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A Umbanda no Paraná
   
   

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Tenda de Umbanda da Cigana Soraya

- Informações Principais

Nome: Tenda de Umbanda da Cigana Soraya.
Endereço: Rua Lúcio Rasera, 1049.
Fone: 9988 3779.

Atendimento: quartas-feiras, das 20h às 24h.
Número de médiuns: 25.

Orixá mandante: Oxum.
Entidade mandante: Cigana Soraya.
Dirigente: Mãe Ana de Oxum.

Entidades da mãe de santo: Caboclo de Ogum Naruê, Cabocla Jurema, Vó Maria Conga, Erê Doum, S. Zezinho da Boiada, Cigana Soraya, S. Tranca Ruas da Encruzilhada (S. “Formoso”), S. Gira-mundo, Dona Maria Molambo.

Hierarquia: 2 capitães e 2 ogans.


- História da Tenda de Umbanda da Cigana Soraya

Fundada por mãe Maria Feliciana de Ogum, a TUCS sobreviveu como herança.

Foi numa gira de praia que mãe Ana de Oxum conheceu a Umbanda e mãe Maria Feliciana - dirigente da Tenda de Umbanda da Cigana Soraya (TUCS), fundada aos primeiros dias de janeiro de 1977. Encantada com a religião, Ana frequentou a assistência da TUCS durante muito tempo até ser convidada para participar da casa vestindo o branco; aceitou entrar para cantar e tocar atabaque. Com o tempo, seus laços com a mãe de santo da casa foram se tornando cada vez mais fortes, mas mãe Maria Feliciana faleceu.

O tempo passou e Ana ainda cuidava da casa, mesmo sem mãe de santo, fazendo homenagens fechadas nos dias de festas de Orixás e entidades. Após oito anos de trabalho, sem conhecimento sobre o que deveria fazer e como deveria proceder em relação à TUCS, procurou ajuda para reabrir a casa. Foi assim que descobriu, em meio à história do lugar, uma herança espiritual para si mesma: o comando da Tenda de Umbanda da Cigana Soraya.

Assim, através do pai Jimmy de Oxóssi, do Centro Holístico, ela conheceu Bitty, à época pai pequeno do Terreiro do Pai Maneco (TPM), que a levou até lá, onde conheceu pai Fernando de Ogum. Após uma longa conversa, Ana e pai Fernando entraram em um acordo: ela participaria dos trabalhos da casa de branco, e ele a ajudaria no desenvolvimento de sua mediunidade, para que pudesse reabrir a TUCS. Aproximadamente um ano depois, mãe Ana de Oxum foi feita mãe de santo pelas mãos de pai Fernando. Durante o tempo do desenvolvimento de Ana, após a reabertura da casa, vários filhos de corrente do TPM frequentaram a TUCS de branco, para ajudar nos trabalhos até o cruzamento da mãe de santo. Com o passar do tempo, a TUCS foi se firmando com seus próprios filhos, novos e antigos. Segundo mãe Ana, o rito da casa pode ser considerado uma mistura do que era praticado por mãe Maria Feliciana e do que aprendeu no TPM.

E não foi somente a TUCS que mãe Ana recebeu de mãe Maria Feliciana. Cigana Soraya, erê Doum e S. Tranca Ruas da Encruzilhada fazem parte dessa herança espiritual, pois são entidades que trabalhavam com a mãe de santo anterior e que continuam com suas firmezas na casa, trabalhando com a mãe Ana de Oxum. A própria Cigana Soraya, durante a gira, fez questão de contar que escolheu mãe Ana de Oxum como cavalo e dirigente da casa devido a sua extrema dedicação à casa durante anos, mesmo quando lá não eram desenvolvidos trabalhos.

     
 
 


- O ritual e as curiosidades da TUCS

A casa abre suas giras com pontos conhecidos. São cantados o Hino de Umbanda, os pontos em homenagem à Grande Luz, ao anjo da guarda, à defumação; é feita saudação à pemba e à toalha, são rezados um Pai Nosso e uma Ave Maria. Após oficialmente aberta a gira, são saudados caboclos, pretos velhos e crianças, bem como as sete linhas, e os exus.

E, como é de praxe na casa, são cantados, para início, pontos de vibração de Oxum. Assim, um a um, desde Mãe Ana aos demais filhos de corrente, todos recebem a energia do Orixá. No meio do terreiro é colocado um prato branco com água, elemento utilizado durante o início de gira para fazer uma limpeza no local. É cantado o ponto de subida de Oxum.

Para abrir a gira de Ogum, é cantado o ponto do Caboclo Akuan, pai de cabeça de pai Fernando de Ogum, saudando-o. Em seguida, é chamado Ogum Naruê, falange a qual pretende o caboclo que trabalha com a mão de santo. (A prática de saudação às entidades de pai Fernando são repetidas na abertura de trabalho com qualquer linha, por ser avô de santo da casa.)

Na continuidade dos pontos de Ogum, a corrente recebe as demais entidades que trabalharão e é iniciada a vibração das sete linhas. Neste momento, que dura alguns minutos, a assistência permanece no centro do terreiro, recebendo a energia dos caboclos de Ogum.

Em seguida, a assistência deixa o centro do terreiro e duas pessoas permanecem no meio para um trabalho. A entidade chefe percebe que ali há espíritos que necessitam ser encaminhados. Assim, duas velas brancas são acesas, uma para cada espírito, e são levadas a um local chamado Cruzeiro das Almas. Este espaço é composto por um pequeno armário de metal, com uma cruz dentro, no qual são colocadas as velas acesas, e uma cruz branca que simboliza o cruzeiro.

A subida de Ogum é chamada. São 21h30.

Então, é Doum, o erê que trabalha com a mãe Ana, que centraliza todos os olhares e a atenção. Ele chega no terreiro com alegria e logo ganha muitos presentes de Páscoa - que são distribuídos para a assistência e corrente. Doum é um caso especial na casa. Assim como a Cigana Soraya, esta entidade tem liberdade de vir em todas as giras, para cuidar dos filhos da casa e dar recados. Exceção feita às giras de esquerda, em que Doum não vem. Após sua subida, há um breve intervalo.

A segunda parte da gira é comandada pela Cigana Soraya, entidade mandante da casa. Para reinício dos trabalhos, é feita saudação à Santa Sara e ao Cigano Woisler. É chamado o ponto da Cigana Soraya para que a entidade herdada por mãe Ana incorpore; depois são cantados os demais pontos de ciganos para que os outros médiuns incorporem. São iniciadas as consultas individuais da assistência. É de costume, na casa, que os médiuns levem pratos de comida da preferência das entidades, que também são distribuídos para todos os presentes.

As consultas da noite são organizadas por senhas distribuídas antes do início dos trabalhos. Porém, mãe Ana garante que a casa procura sempre atender a todas as pessoas que querem se consultar, mesmo que as fichas já tenham acabado.

Assim que terminam as consultas, os demais ciganos sobem, permanecendo, no centro do terreiro, apenas a Cigana Soraya. É cantado então o ponto dos boiadeiros. Mãe Ana nos explica que há, na TUCS, um acordo entre os ciganos e os boiadeiros. Uma vez que a entidade mandante da casa necessita de uma gira sua uma vez ao mês, não há uma gira separada para a linha dos boiadeiros, porém, estes têm permissão de trabalhar ao final da gira dos ciganos fazendo a limpeza dos filhos de corrente. O primeiro boiadeiro a descer trabalha com o capitão Guina. Em seguida, outros médiuns da corrente recebem seus boiadeiros. Após realizados os trabalhos necessários, todas as entidades sobem e a gira se finaliza.

Nesta gira, excepcionalmente, antes de fechar o trabalho, a mãe de santo incorpora exu, S. Tranca Ruas da Encruzilhada, que vem passar instruções acerca de um trabalho a ser realizado na semana seguinte. Logo em seguida, a entidade sobe e a gira é encerrada com um Pai Nosso, uma Ave Maria, a saudação aos exus, o ponto de encerramento e uma música de agradecimento.


 
 
 
 



- Alguns diferenciais da casa:

- Primeira gira do ano é uma gira de exu fechada, somente para os filhos da casa.

- São feitas giras fechadas para desenvolvimento dos médiuns, uma vez por mês aos sábados. Geralmente, os obis são jogados em tal data, e mãe Ana aproveita para fazer o acompanhamento dos médiuns que estão indo para o toco. Em caso de necessidade, podem também ser realizados trabalhos específicos, se previamente solicitados pelas entidades.

- Os filhos da casa usam guias de proteção em que podem ser identificadas as sete linhas da Umbanda e contas referentes a pretos velhos, erê e anjo da guarda. Essas guias são confeccionadas pela hierarquia.

-Os filhos da casa podem fazer as guias das entidades com que trabalham. Para isso, tais guias devem ser solicitadas pelas entidades e autorizadas pela entidade chefe de cada linha, que irá cruzá-la antes de ser usada no trabalho.

- Os amalás são entregues, pelos filhos da casa e assistência, em frente ao congá. Exceção se faz aos amalás e entregas para exus e pombas giras, que são feitos na casa dos exus.

- Os pontos riscados durante a gira pelas entidades chefes da casa não são descarregados até o trabalho seguinte, uma semana depois.

- A casa não trabalha com sangue e não cobra por seus serviços.

- O roncó da TUCS é alimentado por mãe Ana, e lá mesmo ela acende, para os filhos de corrente, as velas trazidas pelos médiuns para seus respectivos anjos da guarda.

- Existem, na casa, três salas separadas que podem ser vistas ao lado do congá. Estas guardam elementos, presentes e objetos para Cigana Soraya, Doum e para o caboclo de Ogum de mãe Ana. Muitos dos objetos contidos nas salas ainda são do tempo da mãe Maria Feliciana, primeira mãe de santo da TUCS.

Texto de: Ana Tezza, Caroline Lipca, Eliana Diniz, Fabiana Bassetti e Marcus Vinícius Fagundes. Edição: Caroline Lipca. Revisão: Ana Tezza.


     
 
 

Fotos por: Ana Tezza, Caroline Lipca, Patrícia Vitachi e Marcus Vinícius Fagundes.