Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 28 julho de 2017

A Umbanda é Minha História

por Giselle Quaesner

Aline Cardoso de Oliveira, gira de quarta-feira à tarde.

“Desde que entrei me sinto outra pessoa. Eu estou mais calma, tenho mais paciência, consigo pensar, organizar meus pensamentos, não explodir, me sinto muito bem aqui.” Há mais ou menos um ano e meio, Aline veio ao Terreiro do Pai Maneco por indicação de uma amiga. Porém receava prosseguir com o interesse pelo espiritualismo, pois veio de uma família muito católica que limitava suas ideias e vontades.
Todavia, começou a frequentar a assistência do terreiro e incorporou durante uma gira de Pai Beco, que lhe deu duas opções: ou parava de frequentar o terreiro ou passava a trabalhar sua mediunidade. Aline passou a trabalhar logo que conheceu a gira de quarta-feira à tarde, pela qual se apaixonou. “Nunca senti vontade de não vir, sempre pensei no terreiro: ai que delícia, eu amo estar lá.”

Marlizete Soares Barbosa, gira de quarta-feira à tarde.

“Fui guiada por Deus para esse lugar. Porque pedi a Deus: meu Pai, se eu tenho uma missão a cumprir, por favor me ache um caminho porque eu não aguento mais buscar, buscar, buscar e não achar.” Natural de uma família de médiuns, Marlizete encontrou no terreiro um equilíbrio para sua mediunidade fortemente receptiva. Conhecia a espiritualidade desde o início da vida, pois seu avô já profetizava coisas a seus doze filhos. Sua mãe não quis desenvolver a mediunidade, passando a Marlizete uma forte energia a ser lapidada. Para isso foi  necessária uma busca pelo lugar ideal para trabalhar: “E encontrei! Fui muito bem acolhida pelo Pai Beco, pela Mãe Eli e pelo pessoal da gira também.”

 

Mara Lucia Travassos, gira de quarta-feira à tarde.

“Eu sou médium desde criança, médium intuitiva. Nunca incorporei. Então uma das dúvidas que eu tinha era essa: se entrasse para a  Umbanda, o que ia fazer?” Desde a sede na Faculdade Espírita, Mara Lucia frequenta o Terreiro do Pai Maneco. Contudo, por sua dificuldade
em se sentir pertencente aos lugares que visitava, nunca havia pensado em se tornar membro da corrente. O que mudou quando conheceu a gira da Mãe Eli. “Nunca achei que eu me encaixava em lugar nenhum. E na gira seguinte ao Amaci eu senti que eu pertenço a essa casa, pertenço a gira, que é a minha gira.” Com três filhos e uma nora também freqüentadores do terreiro, Mara se sente muito feliz por ter toda a sua família presente no terreiro em que pode trabalhar independente do tipo de mediunidade que possui. “O que entendi é que mesmo que eu não incorpore, estou contribuindo pra gira, estou dando firmeza pra corrente, estou doando energia e posso cambonear. Acho que essa ansiedade algumas pessoas têm também em relação à incorporação, então é interessante falar que mesmo não incorporando você tem condição de contribuir.”

Editorias: História.

Bandeira da Amizade