga que me falou que frequentava, que era bacana e pensei: por que não? Vamos lá conhecer o tal terreiro.

Tudo combinado e na segunda-feira lá fui eu, com minha amiga e minha filha, meio desconfiada, meio assustada. Para meu completo espanto, no caminho do terreiro, minha amiga contou que aquela noite a gira seria de Exu.

Nem preciso dizer que quis voltar do portão dizendo: “Que baixaria Beralice! Exu? Eu não vou entrar aí nem a pau! Se fosse Preto Velho ou Caboclo eu entrava, mas Exu?”.

Porém, diante da possibilidade de entrar ou voltar para casa de ônibus, e depois de ela pacientemente me explicar que antes dos Exus haveria um trabalho com Ogum, entrei.

Lembro-me que fiquei em pé perto da porta, pronta para sair caso algo estranho descesse por ali. Mas o que vi foi um grupo de pessoas de branco cantando e um senhor, que me causou ótima impressão, frente a um “altar” rezando um Pai Nosso.

E quando os atabaques ressoaram, e eu pude ver e sentir aqueles espíritos chegando, alguma coisa rompeu dentro de mim. Não conseguiria explicar em palavras o que senti, foi uma emoção que palavras não exprimem. Tudo em mim vibrava, meu corpo, minha mente, minha alma! Eu só conseguia pensar e sentir que tinha encontrado o que há muito procurava. Uma sensação de “voltei para casa”.

Nem preciso dizer que fiquei para a gira de Exus, que aquela energia me abriu novos horizontes, acabou com meus preconceitos e meus medos desapareceram. E há quase 10 anos tenho o privilégio de fazer parte da corrente dessa casa, de ser filha de santo do Pai Fernando de Ogum.

Muitos dizem se entra para a Umbanda pelo amor ou pela dor, eu definitivamente entrei pelo amor.

Editorias: História.

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