Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, sexta-feira, 23 junho de 2017

Perguntas e Respostas - Orixás / Entidades

A única coisa que se deve evitar é tentar prejudicar o próximo através das entidades. Certa vez, um exu ao receber um pedido de uma pessoa para retirar um inquilino de sua propriedade, respondeu que iria atendê-lo assim que localiza-se uma casa mais barata e confortável para o inquilino.

Como eu acredito que os semelhantes se atraem, acho que os índios descendentes da linha de ogum deveriam ser menos compreendidos e por isso mais solitários e talvez até mais violentos. Deviam ser retraídos. Isso é puro palpite.

Oxum é uma vibração da Natureza que habita as águas doces e as cachoeiras. Nesta linha cósmica várias entidades se manifestam e o exemplo do elemental chamado Iara é bem apropriado. Existem algumas entidades, caboclos que cruzam na linha de Oxum. Em nosso terreiro dois deles se manifestam: o Caboclo Beira Rio e Caboclo da Areia Branca, esse com ponto cantado que pode ser ouvido em nosso site.

A Jurema é o feminino de Oxossi, enquanto que Iansã é o feminino de Xangô.

Não pode mudar porque nascemos de uma centelha divina e se essa centelha estiver sob a influência e um orixá, não tem como mudar.

Normalmente com sete anos. É uma data simbólica. Às vezes a proteção natural de um infante pode interferir no jogo.

Oxalá tem sincretismo sim com Jesus Cristo. Os Orixás são vibrações cósmicas, portanto não incorporam. A incorporação se dá por eguns, ou seja, espíritos que já tiveram encarnação na terra.

A energia do povo cigano é muito envolvente, daí o fascínio pelas entidades dessa linha, entretanto eles não têm o direito de tomar para si a proteção das pessoas, muito menos exigirem exclusividade. Cigano ou Cigana respeitadores dentro desta linha na umbanda, é apenas auxiliar das entidades maiores. Se uma entidade da linha cigana insistir em ficar ao lado de alguém deve ser afastada porque não é entidade de luz, exceto se veio para abrir o caminho para as outras entidades.

Orixá Cósmico são os que vêm do espaço e são forças cósmicas. Imagine o espaço dividido em sete pedaços e cada um deles é uma força (Oxalá, Ogum, Iemanjá, Oxum, Iansã, Oxossi e Xangô) e cada encarnado nasce sobre essa influência e cada um deles age em uma força da terra (Ferro, Mar, Água Doce, Tempestades, Natureza e Pedras e Raios) Orixás se diz também às entidades. É um tratamento carinhoso de nossa parte. Por exemplo: Caboclo Tupinambá é meu Orixá, Esses podemos dizer são os que você. Chama “não cósmico”.

Na Umbanda as entidades incorporam nos médiuns. No Candomblé não acontece isso. Prefiro não entrar em detalhes porque não entendo nada de Candomblé. O que eles diferenciam é que o Candomblé existe o uso do sangue como elemento de trabalho e na Umbanda não.

Ogum é Ogum em qualquer lugar. Os Oguns que atuam no mar são chamados da falange do Beira-Mar, mas são Oguns.

Quando trabalhava na linha kardecista o nome do Pai Maneco era Irmão Maneco. O seo Zé Pilintra era apenas Zé, o Caboclo da Cachoeira era só Caboclo. Na verdade eu já era mais ou menos questionador e não praticava o espiritismo kardecista radical. Era livre atirador.

Acho o número 7 um limitador e vai ser até quando não sei. Um dia, talvez, os umbandistas tenham mais coragem para quebrar esses folclores.

A característica de Ogum, que vem com uma armadura, é porque nós fizemos esta formatação de símbolo. A Umbanda é cheia de folclore, e o folclore é aproveitado pelos espíritos. Um Ogum é qualquer filho de Ogum. O simbolismo pode ser o Romano, mas o espírito incorporado é o Índio.

Pode, mas está errado. A música determina que linha está sendo chamada. Os Pretos-Velhos e os Caboclos podem trabalhar juntos, mas cada um vem em seu ponto de chamada.

Não cultuo Omulu como Pai de cabeça. Essas distorções o tempo vai ordenar.

O Preto-Velho, quando era vivo, tinha o seu Orixá como nós temos o nosso. Hoje, como espírito um Preto-velho, carrega seu Orixá, como o Pai Maneco que é filho de Iemanjá, mas trabalha na linha de Preto-velho e não na de Iemanjá.

No Kardecismo não se cultua Orixá, só o espírito. Eles não cultuam a vibração cósmica. Mas existem espíritos que trabalham tanto no Kardecismo como na Umbanda.

A tua pergunta é muito interessante. Das entidades que você mencionou como “novas”, vamos tirar o Caboclo Junco Verde que tem manifestação tradicional em todos os terreiros, tanto que o ponto cantado é do folclore. Quanto ao Pai Maneco, esse é um nome por ele revelado na linha kardecista quando ele incorporou pela primeira vez. Disse “...podem me chamar de Maneco” . O então Irmão Maneco do kardecismo, é hoje o Pai Maneco da Umbanda. Já recebi noticias que ele se manifesta em outros terreiros. Quanto ao Caboclo Akuan tem que ser anotado um fato: ele não é um nome fantasia. Na história dos índios brasileiros aparece seu nome, inclusive existindo o dialeto dos Akuens. Quando ele se apresentou para mim, disse que seu nome era Akuen, mas a pronuncia era “Akuan”. Para que seu nome não fosse alterado  escrevo Akuan.

Para quem tem intimidade com os boiadeiros sabe o quanto eles são poderosos e trabalhadores. Atuam desde a cura até a manipulação da linha da esquerda. Por ser uma linha neutra os boiadeiros tem acesso direto com os exus e trabalham assim com muita naturalidade mas sem perder a sua marcante identidade. Eles dizem que são filhos do sol, da lua, do vento, da chuva, dos trovões e da mata. A Natureza é quem os domina. São especialistas em cuidar de coisas da família, o que eles, tanto quanto os ciganos, tem um respeito muito grande. Eles quando encarnados viviam em conflito: amavam suas famílias, mas as deixava em favor de seus deveres de boiadeiro. Por isso suas cantigas sempre falam de amor e saudade.

Claro que nem precisa falar de sua força e determinação.
O que os distingue dos demais é que são extremamente austeros.

Seu Zé Pilintra é a entidade mais cultuada no Brasil. Ele gosta de trabalhar e sempre encontra um cavalo disponível para lhe servir, muito embora prefira um dirigente de terreiro.

Bandeira da Amizade