Terreiro de Umbanda do Pai Maneco, domingo, 26 março de 2017

Perguntas e Respostas - Mediunidade

Também essa resposta é verdadeira, desde que o Caboclo seja o Pai de Cabeça, que é o mentor espiritual aquele que manda e organiza  tua vida espiritual.

Nós não podemos jamais deixar de considerar em primeiro plano o direito que temos ao nosso livro arbítrio. Esse direito perante os espíritos é sagrado, e se isso acontecesse, os colocaria como interferindo em nosso carma. Provavelmente quando vc fez a opção as entidades deixarem de interferir, embora seja provável que tenham ficado ao teu lado para ajudar no que lhes fosse permitido.

O médium, como o próprio nome diz, é o meio de comunicação entre os espíritos elevados e os consulentes. Como ser humano também está em evolução espiritual e talvez suas mazelas estejam sendo experimentadas para seu próprio desenvolvimento, o que não nos cabe julgar. O treinamento e o aprendizado da concentração são de grande importância durante a incorporação e nas subseqüentes consultas, pois com isto o médium consegue separar sua vida cotidiana do trabalho espiritual a ser realizado, formando assim uma terceira energia com as entidades mais eficiente.

A Umbanda é uma religião misteriosa às vezes, mas sempre será norteada pelo bom senso. Esta afirmação está baseada em um dito folclórico, que esperamos que seja esquecido com o tempo. Como toda religião,a Umbanda promove o reencontro com Deus de várias formas,você pode freqüenta-la sem ter qualquer forma de compromisso com o terreiro. Se você busca um equilíbrio maior pode fazê-lo através dos passes magnéticos nos terreiros e casas espirituais, conversas com os guias e às vezes, até mesmo com uma integração maior com a natureza.

Há aqui mais uma afirmação baseada em folclore e que deve sim ser desmistificada. Hoje, após cem anos do inicio da religião, sabe-se que a auto-hipnose é um processo natural de proteção da mente humana que ocorre diariamente pra proteção contra o stress, sem necessidade de nenhum estimulo externo, conforme citam vários autores especializados nesta área. A incorporação se dá por um processo divinamente maravilhoso, mas infelizmente ainda desconhecido da ciência e dos terreiros. O que causa a mistificação nas incorporações são as informações erradas que o médium recebe e sua conseqüente falta de conhecimento. Antigamente era muito perigoso o uso do atabaque porque a Umbanda era proibida e o som era um meio fácil das autoridades policiais encontrarem os terreiros. Por opção alguns terreiros hoje não usam o atabaque. Nos do Terreiro do Pai Maneco usamos além dos atabaques vários outros instrumentos musicais,porque acreditamos que Umbanda é alegria e a música é inegavelmente uma de suas fontes.

A incorporação, momento mágico onde ocorre a junção do espírito comunicante e o médium-chamada de terceira energia-é um ato divino, que não possibilita medir a responsabilidade do médium e muito menos da entidade. O que podemos falar é sobre a responsabilidade do médium anterior à incorporação. Este deve seguir as orientações de seu dirigente para sua preparação física,mental e espiritual anterior ao inicio da gira.

A formação do médium é de extrema importância na criação da terceira energia. No terreiro não há segredos e há uma grande liberdade de conversas sobre a nossa religião entre os médiuns e os pais e mães de santo. São promovidas aulas básicas, encontros culturais, disponibilizados dvd´s com estes encontros, além, logicamente deste site que como o terreiro é de livre acesso a todos. No Terreiro do Pai Maneco não há espaço para dúvidas e mistificações.

Toda ação corresponde a uma reação. Se um médium agir desta forma seu padrão vibratório será tão baixo que se torna inevitável a aproximação de mesmo padrão, atraídas pela lei dos semelhantes.

A lei do livre arbítrio é imperiosa. Por mais que as entidades protetoras assim o desejem, não podem evitar que o médium ande por caminhos errados, quando a opção é dele. Logicamente, como bons pais, eles farão o possível para orientar antes que o pior ocorra. Essa orientação se dá por intuições, comunicações, sinais e outras formas possíveis entre os guias e o médium.

Isso nada mais é do que um mito dentro da Umbanda: como se existisse uma entidade que vai desenvolver o médium para depois seu pai-de-cabeça incorporar. Veja no meu caso, trabalho com o Pai Maneco há cinqüenta anos e com meu pai-de-cabeça, o Caboclo Akuan, há vinte cinco anos. Então meu desenvolvedor foi o Pai Maneco? Será que essa entidade se prestaria a ser “meu desenvolvedor?” Eu acho que desenvolvedor é aquele que desenvolve. Na Umbanda quem desenvolve a mediunidade no médium é seu pai-de-santo.

Quando o médium age de forma errada as entidades podem se afastar para que ele aprenda com os próprios erros. Isto faz parte da evolução espiritual, contudo, como um pai nunca abandona seu filho, os guias atenderão seus pedidos, desde que estejam dentro da ética da Umbanda.

Não há formas de bloquear este dom divino, que todos possuem em maior ou menor grau. Há outras formas sim da pessoa obter equilíbrio, sem necessariamente participar da gira.

Estando sempre atento e com bom entrosamento com seus dirigentes.

Nem genética e muito menos cármica. É a lei de semelhantes.

Cada caso é um caso e não há como generalizar. As causas vão desde a doação de energia e ectoplasma até problemas pessoais. Ao se obter o equilíbrio estes sintomas são mais facilmente controláveis.

Na linha do espiritismo tradicional, quando os médiuns estão sentados na mesa, as pontas é que seguram a corrente, tanto que, quando algum problema existe, e nesses médiuns que cai a carga. Entretanto, os médiuns que ocupam esse lugar normalmente estão preparados e têm essa função especifica no grupo, ou seja, alto poder de concentração e dificilmente incorporam. Na Umbanda existe uma diferença enorme, porque não são as vibrações dos médiuns que seguram a corrente, ficando isso mais por conta do canto, seguranças previamente fincadas e do pai-de-santo. Usando o bom senso não vejo como, ao menos no transcorrer da gira, que as pontas segurem a corrente.

Não devemos confundir Umbanda com o espiritismo kardecista. Na linha kardecista a concentração mental é a segurança, e por isso que eles ficam em silencio e olhos fechados. Na Umbanda quanto mais o médium se envolve com a musica, o que não deixa de ser uma forma de concentração, mais a corrente fica firme. Só que as linha são bem diferentes.

O treinamento da intuição é separar o real do irreal. Tem que saber quando é intuição e quando não é, senão a pessoa começa a entrar no mundo da ilusão e da criação imaginativa. A intuição é a percepção de um fato do presente. O passado e o futuro é devem ser desprezados na lida da intuição.

Sim, isto acontece mesmo. Mas não espere que o guia diga que você está com um obsessor. Você tem que pedir, não para que o levem embora, mas sim para que encaminhem este espírito para um lugar de luz. Eles estão sofrendo por não saberem e se conscientizarem da situação em que se encontram, que não tem nada a ver como que a pessoa viveu na terra evolutivamente. As pessoas morrem e os seus espíritos ficam uns com consciência do desencarne, e outros não sabem que desencarnaram e ficam revoltados,com o estranho pouco caso que os encarnados lhes dispensam. Nós não podemos medir o estado do espírito pelo que ele foi quando ocupava o corpo carnal.

Fique atento na música durante a incorporação, que você entrará no ritmo certo.

Através de amalás e muito treinamento da intuição.

Humildade e comunicação com os espíritos. O pai-de-santo é o dirigente do terreiro, a sua filosofia deve ser respeitada, e não devemos esquecer que se ele se propõe a exercer esse cargo tem que proteger todos os membros do terreiro.

O que eu mais levo em consideração para fazer um pai-de-santo é sua conscientização de que terá uma árdua tarefa. Quando eu era membro da corrente, sem hierarquia, o meu problema era atender três entidades. Hoje tenho que me preocupar com todas as entidades de todos os membros do terreiro, além de suas vidas pessoais. Não é uma tarefa fácil, mas acaba sendo gratificante quando as coisas acontecem positivamente. A vaidade eu deixo por conta dos espíritos, que eles dão um jeito de colocar o pai-de-santo no caminho da humildade. Eu não gosto de julgar ninguém. Muitas vezes aqueles que nos parecem incompetentes acabam nos surpreendendo. Nós como pais e mães de santo temos que entender que também é um exercício de humildade dar oportunidade as pessoas que vão se preparar porque elas vão precisar de ajuda, como eu já precisei e ainda preciso.

Por influência das vidas passadas ou mesmo por uma intuição presente de entidades que ficam ao lado, pode acontecer essa lembrança. Não sei se isso que acontece (você não mencionou o nome), mas se for sugiro muito cuidado nessa atividade. Como as lembranças são fortes, seria bom um desenvolvimento mediúnico sem fazer uso das lembranças (por simples zelo) que depois quando a mediunidade estiver mais acentuada tudo deve acontecer de uma forma forte e bonita.

Eu incorporo há 50 anos e quando estou incorporado escuto e vejo tudo. Porque a incorporação não inibe nem a audição, nem a visão, muito menos a consciência. Quem fica inconsciente ou está mentindo ou está bêbado pelo álcool ingerido durante o trabalho desenvolvido.