Gira
de Quimbanda sempre envolve
uma emoção a mais.
A gente já sente, na
espinha, como vai ser o trabalho
da noite ao levantar. Já
na saudação a
S. Omulu, o coração
bate diferente. É uma
energia muito próxima
da nossa, uma linguagem que
nosso corpo entende.
Chegam exus e pombas giras.
Vêm abrir caminhos, escutar,
tratar e cuidar de quem precisa.
E ainda há quem duvide
de sua intenção
e sua sabedoria. O texto abaixo
pretende, justamente, enfrentar
essas opiniões.
Este relato, uma aula de sabedoria
e humildade, foi todo retirado
de uma entrevista com a Velha
do Cemitério, entidade
muito conhecida e respeitada
da Quimbanda, e minha avó
querida.
Espero que todos gostem.
________________________________Caroline
Lipca Fernandes
Eu sou
a Velha do Cemitério.
E é a Velha do Cemitério
que escolhe quem entra e quem
não entra.
Então, além de
cuidar dos mortos, eu sei quem
manter vivo.
Magia
O homem desde
que é homem e a mulher
desde que é mulher, ambos
praticam a magia. Mas a magia
foi praticada principalmente
como subsistência. A magia
era praticada pra caça.
Filho, não existia culinária.
Ninguém comia por comer.
As pessoas comiam para se nutrir
daquela energia. Os homens já
tiveram a telepatia, mas perderam.
E agora esse é o resgate.
Para que a humanidade não
só acredite, porque acreditar
é fácil. Mas para
que a humanidade passe a praticar
essas percepções
que não são as
que os filhos estudam na escola,
sabe? Talvez num futuro mais
próximo as crianças
já estudem isso no colégio.
Por que é só com
essa afinação
dos sentidos que o homem vai
poder acreditar que ele é
a imagem de Deus, sabe? Mas
pra isso nós temos que
vir assim mesmo, né?
Porque não adianta a
gente falar só com os
que sabem, a gente tem que falar
justamente com os que não
sabem. Esse é um dos
papéis que eu exerço.
Porque assim filha, como na
vida, cada um tem várias
atribuições. Então
você pode ser chamada
pra falar do que estuda, do
que trabalha, do que faz. Estou
falando pra você dessa
minha função específica.
A Umbanda
Por mais que
as pessoa digam que não,
a Umbanda só cresce.
E a Umbanda é do solo
que se pisa. A Umbanda é
brasileira.
Agora estão retomando
as questões da importância
do Brasil no plano espiritual
ocidental, que é pra
isso que nós temos trabalhado
todo esse tempo. Pra tirar de
vocês as mazelas de um
cristianismo politizado e imbuído
pela busca do poder sem, contudo,
comprometer a imagem crística
- porque ele foi um ser de luz
que veio. Por isso que ele é
Oxalá, por isso que ele
é Omulu no espelho. É
aí que nós estamos
trabalhando.
Leis da Umbanda
A Umbanda tem
uma lei maior, que é
a lei do amor. A partir da lei
do amor, os espíritos
vão colocando cada um
na sua casa, do jeito que eles
sabem que para aquela determinada
comunidade vai ser mais fácil
o exercício do amor.
Por isso há tanta diversidade
dentro da Umbanda. Porque o
amor, em sua essência,
é emanação.
Em conceitos humanos, ele é
acima de tudo respeito, humildade,
sabedoria, doação
e generosidade.
As leis da Umbanda, como as
leis terrenas, também
são transformadas de
acordo com o grau em que as
pessoas se encontram. Então,
se a lei da Umbanda hoje é
essa, daqui a 50 anos o que
vai permanecer da lei é
o exercício do amor e
da caridade. As demais leis
são feitas para se adequar
a cada situação
terrena específica.
No começo
da Quimbanda, tinha um monte
de exus.
Mas acontece que exu não
gosta de obedecer.
Então precisava de uma
velha muito velha pra mandar
neles.
Aí tem eu, filha.
Eu ajudo e cuido deles.
Quando eles precisam, é
no meu ponto que vêm buscar
energia.
Quimbanda
Os homens têm
que entender o espírito
da irmandade. Os exus não
são nada diferentes da
Fraternidade Branca. Isso também
não se comenta muito,
mas nós somos uma fraternidade
a serviço da Umbanda.
A Quimbanda sempre à
serviço da Umbanda, essa
é a lei.
Esse tipo de
transmutação metafórica
tem que se aprender a fazer.
Porque a função,
principalmente da Quimbanda,
é de dar o entendimento
para vocês. Parte do entendimento,
né, senão vocês
vão achar que estão
todos loucos. Porque os orixás
estão tão lá
em cima, e se ficarem na vibe
deles vocês desconectam
da Terra. E nós viemos
aqui porque nós somos
os exus que fazem a Umbanda
pé no chão.
Sobre ser exu
Nós, exus,
somos uma egrégora.
Eu sinto a maior
honra de trabalhar como pomba
gira. E sabe porque, filha?
Porque eu gosto de sentir como
vocês sentem. E não
que isso seja maior nem menor.
Eu não acredito - posso
estar enganada -, mas eu não
acredito que algum dia vão
deixar de precisar do nosso
serviço. E com todo o
respeito que eu tenho, eu gosto
de ser exu. Eu gosto de ser
exu em tempo integral.
O trabalho dos exus
Os exus até
hoje são mal-interpretados.
Mas o que eu nós sabemos
é que somos os mais parecidos
com vocês, que são
filhos de Deus. E sendo parecidos
com vocês, que são
filhos de Deus, nós também
somos filhos de Deus. Nós
também aprendemos com
os filhos.
E exu trabalha
a energia da terra, assim como
todos os orixás. Mas
o exu é o caminho dos
orixás, é ele
que faz a ligação,
que pega a filha e faz a filha
falar com o orixá. Eu
gosto de dizer que nós
estamos numa posição
privilegiada porque os filhos
precisam da gente e os orixás
também. Porque os orixás
estão tão lá
em cima que sem nós eles
não conseguem se fazer
perceptíveis para os
filhos. Aí os filhos
teriam que estar muito em paz,
em tranqüilidade, levando
uma vida que não é
a vida urbana. E nós
gostamos da civilização,
sabe?
Agora, essa é a nossa
roupagem. Aqui, nessa terra,
nessa época. Mas as encarnações
da gente são muito pregressas.
A minha, né, filha?
O exu que trabalha
na encruzilhada é o exu
que vai definir, vai proteger,
vai orientar o filho, “vai
pra lá, vai pra cá”.
Nós, que somos do cemitério,
dizemos “não adianta
vir pra cá, nem ir pra
lá, porque não
tem por onde escapar”.
A Velha do Cemitério
Eu sou realmente
um espírito muito antigo.
E não que os espíritos
sejam mais novos ou mais antigos,
mas o meu ciclo de convívio
na terra é um ciclo de
convívio razoavelmente
grande e que me torna apta a
compreender as dificuldades
do ser humano. Então,
eu quero mesmo é voltar
pro lugar do exus. Eu quero
ficar é nessa metáfora
que é o cemitério.
Porque o cemitério é
uma metáfora, é
uma metáfora do desuso,
da saudade, do culto a aquilo
que não se tem mais.
É uma metáfora
das nossas próprias origens.
E é daí que eu
sou, das origens.
As origens, assim como o cemitério,
elas são insondáveis,
não dá pra saber
nem como começou, nem
como vai terminar. Então
uma das provas de que a coisa
não vai terminar sou
eu, porque ninguém sabe
onde a coisa começou.
Vocês
são, como muitos outros,
a luz da Terra.
A luz que desceu para a Terra.
O planeta
e os homens
Pisar nesse chão
já deveria ser mais que
suficiente para você entender
que você está pisando
em uma terra sagrada. Toda Terra
é sagrada. Mas nesse
chão, nós estamos
trabalhando para que os filhos
reconheçam que a Terra
é um ser vivo. E eu garanto
pra você: não tem
um brasileiro que não
tenha tido uma benção
de um preto velho, uma ajuda
duma benzedeira. Até
os que tenham vindo pra cá
dos países chiques. E
nós temos que equilibrar.
E desculpe tocar nessa questão,
que não é muito
falada, mas nós temos
que equilibrar, aqui na América
do Sul, o excesso de materialismo
que tem na América do
Norte.
Nós trabalhamos o tempo
inteiro para o equilíbrio
da Terra.
E vocês pisam numa terra
que tem uma ancestralidade muito
pura e muito próxima.Vocês
não se dão conta
por que vocês moram aqui.
O sagrado aflora da terra. Essa
é a energia que a gente
trabalha. A energia do corpo
como aceitação
de que o ser humano também
é um animal. Porque este
vínculo não pode
ser perdido nunca. Vocês
fazem parte desse organismo.
E os desequilíbrios que
acontecem são causados
quando vocês acham que
já chegaram na luz.
Porque a luz é um objetivo,
mas é um objetivo infinito.
O ideal é que se mantenha
a ordem cósmica, pois
é óbvio que nós
trabalhamos também em
outras esferas. E quando fala-se
de outras esferas, fala-se tanto
das esferas imateriais que circundam
o planeta Terra, como outras
esferas materiais que são
os espelhos da terra - que são
os outros planetas, onde outras
vocês também gostam
de mim. É sério.
Porque a idéia do Universo
é a idéia da célula.
Então não tem
porque os filhos ficarem com
medo de acabar o mundo, de ficarem
achando que o mundo está
se autodestruindo por que são
ciclos. E esse ciclos são
necessários para a humanidade
se compreender como uma.
Ser umbandista
Nós, exus,
mostramos que as encruzilhadas
são as veias de vocês,
é a circulação
- que é o que o umbandista
tem que praticar. Porque não
adianta ser umbandista no terreiro
e sair dizendo que á
católico. O papel maior
é fora do terreiro, porque
vai levar a vibe por onde anda,
por onde caminha, levar a nossa
luz. E aí nós
vamos atrás de vocês,
catando os que tem que ser cuidados,
que tem que ser protegidos porque
tem um papel importante - ou
não, porque importante
também é relativo.
O Pai
Maneco é o que eu mais
conheço como luz.
Ele é luz que se comunica
conosco, é o que eu vejo
mais próximo do amor.
Por isso o Pai Maneco é
a lei.
Terreiro
do Pai Maneco no astral
Filha, eu vou
tentar explicar pra você:
os desencarnados, desencarnam.
Aí, se viesse todo mundo
pra cá não ia
ter cavalo que chegasse. Então
o que é que se organizou?
Se organizou uma corrente de
desencarnados para atender a
assistência dos desencarnados.
E esses filhos do Pai Maneco,
principalmente o S. Geraldo
- que chamou o Andir, outro
amigo dele - obtiveram a permissão
de organizar um trabalho em
que continuam tratando do processo
mediúnico dos desencarnados.
Tanto os que eram da gira e
desencarnaram, quanto os que
entraram para a gira já
desencarnados. Explico, filha:
você tem alguém
muito querido que desencarnou.
Você reza, pede ajuda.
Esse alguém pode entrar
para a gira dos desencarnados
para atender a assistência.
E aí a assistência
é uma coisa mais de imantação
energética. Forma-se
uma energia de luz desse grupo
de desencarnados que tem as
guias, aí os espíritos
mais leves vão se chegando
e vão compondo essa assistência.
E eles vão ficando melhores,
como nessa assistência
aqui de vocês, dos encarnados.
É tudo muito parecido
filha, só que sem a carne,
com outra densidade, com outra
leveza.
Eu tenho
o pé na lama, eu tenho
o pé nas caveiras
Porque eu conheço o passado
e eu não tenho medo dele.
Energia
Os filhos nunca
prestam muita atenção
nas coisas que a gente diz,
né? Mas a gente sempre
aconselha a não freqüentar
lugares pesados. Essas coisas
de balada.
Vocês que estão
sendo purificados o tempo inteiro
às vezes pegam umas coisas
pesadas que nos dão muito
trabalho para tirar. Isso não
deixa de ser uma caridade, porque
vocês vêm aqui,
nós temos que ajudar.
Mas, pra vocês, seria
muito melhor uma vida sem fumo,
sem carne, sem droga, sem exageros
emocionais. Mas isso é
a perfeição. E
também nós não
vamos ficar no pé de
vocês porque é
bom uma festa, né?
Eu gosto da moçada
que fala vibe porque eles não
tem noção de como
isso é verdadeiro. Eles
falam meio de brincadeira, mas
o que importa, filha, principalmente
pros desencarnados, que não
tem a carne, é a vibe.
Proteção
A proteção
é uma coisa engraçada.
A proteção tem
tudo a ver com a vibe.
Tem uns filhos que já
nascem bem protegidos, e tem
os filhos que ainda têm
que aprender tanto a pedir proteção
como a se proteger. Porque os
espíritos que vêm
proteger, eles vêm ensinar
você a futuramente se
proteger. Porque a maior parte
dos problemas que os filhos
enfrentam são problemas
gerados por sua própria
ignorância diante de determinada
situação.
E mais do que proteção,
vocês têm que pensar
em vulnerabilidade. Porque a
proteção só
vai existir quando algo ou alguém
está vulnerável.
E não tem melhor jeito
de aprender do que aprendendo.
Então às vezes,
quando o filho acha que não
está sendo protegido,
é quando ele está
mais aprendendo. Mas que a proteção
existe é inquestionável.
E a proteção existe
também pro ladrão,
que tem de dar de comer pros
seus filhos.
Eu digo pra você que sou
protetora de muitos foras da
lei. Porque a lei da Terra é
uma coisa esquisita. A falta
de equanimidade dos bens materiais
gera uma série de atitudes
que não aconteceriam
se as pessoas tivessem as mínimas
condições de vida.
Mas, por outro lado, as pessoas
que têm as melhores condições
de vida têm maiores problemas.
Filha, sabe porque é
bom ser exu?
Porque nós exploramos
esse mistério dos homens.
E pra nós ainda são
misteriosos. Por isso que a
gente ainda vem aqui, pra conhecer
cada um de vocês. Porque
aí eu sei que você
quer minha proteção,
quer que eu esteja perto de
você. Você pede
minha proteção,
eu te dou. Isso parece aquelas
coisas de mafioso, só
que vocês não tem
noção do que é
a escuridão. Porque a
Terra é magnífica.
A escuridão na Terra
é uma escuridão
boa, é a escuridão
dos ciclos da Lua. A escuridão
do plano astral é uma
escuridão com sofrimento.
Por isso vocês não
se assustam tanto quando a gente
diz que tem que fazer o que
é certo, porque vocês
não tem noção
do que é o sofrer sem
carne.
Por isso que a Terra tem que
ter sofrimento, filha. Por que
se os filhos não sabem
o que é o sofrimento,
não sabem o que é
a alegria.
Carma
Isso é
uma coisa que a Maria Conga
fala e que eu aproveito dela.
A Terra durante muito tempo
era um planeta de expiação.
Hoje considera-se que o planeta
Terra é um planeta escola.
Então é assim:
você está na escola
e tem que fazer um trabalho,
mas você não faz.
Tem que fazer o ano de novo.
E se você não estuda,
você não passa
e tem que fazer tudo de novo.
Isso é carma, filha?
Não, isso é o
passo que você tem que
cumprir e não conseguiu
cumprir ainda. Isso, filha,
faz parte do aprendizado. E
você tem que fazer de
novo não porque você
é ruim, mas porque você
não tava pronto ainda.
Entendeu?
A noção do carma
para os povo orientais é
muito bem compreendida. Para
os povos ocidentais que ela
veio substituir o castigo celestial.
Então, o que a Velha
não quer que aconteça
é que se pense o carma
como castigo, mas que se pense
o carma como aprendizado. Como
uma lição, sabe?
Aí quando se aprende
a lição, passa
de ano.
Destino
O destino do
homem deve ser a luz. Este é
o destino comum a todos.
Mas, filha, a luz só
existe porque existe a escuridão.
E essa questão do destino,
eu tenho dificuldade de entender.
Porque os filhos só conseguem
pensar no destino de uma vez
só em cada encarnação.
Só que o destino dessa
encarnação é
o fragmento dessa encarnação,
a lição dessa
encarnação. E
aí entra no problema
da diferença de você
com carne e você sem carne.
Por isso que os filhos se tornam
vegetarianos, para ficar sem
carne no corpo pra ver como
é.
O que eu quero dizer, filha,
é que há uma dificuldade
em equilibrar livre arbítrio
e destino. Muitas vezes o livre
arbítrio é confundido
com permissão pra fazer
burrada. E muitas vezes o destino
é confundido com carma.
Então, por enquanto,
é importante que os filhos
pensem que o destino de cada
um é a luz, porque aí
fica mais fácil de enfrentar
as dificuldades. E aí
fica mais fácil vocês
entenderem que o destino é
uma junção de
forças cósmicas
que procuram trabalhar na luz.
Porque o destino pode se cumprir
nessa encarnação,
pode se cumprir na outra.
E o que pra vocês é
o destino, pra nós é
a somatória dos aprendizados.
Porque o destino é um
destino só, de cada indivíduo.
Mas eu garanto pra vocês
que aqui, em todas as encarnações,
vocês vão encontrar
pessoas que estão em
busca do mesmo destino. Aí
tem que saber não se
deixar levar pelo egoísmo,
que é a fonte do ciúme,
né? Porque ciúme
é egoísta, a posse
também é egoísta.
E a sem-vergonhice também.
Então a hora em que as
pessoas tiverem consciência
da seriedade de uma relação,
aí vai ficar fácil.
Demanda
A demanda, a
grosso modo, é a junção
de uma energia negativa que
se dirige pra um lugar, a uma
pessoa. É fruto desses
sentimentos impuros que ainda
residem na gente. A demanda
ela pode ser deliberada, com
o uso da magia, ou ela pode
ser inconsciente - por isso
não se pode condenar.
Porque na Terra, infelizmente,
todo mundo demanda. Salvo raras
exceções, de espíritos
elevados.
Só o fato do seu namorado
sair com outra e você
ficar com raiva dela, já
faz você demandar contra
ela.
Sabe? O moço tenta te
provocar ciúmes, a mulher
nem sabe e você já
tem raiva dela. Você está
demandando contra ela, você
está mandando uma energia
de medo seu pra ela. Entendeu?
O gato quando sente medo se
eriça, o polvo solta
tinta, o leão ataca e
o homem roga praga!
Disso os orixás não
tem mais compreensão,
porque eles já passaram
disso. Mas nós temos,
porque nós somos de matéria.
Uma matéria que não
é do mesmo agrupamento
molecular do de vocês,
mas que não deixa de
ser matéria. É
uma matéria mais diáfana.
Mas nós também
sentimos isso. Nós também
sentimos tristeza. A tristeza
é uma coisa terrível.
A tristeza é a demanda
que pegou. Então quando
você ficar triste, manda
embora, porque alguém
está curtindo essa parte.
Quiumba e trevoso
O trevoso é
aquele que não quer a
luz, aquele que tem fobia de
luz, que é fotofóbico.
Já o quiumba é
aquele que não sabe o
que fazer. E quando você
não sabe o que fazer,
tem sempre um outro pra te mandar
fazer coisa errada. Por isso
que os quiumbas vem, cada vez
menos, mas vem, porque nós
cuidamos deles.
Vou explicar pra você:
se tivesse alguém pra
lavar nossas roupas, seriam
os quiumbas. Porque um dia eles
também vão estar
no lugar da gente. O quiumba
pode se transformar num exu.
O trevoso vai levar mais tempo,
sabe? Porque a transformação
é mais intensa.
O quiumba, podendo ser ajudado,
ele gosta, porque não
é fotofóbico.
Ele é quase como um órfão
de pai e mãe que não
sabe entender como é
a força do amor.
(O relato
acima é fruto de uma
entrevista realizada na gira
de Quimbanda de 5 outubro de
2009, no Terreiro do Pai Maneco.
)
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