O Exu Tranca Ruas das Almas, estava andando no terreiro, carregando entre os dedos uma cigarrilha, com seu cambone ao lado.
Parou na frente de um homem, e perguntou:
- Sabe por que o meu nome é Tranca Ruas?
- Estava, neste momento, pensando em lhe fazer esta pergunta. Respondeu o homem, demonstrando assombro. Acho um nome estranho. Completou.
- Na rua vive o homem sem lar; na rua vive o bêbado; a rua é o escritório do ladrão; na rua existe a droga e o vício; na rua está o desamparado; na rua vive a meretriz; na rua anda o desesperado; a rua é habitada por todo tipo de marginal. Eu tranco toda essa infelicidade. Esclareceu e, sem esperar resposta, continuou patrulhando o terreiro.
O lado folclórico da umbanda, faz do exu uma entidade violenta, praticando tanto o bem como mal, todo espalhafatoso, mal-humorado, proibido de vir na umbanda, e, dizem ainda, que a luz das velas do congá lhe faz mal e por isso, o altar sagrado deve ser apagado e fechado. Não posso concordar com isso. Não é o que vejo e, muito menos, o que eles fazem. Alguém perguntou ao Exu Tranca Ruas se ele também faz o mal.
- Meu filho, faz quinhentos anos que desencarnei e ainda venho nos terreiros agüentar vocês para ganhar minha evolução espiritual. Você acha que sou burro?
- Mas dizem que, em outros terreiros, o senhor não é assim. Voltou à carga o insolente.
- Se usam meu nome e o aceitam, o problema não é meu.
O Pai Maneco, quando questionado com pergunta semelhante, disse:
- A linda borboleta já foi antes da clausura, uma feia lagarta. O exu já foi lagarta, a quimbanda hoje é seu casulo, e logo poderá voar e a todos encantar.
- Por que dizem negativo e positivo? Se a quimbanda é negativa, como pode ajudar?
- Vocês perguntam muito e pouco sabem. Olhe aquela lâmpada, iluminando este lugar e a todos nós. É o encontro perfeito do negativo e do positivo. Se você tirar o negativo, ela se apaga. Finalizou, encerrando a questão.