Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, quinta-feira, 14 dezembro de 2017

Ritual de Abertura

por Caroline Carvalho Fornos

“Eu vou abrir a nossa gira com fé. Eu vou luzir a gira com dedicação. Pedindo a Deus e a to dos os santos a luz e o manto da proteção.
Gira, gira, gira dos caboclos sem sua gira eu não posso trabalhar. Eu vou chamar as sete linhas da Umbanda sempre com a força de Ogum.
E receber o bem que vem de Aruanda para to dos e para qualquer um.”

Esse é um dos pontos cantados em nosso ritual de abertura da gira. Sua letra é forte e se você estiver concentrado e cantando com toda sua fé e sua alma, vai garantir que essa energia vibre até o final da gira. Em contrapartida, pergunto: quantos já não se flagraram viajando na abertura da gira? Pensando na novela das oito, no desempenho do time de futebol que joga daqui a pouco, no dia pesado, na saia rasgada da médium do lado, na alpargata marrom do médium do outro lado, e por aí vai.

O ritual de abertura é o momento em que você concentra toda a energia que vai utilizar durante o trabalho.

O ritual de abertura é o momento em que você concentra toda a energia que vai utilizar durante o trabalho. Se estiver conectado e souber absorver a vibração que circula neste momento no terreiro seu trabalho será pleno e certamente vai sobrar energia boa até a próxima gira. É também um momento de harmonização do médium com todas as energias e vibrações evocadas durante o ritual. Quando Pai Fernando de Ogum começou a estruturar sua gira, há 26 anos, apareceu em suas mãos um vinil chamado “Abertura e Encerramento” do pai de santo Carlos Bubby, de São Paulo. Baseado neste trabalho acresceu pontos criados por médiuns e entidades especialmente para o nosso terreiro. Assim surgiu nosso ritual. E por falar em ritual, a Mãe Jô de Oxum vai nos ajudar a esclarecer a importância de cada etapa de abertura da nossa gira.

Hino de Umbanda

Um hino tem por finalidade exaltar o valor e qualidade de alguém ou de algo. Com o Hino da Umbanda não poderia ser diferente. Devemos sempre cantá-lo com entusiasmo, contentamento e admiração tamanho é seu significado: luz divina que refletindo sob a terra nos banha de paz e amor, nos dá força e nos conduz ao crescimento nos incitando a seguir, sempre levando a bandeira de Oxalá.

Bate a cabeça

Quando todos batemos a cabeça fazemos reverência a nossa religião, as entidades da casa e aos nossos guias. O significado do gesto é: eu respeito, eu concordo, eu confio e acredito na Umbanda. Em suas leis, nos guias espirituais que dirigem os trabalhos, assim como em seus dirigentes.

Anjo da Guarda

Nada mais é do que nossa essência espiritual, que tem existência infinita e anterior a nossa personalidade, ou seja, aquilo que somos hoje.

Prece de abertura

cantado
em prece a Oxalá e Omulu, os dirigentes fazem uma oração, cada um ao seu modo, pedindo aos guias e protetores da casa e dos trabalhos amparo e proteção.

Ponto de abertura

Momento em que, com fé e dedicação, pedimos às sete linhas da Umbanda e à força de Ogum muita luz e proteção. Entoamos a proteção de Ogum porque é o Orixá que rege nossa casa uma vez que nosso dirigente, Pai Fernando, é filho de Ogum.

Saudação a Engoma

Esse é o momento de saudar um dos maiores e mais importantes pilares da Umbanda: nossa “alma musical”, nossos sambas e atabaques. A Engoma é o conjunto dos três atabaques: Rum, Rumpi e Lé, tocados pelos ogans sob a chefia de S. Ogan Kaian, espírito responsável pelo mantra através da música. O trabalho dos ogans é de grande responsabilidade, já que no terreiro a força dos pontos cantados trazem as vibrações e entidades para trabalhar.

Saudamos as sete linhas da Umbanda cultuadas no TPM: Oxalá, Ogum, Iemanjá, Oxóssi, Oxum, Xangô e Iansã.

Saudação aos Orixás da Umbanda

Saudamos as sete linhas da Umbanda cultuadas no TPM: Oxalá, Ogum, Iemanjá, Oxóssi, Oxum, Xangô e Iansã. Pedindo a presença da energia de cada um desses Orixás, pois cada um traz uma vibração e tem função diferente.

Saudação às entidades do terreiro

Neste momento são saudadas as entidades que trabalham com os dirigentes do terreiro Pai Fernando de Ogum e Mãe Lucilia de Iemanjá nas linhas de: Pretos, Caboclos, Erês e também na linha neutra. São estas entidades que coordenam o trabalho espiritual do TPM. Cada dirigente, em seu respectivo dia de trabalho, saúda seus guias e protetores também.

Saudação ao Exu Tranca Ruas da Porteira

Neste momento nos viramos de frente para a casa onde está a firmeza do Sr. Exu Tranca Ruas da Porteira – a tronqueira. Este Exu é  responsável por cuidar da entrada e saída de todos que participam dos trabalhos. A função dele é abrir e fechar as portas dos trabalhos.

Editorias: Rituais.

Bandeira da Amizade